Vodafone Mexefest – Alt-j deixa uma multidão à porta no primeiro dia

Numa Avenida da Liberdade “vestida” de Natal e perfumada com o cheiro de castanhas assadas teve início a segunda edição do Vodafone Mexefest, que prometeu uma vez mais trazer burburinho e calor às treze salas do eixo Avenida – Rossio.

Em relação ao formato, a lotação das salas continuou a obrigar os festivaleiros a escolher previamente os espetáculos a que queriam assistir e a dirigirem-se atempadamente para as respetivas salas de forma a conseguirem garantir o seu lugar. E mesmo em tempos austeros, a avaliar pelas enchentes, podemos dizer que, durante este primeiro dia, foi a crise, tão propalada quanto real, que ficou à porta.

Aconteceu assim com um dos “filhos” da Flor Caveira, Samuel Úria, recebido num Tivoli com lotação esgotada, é certo que alguns aproveitaram para garantir desde logo o lugar para o quarteto britânico Alt-J(?) que mais tarde iria ser protagonista daquele que podemos afirmar ter sido o concerto da noite. Enquanto isso, um pouco mais abaixo, o duo paulista MADRID, formado por Adriano Cintra (ex-Cansei de Ser Sexy) nas teclas, e por Marina Vello (ex-Bonde do Rolé) na guitarra, subia ao palco num Maxime muito bem composto e com muita curiosidade estampada nos rostos.

“Desculpa mas levo um tempinho para me arranjar”, ouve-se Marina numa voz tímida mas que é apenas aquela com que se dirige ao público, bem diferente da que usa para cantar, enquanto num registo mais descontraído Adriano vai soltando piadas e criando empatia com a plateia. E durante pouco mais de quarenta e cinco minutos a dupla apresentou grande parte das canções que compõem o seu único álbum, Madrid. O seu indie rock melancólico em que as vozes de ambos se fundem harmoniosamente foi talvez o aperitivo perfeito para seguir em romaria para aquele que era sem dúvida o concerto mais esperado da noite, o quarteto britânico Alt-J (?). Preparavam-se para a sua segunda atuação em Portugal e prometiam pôr o público a vibrar.

As enormes filas para conseguir um lugar num Teatro Tivoli completamente lotado não foram uma surpresa. Lá dentro vivia-se um ambiente crepitante e de grande expetativa para conferir ao vivo o muito elogiado e vencedor do Mercury Prize Award “An Awesome Wave”; os quatro rapazes de Leeds subiram ao palco e foram recebidos por uma plateia eufórica. Divertidos, bem-dispostos e com uma energia contagiante, a banda percorreu todo o seu álbum e temas como “Tessellate”, “Something Good”, “Dissolve Me”, “Fitzpleasure” e “Breezeblocks”, que fizeram as delícias dos fãs e com eles cantaram e vibraram do princípio ao fim obrigando-os a voltar ao palco para o claramente merecido encore.
Do outro lado da Avenida, na sala Manoel de Oliveira do cinema São Jorge, Victoria Christina Hesketh (Little Boots) preparava-se para fazer disparar os batimentos cardíacos e pôr o público a dançar com as suas canções electropop e a sua energia que parecia não se esgotar. Enquanto isso, no Cabaret Maxime, os portugueses Gala Drop apresentavam numa sala completamente cheia o seu segundo trabalho, o álbum Broda. Com o seu rock de fusão, maioritariamente instrumental, com elementos que vão desde o afrobeat à eletrónica passando também pelo psicadelismo, convidavam o público a soltar o corpo e a deixar-se levar pelas suas melodias.
A fechar esta primeira noite estava o produtor e DJ britânico Trus`Me, um nome mais conhecido dentro do movimento house, e que prometia pôr o Ritz Clube a dançar até de madrugada. Não foi por isso de estranhar a repetição de enormes filas para entrar num espaço que esgotou rapidamente.
Satisfeitos com o primeiro dia de festival, era altura de descansar e recuperar energias para um segundo dia que tinha como cabeças de cartaz os ingleses Django Django.

Reportagem de Patricia Vistas e João Ferreira

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