Rock in Rio 2010: Terceiro Dia com lotação quase esgotada para ver Muse, Xutos e Snow Patrol

Cerca de 83 mil pessoas ocorreram ontem ao Parque da Bela Vista, para o 3º dia do Rock in Rio, num dia em que Muse, Snow Patrol e Xutos & Pontapés estavam marcados para actuar no Palco Mundo, naquele que já era considerado à partida um dos dias mais fortes do festival, devido ao cartaz.

E ficou provado porquê, ninguém quis deixar escapar a oportunidade de ver e ouvir algumas das maiores bandas de rock da actualidade, num só dia, independentemente da idade. E foi a um parque da Bela Vista repleto de várias gerações de “jovens”, a que se assistiu ontem, em que ninguém arredou pé até aos últimos acordes dos Muse, a banda cabeça de cartaz deste dia 27.

Um estatuto bem merecido e complementado com honras de fogo de artifício na altura da entrada da banda em palco, dando origem a um grande momento de espectáculo visual e não só.

“M.K.Ultra” foi o tema escolhido pela banda britânica para abrir as hostes, seguido de “Map of the Problematique”,  “Uprising” e “Supermassive Blackhole”, temas que fizeram bastante o agrado do público, que chegou a fazer coro em algumas partes. A noite continuou, com um ambiente agradável e a lua a brilhar no alto, a assistir lá de cima a canções como “Resistence”, “Undisclosed Desires”, “Plug in Baby”, “Hysteria”, e “Knights of Cydonia”, a encerrar o espectáculo. Durante todo o concerto, o público foi acompanhando as letras que conhecia e balançando-se ao som das músicas de Matthew Bellamy, Christopher Wolstenholme e Dominic Howard.

Mas coro, coro, o público fez no concerto dos Xutos & Pontapés, que tiveram uma actuação verdadeiramente memorável, naquele que se pode já considerar um dos maiores momentos do Rock in Rio 2010, com a Alameda do Parque  da Bela Vista cheia para ver e ouvir a banda rock portuguesa.

Eram cerca das 20h30, o sol já ía longe, e a noite caía, quando os Xutos entraram em palco com “Contentores”, que logo arrancou gritos da multidão, ela que enquanto esperava já tinha gritado Xutos e também SLB (numa referência ao Campeão Nacional, que Tim fez questão de lembrar no fim do concerto ao envergar uma camisola do Benfica). No fim da primeira música Tim gritou, “Olá Lisboa, aqui Xutos & Pontapés”, começando imediatamente a tocar os acordes de “Quem é Quem”, seguido de “À Minha Maneira”, “Não Sou o Único” e “Circo de Feras”.

E o público, composto por pessoas de várias idades e gerações, com uma grande maioria de jovens com menos de 20 anos, foi aplaudindo, cantando, gritando e fazendo Xs com os braços, ao longo dos diversos temas da banda. Tim, visivelmente bem disposto, tal como Zé Pedro íam-se metendo com o público, cada um “à sua maneira”.

Outro ponto alto do concerto foi “O Homem do Leme”, um dos temas ícones dos Xutos e o qual o público fez questão de acompanhar, cantar, gritar, e mostrar que esse é também um dos seus temas. Seguiram-se “Tonto”, num dueto protagonizado por Kalú e Zé Pedro, para quem Tim pediu uma grande salva de palmas, e “Dia de São Receber”, também com o baterista dos Xutos na voz principal.

A terminar o concerto, e antes da mítica “Para ti Maria”, Zé Pedro dirigiu-se aos fãs e agradeceu a noite fabulosa e inesquecível, e também, os 31 anos de carreira que a banda festeja este ano. O concerto terminou ao rubro com “Casinha”, deixando o público a gritar por mais.

Foi mesmo um momento memorável, aquele em que cerca de 80 mil pessoas aplaudiram Tim, Zé Pedro, Kalú, João Cabeleira e Gui e continuaram a gritar por Xutos, mesmo após a saída dos “cinco magníficos” do palco principal da Bela Vista.

