SudoesteTMN: 3º dia encheu para ver Mika

Sábado no Sudoeste é um bom exemplo do espírito do festival, apesar do primeiro concerto estar marcado para as 18h45, os festivaleiros só começaram a chegar depois das 21h00, com o cair da noite, só enchendo mesmo o recinto por volta da meia-noite, para o concerto de MIka, o único que esteve mais completo, com cerca de 38 000 pessoas a assistir.

Sábado é dia de praia e descanso e aqui, neste festival ao pé da praia, tal facto é uma realidade adquirida, pois é tempo de praia e descanso e desfrutar das maravilhas da costa alentejana, dando verdadeiro sentido ao lema do festival “Vens ver ou vens viver?”

A  programação dos vários palcos era muito eclética, com artistas para todos os gostos. No Palco Planeta Sudoeste Jogos Santa Casa, os concertos começaram pelas 18h45, com os portugueses João Só e Abandonados, que apesar de novinhos , mostraram que conseguem animar o público no seu estilo pop-rock, que devido ao cedo da hora ainda era pouco, mas animado.

O ritmo continuou em português com os Diabo na Cruz, uma das jovens bandas revelações do momento, que apresentaram vários temas novos como, “Os Loucos estão Certos” e “Dona Ligeirinha”, que misturam rock com ritmos tradicionais.

As honras de abertura do Palco TMN estiveram a cargo do californiano Brett Dennen, que se apresenta num registo que combina folk com pop, visíveis em temas como Heaven” ft, “Make You Crazy”, entre outros.

O recinto só começou a encher depois do cair da noite, e a música ecoou no ar, com actuações em simultâneo nos três palcos do recinto.

Os brincalhões Anaquim, um novo projecto musical português, puseram o pessoal a dançar e a pular, no Palco Sudoeste, ao som dos temas do novo álbum, As Vida dos Outros, lançado este ano pela Universal.

A encerrar as actuações desta parte do recinto, os explosivos Friendly Fires, proporcionaram um dos pontos altos deste palco, com um recinto cheio, aos pulos e a vibrar ao ritmo dos sons e temas da banda, como “Paris”, e “Ex-Lover”.

À mesma hora, e um pouco mais para o lado, no palco Sapo Vibes  o ritmo do reggae animava as hostes, que dançava e cantava de braços no ar, sendo o palco mais animado e com mais público dos três. Por aqui passaram neste terceiro dia os Marrokan, os Black Seeds, Midnite e os Supersonic.

Uma das bandas mais esperadas da noite eram as Sugababes. Cerca das 22h15, a banda britânica, que lançou recentemente um novo álbum, apresentou-se em Portugal com a mais recente formação, já sem a presença de Keisha Buchanan (uma das Sugababes originais) e com Jade Ewen , Heidi Range e Amelle Berrabah.

Durante cerca de uma hora, as três “beldades” interpreteram temas do seu mais recente trabalho (recentemente lançado em Portugal pela Universal), Sweet 7 como “Get Sexy”, “About  a Girl”, “Miss Everything”, e ainda temas mais antigos como “Stronger”, “Push the Button” ou “Red Dress”. Palmas, coros e coreografias foram algumas das maneiras que as festivaleiras encontraram para acompanhar a banda feminina, que animou as hostes do palco principal.

Mas apesar de já estar noite cerrada, e as “babes” serem uma das bandas mais esperadas, a zona em frente ao palco ainda só estava a meio gás, nos outros dois palcos decorriam outros concertos, mas o grande desmotivador era o jogo Benfica-Porto que estava a decorrer e podia ser visto em algumas das televisões espalhadas pelo recinto.

Depois do jogo, foram muitos os festivaleiros que resolveram eles próprios jogar uma partida, mas de matraquilhos, umas das inúmeras diversões disponíveis no recinto, com várias filas de mesas do tradicional jogo, que coloca frente a frente as principais equipas de futebol português (Porto, Benfica e Sporting), representadas por bonecos de madeira.

