SBSR 2011: 2º dia – Arcade Fire e Portishead levaram público ao rubro

Reportagem de Patrícia Vistas (texto) e Sara Santos (Fotos)

Ao segundo dia a confusão aumentou. Com dia esgotado na casa, o pânico para chegar ao recinto era cada vez maior. “Uma hora e meia para fazer 10 metros”, ouvia-se a indignação de alguns.
Nós só conseguimos chegar a tempo de Rodrigo Leão nos embalar, esperavamos ver a Beth Gibbons com ele em palco, já que hoje também vinha actuar, mas ficamos desfeitos quando percebemos que hoje não era esse o caso. Mas, a portuguesa Ana Carolina fez muito bem o teu trabalho ao lado deste artista que antes já integrou bandas como “Sétima Legião” e “Madredeus”. Foi um momento de entrega, mas as primeiras filas estavam em espera para Arcade Fire e isso notava-se.

Entraram os The Gift no palco Super Bock, esta banda de Alcobaça veio determinada a dar valor ao fato de estarem perante milhares de pessoas no mesmo palco onde tocaria Portishead e Arcade Fire.
Já com milhares de pessoas à espera, Sónia Tavares soube muito bem o que fazer com eles. Foi um bom concerto como “RGB”, deste último álbum tal como “Made for You”. Neste concerto foram interpretados maioritariamente temas do novo álbum Explode, deixando alguns fãs com sede dos antigos, e tal verificou-se quando foi entoado o tema “Driving You Slow’. Foi um bom início de noite, este portugueses estão de parabéns.
Guardamos lugar, tal era a impossobilidade de nos mexermos com tanta confusão que se vivia no meio da multidão. Vinha aí uma senhora, Beth Gibbons.
Mal entrou em palco e estava tudo em delírio ao nosso redor. Portishead sabe muito bem o que fazer. Talvez sejam uma das poucas bandas que tanta magia e envolvência traz, que podem apenas debitar música sem qualquer tipo de interação, que o concerto não deixa de ser brilhante e genuíno. Um dos melhores concertos da noite, um dos melhores concertos do festival (e ainda nos faltavam os fantásticos Arcade Fire). “Esta mulher é de sonho”, “Casa comigo Betty”, gritava-se da plateia.
Com temas dos (apenas) três álbuns destes veteranos, “Magic Doors”, “Machine Gun”, “Silence” a lindíssima “Over”, entre tantos que nos deixaram de queixo caído e de pelos arrepiados. Esta voz da Beth é qualquer coisa de inexplicável. Mas o grande momento (mais um), veio quando se entoa o som de “Roads”, e há uma multidão de pessoas (ou almas?), juntas, com corpos a dançar, a vibrar, um coro de início ao fim a acompanhar este refrão “From this moment, How can it feel, this wrong.”


Não havia mesmo nada de errado nisto. Um momento brilhante. Um concerto brilhante. Uma Beth Brilhante.
Ainda com a magia de Portishead entranhada no corpo, é a vez dos (o que se pode chamar a eles?) imensos, intensos, fantásticos Arcade Fire entrarem em cena. São muitos, e todos bons! Estes canadianos parecem ser de outro planeta, de outra religião, de outra galáxia. Que fusão esta, nós e a banda. Que momento de entrega mútua. Não se parou de cantar em nenhum sítio deste recinto completamente cheio. Não conseguíamos ver o fim da multidão, mas o pó que se levantou quando estes
brilhantes Arcade Fire tocaram foi uma espécie de louvor.
Entraram com “Ready to Start” e estavam mesmo, e nós também. Mantivemos o registo em “Keep the Car”, e veio a explosão de “No Cars Go”. Gritos de histerimo, e caras de felicidade, era o que havia em nosso redor. Passaram pelo “Haiti” e entraram em “Rococo” cantada claramente e coro. Mas, PÁRA TUDO, ouvem-se os acordes para a “Intervention”, nunca vimos estas reações fervorosas num público tão sedento, uma magia brutal, que até mereceram o comentário de Win Butler, que nos pediu
para ensinarmos o povo deles a serem tao calorosos e fervorosos como nós. “The Crown of Love”, foi um dos momentos deste concerto, juntamente com o primeiro single do último álbum “The Suburbs”. E vem mais um onda de calor e pó com “Rebellion” e estamos todos sedentos por mais, e merecemos um encore com a tão esperada “Wake Up” e fechou com “Sprawl II” ao som da doce voz de Régine Chassagne. E chegou o fim do concerto deste festival, que se não fosse pelas bandas, nada teria de bom.

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