Reguengos de Monsaraz: Estatuetas raras descobertas no complexo arqueológico dos Perdigões

A equipa de arqueólogos que retomaram este mês os trabalhos no complexo arqueológico dos Perdigões, próximo de Reguengos de Monsaraz, descobriram um conjunto de estatuetas em marfim, relacionadas com o culto dos mortos na pré-história, que são raras na Península Ibérica e foram pela primeira vez encontradas em Portugal.

As estatuetas, normalmente representando características masculinas e de grande realismo, apareceram pela primeira vez em Portugal.

Um dos aspectos mais significativos nos Perdigões é a presença de contextos funerários de cremações humanas datados de há cerca de 4500 anos, práticas funerárias consideradas pouco comuns na época e que levantam interessantes questões sobre as visões do mundo e do ser humano que estariam em transformação.

É neste contexto que tem sido descoberto o conjunto de estatuetas antropomórficas em marfim, de grande naturalismo e beleza estética.

O seu significado é assunto de debate entre especialistas, podendo representar divindades, pessoas ou estatutos sociais concretos, grupos de identidade ou parentesco. Estas peças e os problemas científicos que levantam serão apresentadas este ano em dois colóquios internacionais a realizar em Espanha e na Finlândia.

Herdade do Esporão

As novas descobertas vão integrar o núcleo expositivo do complexo arqueológico dos Perdigões, na Torre da Herdade do Esporão.

O complexo arqueológico dos Perdigões, “vizinho” da Herdade do Esporão, abrange uma área de cerca de 20 hectares. No terreno, adquirido inicialmente pelo Esporão para a platanção de vinha, foram encontrados vários recintos delimitados por grandes fossos (estruturas escavadas na rocha), com necrópoles (cemitérios) e um cromeleque de menires associado (recintos cerimoniais circulares compostos por grandes blocos de pedra colocado ao alto). Ao que tudo indica, os vestígios remontam a um período de 1500 anos entre o final do Neolítico (há cerca de 5500 anos) e até ao início da Idade do Bronze (há cerca de 4000 anos).

As recentes descobertas têm levado, ano após ano, a equipa de arqueólogos a concluir sobre a grande importância do local, sendo os Perdigões o sítio arqueológico que está há mais tempo a ser estudado sem interrupções em Portugal.

As investigações em curso estão a cargo do Núcleo de Investigação Arqueológica da ERA Arqueologia e são financiadas pelo Esporão, pela ERA e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Texto de Ângela Nobre
Foto da Herdade do Esporão de FM

Deixar uma resposta