Rui Veloso levou Coliseu ao rubro na festa dos 30 anos

Em tempos em que o “revivalismo está na moda” foi uma verdadeira viagem no tempo a festa de 30 anos de carreira de Rui Veloso, e dos 20 anos de lançamento do álbum Mingos & Samurais, que esta semana passou por Lisboa, com dois espectáculos completamente esgotados no coliseu dos Recreios.

Pouco passava da hora marcada, quando os Mingos & Samurais, com um Rui Veloso de camisa às bolas à frente apareceram em palco, na quarta-feira passada, no Coliseu de Lisboa. À sua frente, uma sala completamente cheia, com um público multigeracional, com muitas famílias e casais, recebeu-os com grande entusiasmo e muita expectativa.

Foi literalmente um concerto para fãs, mas também para “amigos” de longa data.

A abrir as hostes, a banda começou com “Embalagens de Damas”, seguida de “Irmãos de Sangue” e  “O que eu quero ser quando for grande”, temas pouco conhecidos de alguma parte do público, mas cujo ritmo e alegria contagiaram o Coliseu da plateia às galerias.

Entre os temas da primeira parte da noite, a primeira ovação foi para “O prometido é devido”, que teve direitos de acompanhamento por parte do público.

Num dos momentos de interacção com o público, Rui Veloso disse “Que bom ver-vos aqui, 30 anos depois, e com a mesma malta”.

Depois de mais uma salva de palmas e a entrar na fase final do concerto dos Mingos, desfilaram os emblemáticos “A Paixão (Segundo Nicolau da Viola)”, “Não Há Estrelas no Céu” e o animado “Baile da Paróquia”, sempre acompanhados em coro pelo público, de gritos de “És o maior Rui” e muitas salvas de palmas, encerrando a primeira parte em festa e de pé.

A segunda parte do espectáculo arrancou num registo mais calmo, com “A Tua Pequena Dor”, já com a banda actual e Zé Nabo – amigo e companheiro de longa data ao lado de Rui.

Rui Veloso surgiu com uma camisa aos quadrados, com direito a ouvir de um fã: “Rui adoro a camisa”, gerando assim algumas gargalhadas e um ambiente descontraído, muito apropriado para as várias surpresas que se avizinhavam, ao fim ao cabo, era noite de festa e de estar com os amigos.

O primeiro convidado a subir ao palco foi Danny Silva, que trouxe com ele Tito Paris, amigos dos primeiros tempos de Lisboa, das noites passadas na Graça, e o Coliseu cantou e dançou ao ritmo de Sôdade.

Depois de um aclamado Porto Covo, surge em palco outro  velho amigo e companheiro de outras andanças, Tim, que teve direito a uma grande ovação mal surgiu em palco. Para gáudio do público e a antever o concerto de Tim e Amigos no Coliseu em Dezembro, os dois músicos cantaram o tema “Voar”, seguido de “A Explicação das Estrelas”, terminando com grande parte do público em pé a cantar e a aplaudir.

João Gil foi o senhor que se seguiu, e com o popular “Rosa à Janela”, o Coliseu dançou e aplaudiu, seguido do “Postal dos Correios”, tão apreciado e bem recebido pelo público, pondo toda a gente de pé, e foi de pé que se cantou e dançou o “Lado Lunar”.

E a noite já ia longa, mas faltava uma das surpresas mais aguardadas da noite, o aparecimento de Mariza, a grande senhora do fado da actualidade e uma das amigas mais queridas de Rui.

“Não Queiras Saber de Mim” e “Porto Sentido” foram os temas escolhidos para cantar a dois, em mais um momento de grande cumplicidade musical. Mariza cantou e encantou e o público retribuiu com palmas e de pé, um cenário que se espera voltar a ver aqui, no próximo dia 29, em mais um concerto em nome próprio.

Para o final ficou guardado o “hino” Chico Fininho, que juntou em palco todos os músicos que por aqui passaram. E foi em clima de festa, com cerca de 3 000 pessoas em pé, a cantar, dançar e a bater palmas que terminou o concerto … ou pelo menos assim parecia.

Os aplausos a isso obrigaram e para o encore ficaram guardados os temas “O meu primeiro beijo” e “Arménio”.

Uma festa em grande, revelando mais uma vez a legião de fãs e o bom estado em que Rui Veloso, o “pai” do Rock Português se encontra. A próxima grande festa está já prometida para dia 31 de Dezembro, no Casino de Lisboa, para assinalar a passagem do Ano, entretanto, é esperar que saia o cd e o dvd deste concerto, que foi gravado ao vivo.

Só resta acrescentar: “Parabéns Rui Veloso, pelos 30 anos de carreira”.

Reportagem (texto e fotos) de Elsa Furtado

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