Por Terras do Endovélico – é a mais recente proposta da Câmara do Alandroal

“Por Terras do Endovélico” é a mais recente proposta do Município de Alandroal, no Alto Alentejo, que decorreu pela primeira vez esta semana, de 19 a 27 de Junho, tendo o ponto alto da iniciativa decorrido no passado dia 19, por ocasião do Solstício de Verão, uma das principais datas do culto do Endovélico.

A iniciativa tem por base o legado histórico e arqueológico existente no região, sobre este Deus dos Lusitanos, que foi também adorado e venerado pelos romanos.

O Endovélico é uma divindade da Idade do Ferro venerada na Lusitânia pré-romana, era o Deus da Medicina e da segurança, o seu nome às vezes surge com algumas variantes, como Endovelicus, Endovellicus, Indovelicus, ou Enobolicus, que tinha um carácter simultaneamente solar e ctónico.

Depois da invasão romana, o seu culto espalhou-se pela maioria do Império Romano, subsistindo por meio da sua identificação com Esculápio ou Asclépio, mas manteve-se sempre mais popular na Península Ibérica, especialmente nas províncias romanas da Lusitânia e Bética, até ao século V, altura em que o cristianismo se espalhou na região.

O templo de São Miguel da Mota, em Terena, no Alandroal, é dos poucos locais cujos vestígios chegaram até aos dias de hoje. Actualmente ainda é possível observar um conjunto de inscrições latinas e um conjunto de estatuária nas proximidades, e que podem ainda ser observados.

A par da riqueza patrimonial e arqueológica, o local é também considerado um dos mais bonitos e mágicos da região, sendo ainda alvo de peregrinações das religiões neo-pagãs, como a que ocorreu no último solstício de Verão.

Durante esta primeira edição decorreram vários eventos culturais, desportivos e de lazer, como música celta e cinema, palestras sobre a temática e ainda uma mostra gastronómica em que se destacaram algumas receitas e ingredientes da época, porco preto e javali.

Paralelamente a estas acções foi também possível realizar percursos pedestres por alguns dos locais que integravam a rota da antiga peregrinação pré-clássica e acompanhar o trabalho dos arqueólogos, em locais como a Rocha da Mina e o Santuário de São Miguel da Mota.

Para enriquecer a iniciativa, algumas das unidades hoteleiras da região juntaram-se a esta iniciativa ao oferecer descontos no alojamento aos visitantes que pernoitaram na região durante este período.

Por Elsa Furtado

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