Teatro da Trindade apresenta Sósia de Durrenmatt

O Teatro da Trindade estreia no próximo dia 28 de setembro, a peça  SÓSIA de Durrenmatt, com encenação de Lígia Roque, tradução de Paulo do Couto, com os actores Daniel Pinto, Daniela Vieitas, Joana Carvalho, João Castro, Sara Carinhas. A produção é de Caracol de Corrida – Associação Cultural, que vai estar em cena até dia 2 de outubro,  de quarta a domingo,  às 21h45.

“Uma autora de peças radiofónicas conta a uma realizadora de peças radiofónicas a história que inventou sobre um Homem que acorda a meio da noite e depara com o seu Outro (sósia), que lhe veio comunicar a sua condenação à morte por um crime que ele (Outro) tinha cometido. O Homem, personagem completamente anónima, proclama-se inocente, mas é colocado na prisão pelo Supremo Tribunal, onde espera a sua morte. Surpreendentemente, o Outro vem visitá-lo, para o ouvir confessar a sua culpa, algo que o Homem nunca assume. Então o Outro liberta-o dizendo-lhe que o Supremo Tribunal lho havia entregue. Informa-o também de que ele (Homem) vai acabar por assassinar uma pessoa. Vão ambos até uma casa, onde se encontra uma mulher que tenta induzir o Homem a matar o Outro com um copo de vinho envenenado. A narração aqui é interrompida pela realizadora que questiona a autora sobre a sua intenção, ao que ela responde que pretende fazer uma alegoria. É aqui que as personagens, a pedido da realizadora, são batizadas- o Homem: Pedro, O Outro: Diego e a mulher: Inês.
A narração continua, e afinal Pedro mata Inês, porque, segundo a autora, tinha sido inconscientemente motivado por Diego. No fim Pedro e Diego bebem vinho, sendo que Diego bebe o vinho envenenado. No seu último minuto de vida, Diego diz a Pedro a verdade: tinha vindo ter com ele, para morrer por ele, se ele tivesse assumido a culpa, a culpa que todos os seres humanos carregam consigo.
Aqui a realizadora por não gostar da narrativa, quer salvar Pedro, afirma que este estava apenas a sonhar. No entanto, a autora discorda, explicando que tudo foi verdade até porque o homem se encontra rodeado de dois cadáveres. Perante isto, a realizadora entra na história para defender Pedro. Só que este não aceita a sua ajuda porque se considera culpado e decide entregar-se ao Supremo Tribunal.
A peça acaba com a autora e a realizadora a entrar no castelo, por onde acabara de entrar Pedro para se entregar. A intenção da realizadora seria pedir recurso mas elas entram apenas num castelo vazio.”

Durrenmatt é um dramaturgo do séc. XX, que  definia o seu teatro como “ dramaturgia do labirinto” e tentava “num mesmo movimento, distanciar-me dele (…) dominá-lo pelo meu olhar como o domador faz à besta selvagem”.

O espetáculo é um fio de sentidos e alegorias, desenrolado por cinco actores que se auto iluminam e se socorrem do que têm ao alcance da mão. A luz é uma das protagonistas do espectáculo, agindo também como sonoplastia. Não há cenografia, simplesmente implantações espaciais e objectos. O espectáculo em termos técnicos só precisa de público.

Texto de Clara Inácio

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