E foi com ainda os ânimos elevados, que os Snow Patrol subiram ao palco, com um dos seus maiores êxitos, “Open Your Eyes”, que gerou logo uma empatia com o público levando o vocalista da banda britânica  a saltar do palco, para o meio do público.

Seguiram-se temas como “Take Back The City”, “Chocolate” e outros sucessos como “Rocket”, “Run”, “Set the Fire”, na companhia da portuguesa Rita Red Shoes, “Just Say Yes” e “You´re all I have”. No fim, foi com um ar meio desajeitado, mas numa atitude esforçada que Gary Lightbody e Mark McClelland, se despediram do público em português, com um “Obrigada Lisboa”, e o público delirou e adorou.

Um público que esteve sempre muito bem disposto e bastante participtivo, desde a abertura das portas. No Palco Sunset, os Nu Soul Family, projecto de Virgul e de Dino, apresentaram o seu segundo trabalho discográfico e puseram toda a gente a dançar e a cantar, num espectáculo com muita boa vibração e que contou com a presença da americana Julie McKnight. Temas como “I Will Survive”, “Diamonds Live”, “People” e “Money” geraram grande animação e participação do público.

E foi este mesmo público que recebeu pouco tempo depois os Expensive Soul, que começaram com “O Amor é Mágico”, seguido de “Roots”. “Dou-te Nada” e “Nothing Like This” foram outros dos temas, que a banda partilhou com Bluey e Omar, numa mistura de soul, jazz e rap, terminando a actuação com “Don’t You Worry About a Thing”.

Também jovem, e também de Portugal foi a banda qua abriu as actuações do Palco Mundo na quinta-feira. Chamados à última hora, para substituir os Sum 41, os Fonzie não deixaram créditos por mãos alheias e animaram o público que já se encontrava em frente ao Palco Principal. Temas como “Amizade”, “Rock” ,”Shout” e “Sorry” foram alguns dos escolhidos pela banda e que muito agradaram a quem lá estava a ouvir e se mostrou à altura da tarefa para a qual foi escolhida.

Momento marcante neste dia, foi também a actuação de Jorge Palma e Zeca Baleiro. Embora a hora a que Palma actuou tenha sido ingrata para o músico (os Xutos actuavam no Palco Mundo ao mesmo tempo), nem mesmo assim os fãs do autor do “Bairro do Amor” arredaram pé do Sunset.

“Frágil”, “Dá-me Lume”, “Encosta-te a Mim”, e “Quase Nada”, foram alguns dos temas que o músico interpretou, no seu jeito inconfundível. No final e para homenagear um dos nomes mais marcantes da música portuguesa dos últimos anos, Rui Veloso, João Gil e Lúcia Moniz subiram ao palco na companhia de Zé Ricardo (o responsável pela programação do Sunset) para surpreender Palma. E foi com um “Frágil, esta noites estou tão frágil” emocionado, a várias vozes, que encerrou o Sunset e a noite tomou conta da Bela Vista.

Na zona mais baixa do parque, deste mesmo lado, os primeiros sons da electrónica já se começavam a fazer ouvir e a convidar à dança, mas com o cartaz que estava planeado para o Palco Mundo, não foram muitos os aventureiros, só mesmo mais para o fim da noite, se o corpo deixar.

De destacar ainda nesta quinta-feira, a homenagem dos Expensive Soul e o agradecimento dos Xutos, na pessoa do Zé Pedro, a Roberta Medina, responsável pelo Rock in Rio Lisboa, que este ano não pôde estar na Bela Vista  devido a um acidente (a cavalo) poucos dias antes do Festival arrancar.

Para amanhã está prometida nova enchente, com fãs mais jovens e muita animação no recinto.

Por Elsa Furtado
Fotos de Francisco Lourenço

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