Tago’s Uma Experiência Gastronómica Do Japão À Trafaria

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

Um refúgio escondido no topo da encosta. Uma vista panorâmica sobre a cidade de Lisboa com o rio Tejo a delimitar a distância. O Chefe Luis Barradas é, há cerca de um ano, o responsável pelo que chega à mesa do restaurante Tago’s, na Quinta do Tagus, na margem sul do Tejo. Gastronomia asiática confeccionada com produtos da região e pratos portugueses com uma apresentação oriental.

É numa espécie de desafio de caça ao tesouro que chegamos ao restaurante Tago’s, na localidade de Costas de Cão, entre o Monte da Caparica e a Trafaria. Fazemos um último troço de terra batida, a sugerir um “volta-atrás”, não fossem as indicações precisas para seguirmos em frente. Encontramos, no final da estrada, um pequeno paraíso escondido, com as luzes de Lisboa a brilhar ao longe.

À frente do restaurante da Quinta do Tagus está, desde março de 2016, o Chefe Luís Barradas. Serve, neste espaço, o seu conhecimento da cozinha asiática, recorrendo a produtos adquiridos nos mercados locais, como explica no menu, de Setúbal (de onde Luís Barradas é natural) à Trafaria, mas também à produção local, das hortas da quinta. Junta-lhe o melhor da gastronomia portuguesa, com uma apresentação harmoniosa e minimalista, e com um resultado surpreendente.

É numa espécie de varanda vidrada da casa que se fazem as refeições. Os clientes têm à disposição um menu de degustação diário, pelo valor de 60 euros por pessoa, com o título de “Do Japão ao Tagus”, ou seja, a fazer uma travessia por diferentes variantes de sushi com passagem por pratos que nos são mais familiares, como o escabeche.

Há também um menu de degustação “De Portugal ao Tagus” com sabores mais circunscritos às nossas fronteiras (mesmo valor por pessoa). Os interessados numa experiência mais exclusiva, têm uma lista de pratos que são servidos para um mínimo de duas pessoas mas carecem de encomenda prévia. É o caso de arrozes (marisco, peixe, bacalhau, javali, lebre, entre outros), açordas, cataplanas, caldeiradas, etc. e pratos confeccionados em forno a lenha ou grelhados na brasa.

Começámos com uma entrada de Salada Wakame, com algas, pickles japoneses e tomate cherry. Seguiu-se o Suimomo, um caldo aromático com vieira. Ainda no plano de entradas rendemo-nos ao Robalo Queimado. Este é uma espécie de homenagem de Luis Barradas ao célebre chefe Nobu. O peixe é aqui cortado em sashimi style e depois braseado. É apaladado com o molho de ponzu, batata doce frita, cebolinho e sementes de sésamo. É um prato feito para agradar. E surpreender, especialmente aqueles que acham que não gostam de sashimi.

Nova pausa para admirar a vista. O recorte da ponte 25 de abril é feito de pontos de luz e quase apetece unir o tracejado. Perdemo-nos na conversa com João Silva, o gerente da Quinta do Tagus sobre a história da Quinta, que foi propriedade da família Bordallo Pinheiro e chegam entretanto à mesa duas travessas. Poderíamos estar a assistir a um jogo de pingue-pongue, pois a cabeça  gira de uma para a outra na indecisão “por onde começar”. Os olhos são os primeiros a saborear a excelente apresentação cuja aprovação é de imediato dada pelo palato: uma combinação de sashimi que contempla atum, carapau, robalo, vieira e gamba. “A única coisa que poderá não ser comestível neste prato é o pequeno ramo de cedro, aqui da quinta” avisam-nos. E de facto, não conseguimos devolver mais do que isso à cozinha. A outra travessa, traz uma combinação de niguiris: vieira, pregado braseado e carapaus com azeite e pimentos.

Achávamos nós que íamos ficar pela gastronomia asiática, quando, ao trocar de pratos, nos colocam talheres. Vem outra das especialidades da casa: um tributo à Chefe Noélia e ao seu arroz de limão com peixe. Neste caso, complementado com um robalo.

Tínhamos já passeado por toda a banca do peixe, quando nos deram a conhecer a mais recente especialidade de Luis Barradas em matéria de carnes: o Tataki da vazia com chips de aipo. A carne tenra, suculenta e verdadeiramente saborosa.

Antes de sair da mesa, derretemo-nos com um Foundant de chá verde, com base de chocolate branco, acompanhado de pistachio, que lhe dá um toque crocante.

O Tago’s  tem quarenta lugares sentados e é uma boa opção para uma refeição diferente. Um momento especial que mereça ser celebrado com uma seleção de pratos que vão, certamente, ficar registados na memória. Mais do que uma refeição esta é também uma experiência que passa por todo o ambiente envolvente.

Tornar isto ainda mais exclusivo? É marcar para a hora do almoço, aproveitar a parceria que têm com uma empresa de helicópteros, e chegar diretamente das nuvens para o paraíso!

O restaurante Tagos fica localizado nas Costas de Cão. Serve almoços das 12h30 às 15h00 e jantares das 19h30 às 22h30.

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