Pedro Abrunhosa surge renovado com “Longe” ao lado dos Comité Caviar

O álbum Longe de Pedro Abrunhosa, que foi posto hoje, dia 12, à venda, reflecte um som mais rock com acentuada presença das guitarras, com a chancela da Universal. Em entrevista ao C&H o cantor confessou que fez o “pleno 360º”, o que torna “redundante” definir este disco como “diferente”. Por isso aconselha: “O melhor é ouvir”.

Neste álbum tudo mudou. Mudou o grupo – o cantor é agora acompanhado pelos Comité Caviar –, mudou a formação, mudaram as condições de gravação e mudaram os técnicos. Outra novidade é que neste álbum, o cantor e campositor acumula as funções com a de co-produtor, tarefa que partilha com João Bessa.

O que não mudou foi a ironia e o sarcasmo presentes, que se deve ao facto de, segundo Pedro Abrunhosa, Portugal ser um país muito criativo neste aspecto, “porque é um país que é facilmente colocável em arquétipo”. “Acho que todos os países são assim, há arquétipos que funcionam bem: arquétipos sociais, pessoas, tipos humanos, retratos que são um pouco um bocadinho de nós todos”, explica o cantautor.

Para Pedro Abrunhosa, “o humor, a ironia e o sarcasmo é uma forma de escrever, de se fazer rock, o que a mim me agrada. Não no sentido da piada, mas no sentido da metáfora… gosto dessa metáfora, de falar da realidade de uma forma bastante directa e crua e que as pessoas entendem imediatamente, por ser uma questão de referir-me a assuntos, a pessoas e a situações”.

Há semelhança do álbum Viagens, em que Pedro Abrunhosa usou expressões como cimbalino, a Indústria – que era uma discoteca no Porto – ou o Magestic, neste novo trabalho também existe esse universo: ” muito prático, muito palpável e é por isso que tem piada, porque remete imediatamente para o universo das pessoas”, revela.

“Fazer o que Ainda Não Foi Feito” é uma das músicas que faz parte deste novo álbum, uma expressão que aliás se encaixa perfeitamente em Pedro Abrunhosa, que considera que ainda “está tudo por fazer”. “Quando fazemos uma travessia no deserto ou quando estamos numa floresta, há duas opções: olhar para trás e ficar a contemplar o que já se fez ou então olhar para a frente e ver o que ainda há para fazer. Eu opto, sem pensar duas vezes, pela segunda opção, que é olhar para o futuro.

Nada de revivalismos”, defende o cantor. Perante esta visão, Pedro Abrunhosa garante que apenas se lembra “vagamente” dos discos que já fez e que não se interessa “minimamente” por revisitá-los. “Depois deste disco todos os outros que estão na minha cabeça sairão, até porque há um deles que já está a ser feito neste momento”, adianta.

Preferindo não descrever o álbum Longe como auto-biográfico, Pedro Abrunhosa explica que nenhum dos seus anteriores trabalhos falam de si, “mas falam do Mundo que naquele tempo me ocupou, das notícias que vi, os livros que li… tudo isso sou eu. Mas falam dos outros também”. Apesar de haverem histórias contadas na primeira pessoa, o cantor esclarece que apesar de serem sobre ele, “também são sobre as personagens que estão nos meus discos e que ditam as suas próprias aventuras”.

Longe surge “num momento particular de renascimento, em que sacudo todo o ranço e sarro. Estou a viver o refundo da minha própria identidade, um momento brilhante da minha vida, conseguido do zero e no qual volto a provar a mim mesmo que sou capaz de regressar às raízes”.

No próximo dia 2 de Maio, a Casa da Música, no Porto, vai assistir ao lançamento deste novo trabalho de Pedro Abrunhosa. O cantor, que prefere ser conhecido como “aquele que escreve aquilo que canta”, deixa o apelo: “façam o favor de se meterem dentro dos carros, dos comboios e dos autocarros porque nós – os do Porto – fazemos sempre isso para vir a Lisboa ver os espectáculos. Vai ser uma grande festa”.

Com uma agenda preenchida até  Novembro de 2011, a digressão de Longe vai andar pelas estradas portuguesas até 16 de Setembro, seguindo depois para o Brasil.

Texto de Cristina Alves
Fotos Sara Santos

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