Rodrigues dos Santos homenageia o pai em Anjo Branco

A vida de José Branco mudou no dia em que entrou naquela aldeia perdida no coração de África e se deparou com o terrível segredo.

O médico tinha ido viver na década de 1960 para Moçambique, onde, confrontado com inúmeros problemas sanitários, teve a ideia de criar um serviço revolucionário: o Serviço Médico Aéreo.

No seu pequeno avião, José cruzava diariamente um vasto território para levar ajuda aos recantos mais longínquos da província. O seu trabalho depressa atraiu as atenções e o médico que chegava do céu vestido de branco transformou-se numa lenda no mato.

Mas a guerra colonial rebentou e um dia, no decurso de mais uma missão sanitária, José cruzou-se com aquele que se tornou o mais aterrador segredo de Portugal no Ultramar.

Este é o ponto de partida do mais recente romance de José Rodrigues dos Santos, lançado ontem, dia 23 de Outubro, na Sociedade de Geografia, em Lisboa e que é inspirado na vida do pai do jornalista, e na sua infância em Moçambique.

A sessão de apresentação, que contou com uma casa cheia, entre caras amigas, familiares e admiradores, teve honras de apresentação a cargo de Joaquim Furtado, também ele ex-director de informação  (e programação da RTP) e autor da série documental A Guerra.

Uma escolha que Rodrigues dos Santos justificou com, “admiração pelo jornalista da RTP, por ser o autor da série documental e acima de tudo, como uma homenagem pública à integridade, isenção, ética e profissionalismo de Joaquim Furtado”.

Durante a sua apresentação, também Joaquim Furtado, destacou este livro como, ” Resultado de um bom trabalho jornalístico, de investigação, de crónica de guerra e também de ética profissional”.

Anjo Branco além de ser o mais recente romance de Rodrigues dos Santos, é também uma homenagem do jornalista-autor ao seu pai, um médico altruísta, para quem o bem-estar dos outros e ajudar o próximo estavam acima de tudo.

Este é também mais um romance inspirado na história da sua família, depois de A Filha do Capitão e de A Vida Num Sopro.

Sobre este livro, disse ainda o autor que, “todos os meus livros abordam temas filosóficos, e este fala sobre o bem e o mal, as escolhas e suas consequências e também sobre a ética”, virtudes personificadas na personagem de José Branco, o médico que andava sempre de branco e criou o Serviço Médico Aéreo em Tete.

Destaque ainda neste romance, para o relato de muitas situações vividas durante a Guerra Colonial em Moçambique, em especiaal o massacre de Wiriyamu, até hoje pouco divulgado e conhecido, e que foi abordado na sessão de lançamento do livro, com a divulgação de duas fotografias inéditas, e tidas como as primeiras alguma vez vistas sobre o incidente, tendo uma delas sido escolhida para capa do livro.

Escrito no tom coloquial e cativante, a que já nos habituou, mas sempre acompanhado de uma exaustiva e rigorosa pesquisa, este romance é também contado na primeira pessoa, recorrendo a memórias de infância de Rodrigues dos Santos, memórias da mãe, de primos, amigos e colegas do pai, que serviram tabém de inspração a muitas personagens, que vão desfilando ao longo das 678 páginas do livro.

Um livro emocionante, com uma forte componente intimista, mas também de homenagem quer ao pai do escritor quer a todos so que foram vítimas de um conflito, ainda tão presente na memória dos portugueses.

Mais um romance com a chancela da Gradiva, que promete ser mais um sucesso de vendas, deste autor que já vendeu mais de um milhão de exemplares e já se encontra traduzido em 17 línguas, para além de edições em Portugal e no Brasil.

Texto e fotos de Elsa Furtado

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