A Viagem Às Lembranças Dos 80 Com Os Cock Robin

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

A emoção de recordar bons momentos do passado, através da música, tem permitido a longevidade de algumas bandas. Os Cock Robin, que ontem atuaram no Coliseu de Lisboa, são um desses fenómenos.

O eco do sucesso da banda, em Portugal, chegou com saúde ao ano de 2017. O concerto fez-se com uma sala cheia, quase esgotada, condensada na faixa dos “entas”, de quem procura reviver os grandes êxitos dos anos 80. Só que a banda liderada por Peter Kingsbery teima em querer fazer música nova e mostrar as mais recentes composições, que ninguém parece conhecer, ou querer ouvir. O resultado? Um concerto feito de momentos de plena emoção, recortado por intervalos de bocejo.

A receção da banda é extremamente calorosa. Mas quem são os Cock Robin, no seu 35º ano de carreira? Anna LaCazio, a co-fundadora da banda, abandonou os Cock Robin há cerca de dois anos. A voz feminina é agora assegurada pela jovem francesa Coralie Vuillemin. Eficiente nos coros e esteticamente graciosa, acompanha os temas, mas tem dificuldade em impor-se.

Já o timbre de Peter Kingsbery mantém-se único e perfeitamente reconhecível. Em palco, os seus movimentos são datados. Assim como a sonoridade que sai dos dois grandes sintetizadores em palco. Em relativa boa forma física, consegue ainda recolher apupos de admiradoras, ao longo da noite. Acompanha-os um baterista.

“When Your Heart is Weak” é o segundo tema da noite e o público fica extasiado aos primeiros acordes e acompanha a banda, com a letra toda bem decorada. Mas depois, cai numa espécie de entorpecimento. “Janice”, “Straighter Line” e “Bells of Freedom” mergulham o público numa espécie de estado letárgico. Aplaude-se por educação e espera-se. Enquanto isso, consulta-se a o e-mail ou as redes sociais no telemóvel e a mancha de caras iluminadas na plateia é evidente.

Peter Kingsbery larga as teclas, pega na guitarra acústica e acorda a plateia com a emoção de “Just Around the Corner”. Inicia assim um set de temas acústicos que permite apreciar melhor as melodias. Ao longo do concerto, distribui simpatia e charme pelo público. Explica que ainda não estão prontos para a digressão de despedida, pois querem continuar a fazer música e apresentam alguns dos temas do álbum Chinese Driver lançado em 2016. E mais uma vez a empatia diminui, volta a ficar numa espécie de dormência. Sons mais eletrónicos e contemporâneos não têm aqui lugar. Nas passagens das músicas há quem peça as canções mais desejadas, mas o alinhamento segue temas menos populares.

A noite já vai avançada quando o Coliseu finalmente se liberta das cadeiras para cantar e dançar. Faz-se com “Thought you were on my side” e segue em crescendo para “The Promise You Made”. Foi esta a razão da presença de muitos aqui. As recordações ainda em modo k7, que sobreviveram à passagem do tempo são aqui recordadas de forma efusiva. O poder da nostalgia a permitir um serão agradável, que sobrevive essencialmente de acordes carregados de lembranças.

Deixar uma resposta