Portugal Ao Vivo 2013 Deu Para Matar Saudades E Recordar A Juventude

Reportagem de Elsa Furtado (Texto) e Francisco Padrão Mota (fotos)

20 anos passaram desde a primeira edição do primeiro festival dedicado à música e bandas portuguesas. Muita coisa mudou e o país também. Agora os festivais são mais que muitos e os concertos dos grandes nomes internacionais já não são uma raridade, mesmo assim, há bandas que movem multidões e aquecem a alma lusa, e nesta edição do Portugal ao Vivo viu-se isso.

Dos dois dias do festival (sexta-feira e sábado), o segundo dia foi o mais concorrido,  talvez por ser dia de descanso e atuarem  algumas das bandas que os portugueses mais gostam ajudou à festa, que desta vez teve lugar no Estádio do Restelo em Lisboa.

Tal como há 20 anos, foi ver grande parte do publico vir direto da praia para o Festival, também foi agradável ver gente de todas as idades, pares de namorados e famílias a assistir aos concertos, dando assim provas que este é e foi um evento transversal às varias gerações.

Como já era de esperar, os Xutos & Pontapés e os Resistências foram as bandas mais aplaudidas e com mais publico a assistir, mas mesmo assim todas as bandas tiveram os seus momentos especiais.   No primeiro dia, o destaque foi para os concertos dos Deolinda e de Pedro Abrunhosa & Comité Caviar, que puseram o público a cantar e a dançar.

Embora a abertura de portas tenha sido pelas 18h00, o público foi chegando aos pouquinhos e ao longo da noite.   A abrir as hostes deste 1º dia de Portugal ao Vivo esteve o jovem Miguel Araújo, que interpretou  alguns dos temas do seu álbum Cinco Dias e Meio, como “Sete Passos (Carolina)”, “Capitão Fantástico”, o sucesso “Os Maridos das Outras”, “Fizz Limão”, “Vocês Sabem Lá”, “Reader’s Digest”, e a novidade “Cartório”.

No relvado algumas fãs mais atentas pediam a Zé Pedro (dos Xutos) para tirar uma foto para a posteridade.   Depois da atuação do cantor do Porto, foi tempo de dar uma volta ao recinto, especialmente até à área da Solidarea, onde estavam algumas organizações de solidariedade, como a Zero Desperdício, entre outras.

Ainda estava de dia, quando os Wraygun de Paulo Furtado subiram ao palco. Com eles trouxeram os temas “Ain’t Gonna Break my Soul”, “She’s a Go Go Dancer”, “Don’t You Wanna Dance” e “Drunk of Stoned”, entre outros, numa atuação que contou com a participação de Zé Pedro.

E depois de uma tentativa de por o público a dançar, foi com os Deolinda e o seu ritmo alegre e popular que se começaram a dar alguns pezinhos de dança, entre palmas e coro nas canções mais conhecidas.   “Não Tenho Mais razões”, “Seja Agora”, “Patinho de Borracha”, “Fado Toninho”, “Doidos”, “Movimento Perpétuo Associativo” e a terminar “Musiquinha”, foram alguns dos temas pela voz de Ana Bacalhau, que fizeram as delícias do público presente.

Seguiu-se outra grande voz feminina desta nova geração, Sónia Tavares e os seus The Gift, interpretaram alguns dos seus sucessos mais conhecidos como “RGB”, “Do You Want Something Simple”, e os êxitos (em português) “ Primavera” e “Fácil de Entender” que contaram com a companhia do público.

A fechar com chave de ouro o primeiro dia esteve Pedro Abrunhosa & Comité Caviar, que embalou e animou os presentes até cerca das 2h15.  Entre os temas interpretados destacaram-se “Viagens”, “Não Posso Mais”, “Pontes Entre Nós”, “O Rei do Bairro Alto”, “Socorro”, “Tudo o Que Eu Te Dou”, entre outras, num concerto que deu direito aos fotógrafos presentes a subirem ao palco.

No sábado, as portas do recinto abriram mais cedo (pela 16h30). A primeira banda da noite estava prevista para perto das 19h00, e foi à hora prevista que os Sétima Legião e a sua animação subiram ao palco, com “O Baile (das Sete Partidas)”, seguido de “Noutro Lugar” e “Sete Mares”, que tiveram direito a coro por parte do público (num recinto que se via já mais composto que no dia anterior). Seguiram-se outros sucessos como “A Partida”, “Por Quem Não Esqueci”, e “Glória”, terminando assim uma atuação muito animada e aplaudida.

