Teatro da Trindade apresenta O Libertino por José Fonseca e Costa

O Teatro da Trindade estreia dia 1 de Março, O Libertino, de Éric Emmanuel-Schmitt, com encenação e tradução de José Fonseca e Costa, a assinatura de Eduardo Serra no Desenho de Luz e as interpretações de José Raposo e  Maria João Abreu, nos papéis principais.

Integram ainda a adaptação desta peça, com um cariz tão cinematográfico, Custódia Gallego, Filomena Cautela, Diana Costa e Silva e Tiago Aldeia, que dão vida a uma estória em que os valores foram revertidos, um homem é o objecto e a mulher é o sujeito.

Diderot pretende casar a filha com o homem que ele escolher para que ela tenha o seu lugar firme na sociedade, mas a filha é caprichosa e de volúvel aos seus desejos. O libertário começa a tornar-se um burguês e o revolucionário a falar como um reaccionário. Diderot esperava escrever um código de ética, mas no percurso ele encontrou verdades conflituantes, com tensões irreconciliáveis. Assim desiste de escrever o seu Tratado e abeirar-se da dúvida e da deliberação.

Em O Libertino, Diderot, um inveterado mulherengo, retira-se para descanso num castelo, onde está a ser desenhado por Madame Therbouche, uma retratista que lhe pede que o deixe pintar «tal como a natureza o fez vir ao mundo». Inesperadamente, ao famoso filósofo é solicitado que escreva o artigo sobre “Moral” para “A Enciclopédia”, obra a que já se vem dedicando há muitos anos…Este é o ponto de partida de um dia louco para Diderot. O Libertino baseia-se numa anedota real, Diderot e Madame Therbouche encontraram-se para uma sessão de pintura. Mme Therbouche queria pintar o retrato de Diderot e pediu-lhe para se despir completamente. Diderot obedeceu e, como a senhora era muito bonita, o seu desejo foi despertado até se tornar óbvio. A senhora, meio chocada, meio encantada, gritou e Diderot fez a seguinte observação espirituosa: “Não tenha medo madame, não sou o mais duro dos dois”.

A peça é uma homenagem viva ao desejo. O seu autor declara sobre esta peça que é a sua peça mais exuberante. “Escrevi-a na primavera, para a primavera, com um forte sentimento de renovação e de renovadas energias vitais. Parece a mais leve, mas esta peça é o resultado de anos de trabalho e de pesquisa. Diderot, a personagem principal, foi uma das minhas paixões desde adolescente e foi o assunto que escolhi para tese académica. Li e reli Diderot, dissequei e analisei os seus escritos. Mulheres entram e saem do palco. Algumas estão escondidas nos quartos. Estas mulheres são, obviamente, personagens, mas também são ideias. São todas inteligentes, todas encantadoras fazendo girar a cabeça do filósofo. A cena é um lugar objetivo: o estúdio de Diderot mas também o espaço mental da personagem. A sua geografia também é filosófica”.

O Libertino estreia no dia 1 de março e vai estar em cena até dia 8 de abril, de quarta a sábado às 21h00 e domingo às 16h00. Os bilhetes já estão à venda na bilheteira do teatro e nos locais do costume e variam entre os 8,50 euros e os 15 euros.

Texto de Clara Inácio

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