Mika foi o senhor que se seguiu, já com o recinto completo. O músico libanês trouxe até à Herdade da Casa Branca o seu mundo encantado, num cenário, provavelmente, inspirado em “Alice no País das Maravilhas” e no Dia dos Mortos no México, com muita cor e onde não faltavam árvores frondosas, girassóis, músicos caracterizados, como pano de fundo para uma actuação enérgica que deixou o público em delírio.

A abrir com “Relax, take it easy”, single de estreia, Mika começou, de imediato, a conquistar a plateia. “Big girl (you are beautiful)” foi a música que se seguiu, com uma enorme perna insuflável, calçada com um sapato às bolinhas cor de rosa, a ser lançada para o público. Este gritou pelo nome do cantor, o que viria a repetir-se durante o resto do espectáculo.

“Boa noite a todos”, cumprimentou Mika num perfeito português, “este é o nosso maior espectáculo em Portugal”. Ao longo de toda a actuação, Mika marcou pontos junto do público, ao dirigir-se aos fãs quase sempre num português extraordinariamente decorado.

Uma atenção especial mereceu Imma, a voz suporte do cantor, que para além de cantar interagiu muito bem com os restantes elementos da banda, especialmente com o protagonista.

De olhar e gestos expressivos, num espectáculo onde a teatralidade imperou, o cantor emanava alegria em palco, mostrando que estava a desfrutar do momento. Seguiram-se “Doctor John”,“Blue Eyes” e “Billy Brown”, sempre com novos adereços ou bailarinos a surgirem, para reforçar o imaginário de cada canção.

Com a batida mais electrónica de “Rain” estava lançado o aviso: “Estamos a começar!”, quando o público já estava completamente embalado.

Com “Blame it on the girls”, do segundo disco (The Boy Who Knew Too Much), pôs rapazes e raparigas a cantar, à vez, conseguindo puxar coros plenos de entusiasmo.

Entre a electrónica, o piano de “Happy ending” ou “Grace Kelly”, o cantor deu uma lição de como fazer um espectáculo pop absolutamente refrescante, onde teve tempo para ‘matar’ a banda e exigir aplausos do público para a ressuscitar, à semelhança do que já tinha feito em Abril no concerto do Campo Pequeno. Todos saltaram, todos deliraram, num concerto em que Mika foi o primeiro a mostrar que se estava a divertir.

Durante o tema “We are golden”, os festivaleiros erguerem chupa chupas de papel, em forma de coração, para surpreender o cantor, numa iniciativa da TMN.

A encerrar com chave de ouro um concerto que se prolongou por mais de uma hora de puro divertimento, Mika interpretou uma versão da “Sweet Dreams”, dos Eurythmics, à qual se seguiu, por último, uma “Lollipop” a começar em modo “Stomp”, com a banda toda agarrada a caixotes metálicos.

Entretanto, os concertos no Palco Sudoeste já tinham terminado e deram lugar à electrónica na Groove Box, que neste terceiro dia contou com DJ Ride Showcase, Scuba, Soundhack/ Soundstream e a encerrar Zé Salvador & João Maria.

A encerrar a noite no palco TMN estiveram os argentinos e uruguaios Bajofondo, que trouxeram uma mistura de tango, com influências da música cigana, de que são exemplo o acordeão, a concertina e sanfona e os violinos, e o seu choro triste, contrabalançado pelo ritmo alegre da bateria, do órgão e da Dj (que fazia anos no sábado e teve direito a “Feliz Compelanõs” em palco pelos restantes membros do grupo e pelo público presente).

E foi em estilo de dança, com muito ritmo e espíritos elevados que terminou o sábado, na Herdade da Casa Branco, para o último dia, muitas outras surpresas estavam guardadas para os festivaleiros.

Texto de Elsa Furtado e Cristina Alves
Fotos de Francisco Lourenço, Telmo Jorge e Elsa Furtado

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