Num registo completamente diferente foi certamente a atuação dos Madredeus,  com Beatriz Nunes na voz. Entre a assistência ouviam-se alguns comentários à voz da jovem: “Não é uma Teresa Salgueiro, não senhora, mas até tem uma boa voz sim senhora, e canta muito bem”, e foi neste contexto, com o público sentado na relva e nas bancadas, que se ouviram os conhecidos “Paraíso”, “Haja o Que Houver”, “A Sombra”, “A Vaca de Fogo”, “O Pastor” e “Palpitação”.

Já era noite cerrada, cerca da das 21h30, quando os GNR e Rui Reininho surgiram em palco, com “Sete Naves”, seguido do animado “Sexta-feira”, “Efectivamente”, “Morte ao Sol”, o emblemático “Pronúncia do Norte”, o icónico “Dunas”, entre outros temas conhecidos e a terminar “Quero Que Vá Tudo Pro Inferno”, deixando o público muito animado e embalado para o resto da noite, que prometia ser ainda maior.

23h13 (mais segundo menos segundo) e eis que se ouvem os primeiros acordes de “Nasce Selvagem”, envoltos em escuridão, no céu a lua cheia dava mote, para uma atuação emblemática dos Resistência – 20 anos depois. Segundos depois, a luz surge e deixa ver “alinhados” Pedro Ayres Magalhães, Fernando Cunha, Tim, Pedro Jóia, Alexandre Frazão, Dudas, Fernando Júdice, Mário Delgado, José Salgueiro,  Miguel Ângelo e Olavo Bilac.   Na hora seguinte surgiram temas conhecidos de todos como “Fado”, “Amanhã é Sempre Longe Demais”, “A Noite”, “Marcha dos Desalinhados”, “Naquele Inverno”, “Chamaram-me Cigano”, “Um Lugar ao Sol”, “Não Sou o Único”,  “Voz – Amália-de-Nós”, que contaram sempre com o coro do público. A terminar, o simbólico “Timor” e como já vem sendo hábito nos concertos do grupo – a bandeira portuguesa em palco.

20 anos passaram, 2 dias repletos de música portuguesa e eis que chega a hora do encerramento, como não podia deixar de ser, os Xutos & Pontapés foram a banda escolhida para fechar as hostes. São eles uma das bandas preferidas dos portugueses, facto comprovado pelas inúmeras t-shirts e cartazes que se vêm ao longo do recinto, pelos gritos, e aplausos que se ouvem mal a banda sobe a palco.   O alinhamento já é familiar dos fãs, mesmo assim, não deixa de surpreender e agradar. Começa com “Chuva Dissolvente”, seguido de um “Boa Noite Portugal ao Vivo, aqui Xutos & Pontapés” dito por Tim, que gerou uma reação bastante efusiva por parte do público.   Seguem-se “Circo de Feras” e “Contentores” e a “loucura” instala-se no relvado, continua com “Jogo do Empurra” e “Quem é Quem”.

A música seguinte é uma novidade “Cordas e Correntes”, tal como “Privacidade”, muito aplaudidas e bem recebidas pelos fãs. Ouvem-se ainda “Perfeito Vazio”,  “Tonto”, “Dia de S. Receber”, “Ai Se Ele Cai”, e “À Minha Maneira”.   Depois é e vez de Tim se dirigir ao público e dizer: “Porque é que não há um festival destes todos os anos? Bem, só depende de vocês, nós cá estamos e outros como nós também”, num claro incentivo ao apoio à música portuguesa, recebido entre fortes aplausos pelo público.   A terminar, “Homem do Leme” e “Para Ti Maria”, para o encore ficaram guardados “Submissão”, “Não Sou o Único” e a eterna “Minha Casinha”, sempre na companhia do público, entre coros, gritos e aplausos. Na despedida, um obrigado sentido de Zé Pedro, Tim, Kalú, Gui e Zé Cabeleira, que agradeceram o carinho e o apoio do público.

Um final em grande, para um grande festival, produzido pela Lemon e que tal como Tim disse, esperemos que se repita para o ano … e viva Portugal!

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