The xx provocaram explosão de luz em Belém

31_xxAtuaram de noite, mas mais parecia de dia, dada a explosão de luz que provocaram. Anfitriões de uma grande festa de música eletrónica e alternativa, os The xx trouxeram aos jardins de Belém a sua grande produção Night + Day. Foi uma espécie de kick off da época de festivais de verão. Lisboa foi a primeira de três datas deste evento. A 18 de maio levam este espetáculo a Berlim e a 23 de junho a Isleworth, no Reino Unido.

Pelas 17h30 eram já muitos os que deambulavam pelo recinto do evento. Garotas vestidas a rigor, de acorde com os ditames da moda festivaleira, muitos estrangeiros a aproveitar a verdadeira tarde de verão, amigos à conversa pela relva. Xinobi, no DJ Stand, passava uma batida suave, a fazer ambiente. De boné preto e óculos de sol escuros, Oliver Sim, vocalista dos The xx, passeava pelos jardins de Belém. Sem conseguir passar despercebido, era abordado pelos fãs, com quem posou para fotos e escreveu dedicatórias. Parecia entusiasmado com a noite que tinha pela frente.

Às 18h00 soaram os tambores no palco principal. No meio da cena, concentram-se quatro músicos: dois bateristas sentados frente-a-frente, um guitarrista e um baixista. São os portuguesesPaus, que com uma forte tónica na percussão conquistaram a atenção dos presentes “Obrigado por terem vindo tão cedo para nos verem” dizia o vocalista com alguma emoção.

E a tarde seguiu em modo ping-pong. Fechava a cortina de um lado, começava a batida no DJ Stand, com músicos convidados e Kalaf a fazer o papel de mordomo deste espaço.

13_recinto

Perto das 19h00 entram os Mount Kimbie no Palco Night + Day. Ligaram os sintetizadores e mantiveram uma batida regular fazendo os corpos presentes abanar. O ambiente é de sun-set party. Copo na mão, dois dedos de conversa com os amigos, esteve-se bem em Belém.

A americana Kim Ann Foxmann tomou conta do coreto onde atuaram os DJs por duas vezes. A atuação da tarde não passou despercebida, pois até os mais desatentos foram despertados pela batida familiar de “Pump up the Jam” dos Technotronics um dos temas selecionados pela artista.

A provar que nuestros hermanos já têm lugar nos nossos palcos John Talabot envolveu o recinto de som eletrónico. O ambiente era quente, o debitar de decibéis já não facilita a conversa mas convida ao pé de dança mais agitado. Sem aviso prévio, os membros dos The xx, Romy Madley-Croft e Oliver Sim, entram no palco e cantam “Chained” o segundo single do mais recente álbum da banda, “Coexist”. O tema ganha aqui nova estética com a produção de John Talabot e o público, que é apanhado de surpresa, reage efusivamente com agrado.

Às 20h30 Jamie XX , músico dos The xx, atua a solo no DJ stand. O sol já desceu. As filas para as comer ou beber estendem-se em direções contrárias. Ninguém refila, impera a ordem. Mas há quem não esteja para isso e prefira pular ao som do DJ e reabastecer mais tarde.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Uma voz feminina vem humanizar o ambiente instrumental que se tem feito sentir com a entrada dos Chromatics no palco principal. O ambiente é de muita luz, neóns que distorcem formas e criam um cenário surreal. Temas como “Lady” ou “I want your love” fizeram parte do alinhamento e agitaram as massas. O público estava conquistado à partida, mas Ruth Radelet deixou duas surpresas para o fim as duas versões: “Running up that Hill” de Kate Bush e “Hey Hey, My My (into the black)” de Neil Young.

Pional, que já tinha passado pelo palco Day + Night ao lado de John Talabot anima as hostes no coreto, no entanto, a movimentação faz-se na direção do palco principal, para a grande atuação da noite. Os The xx entraram com uma explosão de luz que tomou conta do ambiente. Simpáticos, muito emocionados com a reação afável do público português e com uma presença segura em palco, desfilaram temas do mais recente “Coexist” sem abandonar os do álbum homónimo “xx”. “Crystalized”, “Shelter”, “VCR”, “Islands” carregam emoções que, ao vivo, ganham outra dimensão. A cumplicidade dos vocalistas é grande. Tocam e dançam em palco. “Chained” e “Stars” levam o público ao rubro. “Lisboa é uma das nossas cidades preferidas” refere Oliver Sim. Depois de uma breve saída em que deixam um duplo X luminoso no ar, voltam com o instrumental “Intro”. Agradecem a todas as bandas presentes e falam do trabalho de preparação que teve este evento, que começou há um ano. “Angels” fecha o concerto, com o público a cantar: “Being/ As in love with you as I am”.

A noite continuou no DJ Stand com o regresso de Kim Ann Foxman e James Murphy. A noite foi comprida em Belém, para quem o entusiasmo fez esquecer que, a seguir ao domingo, vem a segunda-feira.

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

Deixar uma resposta