Um Mar De Gente Para Ver E Ouvir Scorpions

Reportagem de César Castro

Scorpions dividiram o palco principal do MEO Marés Vivas com os portugueses Amor Electro e Expensive Soul e com Lukas Graham, banda que partilha o nome com o vocalista.

A música portuguesa voltou a abrir o palco principal do MEO Marés Vivas no segundo dia do festival. Enquadrados por um por do sol como pano de fundo, os Amor Electro chegaram, viram e venceram. Ao contrário do que se verificara no dia anterior, desta vez o público preenchia, já na hora do primeiro concerto no palco MEO, grande parte do recinto.
Notava-se que pelos Amor Electro vieram e que por eles ficaram até ao fim. E foi vê-lo, o amor, a correr o público todo, graças à iniciativa de Marisa que soube alimentá-lo e propagá-lo à sua assistência. Na verdade, Marisa despertou o humanismo subdesenvolvido na audiência, como se de uma mulher de causas se tratasse, a chamar a multidão e a família em união. Certo é que Marisa faz-nos acreditar (mesmo) que juntos somos mais fortes e, no fim, a máquina parou, mas ficava acesa a chama para Lukas Graham.

Lukas Graham, banda que dá igualmente nome ao seu vocalista, presenteou o público com músicas dos seus dois álbuns, ambos intitulados “Lukas Graham”. O ponto alto talvez tenha sido quando Graham cantara o single “Mama Said”, um enorme sucesso em todo o mundo e, sem exceção, nesta atuação no Marés. Ainda assim, Lukas Graham não foi, claramente, quem o público mais queria ver, o que se pode verificar pela ausência de parte do público de Marisa. Ainda assim, foram muitos os que ouviram “Hayo”, “Criminal Mind”, “Strip No More” ou “Funeral”.

Mais tarde seria a vez de Scorpions subirem ao palco. A performance no MEO Marés Vivas acontece depois de, em junho de 2016, terem atuado em Lisboa. Para promover o seu último álbum “Return to Forever”, editado em 2015, na Praia do Cabedelo fez-se ouvir “Going Out with a Bang”, “We Built This House”, “Rock ‘n’ Roll Band” ou “Eye of the Storm” num extasiante desempenho da banda, tendo como resposta uma brava exibição do público que pela primeira vez, em dois dias de Marés, estendeu-se numa mancha humana unidirecional com sentido ao palco.
“Wind of Change”, “Still Loving You” e “Rock You Like a Hurricane” foram outros célebres temas interpretados pelos alemães que voltam, assim, a Portugal e à Praia do Cabedelo, onde tocaram há oito anos, na edição de 2009. E porque fã que é fã de Scorpions vem ao festival, foram muitos aqueles que ficaram de fora do recinto a escutar a banda de rock alemã numa arena completamente esgotada.

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Fora de horas, Expensive Soul subiram ao palco principal do festival munidos de uma equipa numerosa. Endiabrados no palco e travessos para os fotógrafos, Expensive agradecem a quem ficou até ao fim para ouvir aquilo que apelidaram de boa música portuguesa. Com rasgados elogios à plateia, destacou-se, entre outros, uma bajulação às mulheres portugueses como “as mais bonitas do mundo”. Um brinde a vocês”. E é com “13 Mulheres” que Expensive Soul, na voz dos seus vocalistas, recordam os 18 anos de existência do grupo, que pelo fogo metem as mãos por acreditarem que o público sabe cantar a letra de cor. “Muito obrigado do fundo do coração”.
Menos populoso que o concerto de Scorpions, Expensive deixam um recado para os “invejosos” que, seja porque motivo for, estão em casa, e não no recinto com o “melhor público do mundo”. De coração, Expensive pedem para que a “casa” vá abaixo e o público obedece com saltos acompanhados de palmas e solta-se um “Alguém está cansado aqui dentro?”. E a festa não parou até bem por volta das 02h30.

O Festival Marés Vivas começou na passada sexta-feira, com destaque para os concertos de Bastille e Agir, e continua amanhã, domingo, com nomes como Sting, Seu Jorge, Miguel Araújo e Joe Sumner no palco principal.

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