Tarefas Infinitas, Quando o livro e a arte se ilimitam, na Gulbenkian

Amanhã, Dia do Fundador,  abre ao público no Museu Gulbenkian, a exposição Tarefas Infinitas, Quando o livro e a arte se ilimitam, exposição singular que remete para o diálogo infinito que a arte e o livro travam há séculos.

A organização é conjunta do Museu da Gulbenkian e da Biblioteca de Arte e tem como Curador, Paulo Pires do Vale. A mostra pretende pensar o modo como a arte e o livro se põe mutuamente à prova. O título remete para a resposta possível: o livro e a obra de arte apresentam-se como Tarefas Infinitas desenvolvidas num horizonte aberto sem fim.  O ponto de partida são as coleções do Museu Gulbenkian e da Biblioteca de Arte, instituições perpetuadoras da tarefa de colecionador do seu fundador, que procurou, investigou e adquiriu obras de arte e livros excepcionais, quer pelo seu conteúdo informativo, bem como pela sua beleza e criatividade artística.  Ao longo do percurso expositivo, surgem livros medievais iluminados em diálogo com livros de artista contemporâneos, livros ilustrados do século XVII são exibidos junto a livros conceptuais do século XX e livros de horas confrontam-se com livros futuristas e livros de poesia visual.

Foram pensadas e articuladas pontes improváveis, como por exemplo, um conjunto de caixas de ferro onde o artista Rui Chafes guarda cinzas de textos que escreve, com um Apocalipse iluminado século XIII, que mostra a fogueira onde padecerão os condenados do Juízo Final.  A exposição propõe uma reflexão sobre os limites, permanentemente provocados e reconfigurados, da arte e do livro por vir.

O livro é mostrado enquanto laboratório de experiências estéticas e artísticas, interrogando e alargando também a nossa concepção segura e tradicional de livro: será este objeto ainda um livro? Será uma obra de arte? Serão exibidas obras e livros de artistas como Amadeo de Souza-Cardoso, Ana Hatherly, Vieira da Silva, Lurdes Castro, Alberto Carneiro, Fernando Calhau, Ed Ruscha, Filippo Marinetti, Stéphane Mallarmé, Jean-Luc Godard, William Kentridge, Gordon Matta-Clark, Lawrence Weiner, Bas Jan Adar, Diogo Pimentão, José Escada, John Latham, Robert Filliou, Christian Boltanski e Olafur Eliasson, entre outros.

Os artistas Fernanda Fragateiro e Hugo Canoilas – com Atlas Projectos – foram convidados para criarem uma obra especifica para a exposição.  Seth Siegelaub, galerista e editor ligado ao movimento da arte conceptual que marcou a cena artística norte-americana da segunda metade do século XX, tem três obras expostas e vai proferir uma conferência no dia 19 de Setembro. Como curador independente, criou projetos de exposições coletivas que apenas tiveram existência em catálogo, isto é, a exposição era o próprio catálogo onde se reuniam obras de artistas como Carl Andre, Robert Barry e Lawrence Weiner, entre outros.

A 17 de Outubro será Brad Freeman, artista e cofundador do Journal of Artists’ Books, publicação dedicada à produção contemporânea de livros de artista, fazer uma palestra sobre essa temática. Nesse dia e após a conferência, será lançado o número de outono da revista, exclusivamente dedicado ao livro de artista em Portugal. 

Atividades paralelas:

Filmes no Auditório 3 , às 18h00, com entrada livre 

25 julho – Embassy de Filipa César

12 setembro – Alphaville de Jean-Luc Godard

19 setembro – Fahrenheit 451 de François Truffaut

Conferências no Auditório 3, às 18h00, com entrada livre

26 setembro – Arte e livros em finais dos anos 60: teoria e prática,Seth Siegelaub

17 outubro – Livro de artista : vários media num pequeno embrulho, Brad Freeman, seguida do lançamento do número da revista JAB – The Journal of Artists’ Books, exclusivamente dedicado ao livro de artista em Portugal

Visitas orientadas , às 15h00

Julho – 26*, Agosto – 1, 8, 22, 23*, 29; Setembro – 5, 12, 19, 20*, 26; Outubro – 3, 10, 17, 20*(* com a presença do comissário da exposição). Os grupos devem marcar préviamente, de segunda a sexta-feira, das 10h00 às 12h00 e das 14h30 às 16h30.

Texto de Clara Inácio

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