Omara aqueceu os corações da Aula Magna Lisboeta


Faltavam 10 minutos para as 22 horas de ontem (quarta-feira), quando a rainha do Danzón começou o concerto, de forma simples e humilde, Omara Portuondo entrou no Palco da Aula Magna de Lisboa, a cantar a música que dá nome ao seu mais recente trabalho,
Gracias.

A sala de espectáculos lisboeta estava praticamente cheia, com fãs, amigos e admiradores, da voz feminina do Buena Vista Social Club, que durante quase duas horas, puderam assistir a uma verdadeira lição de vida e profissionalismo, por uma artista de 78 anos, com 60 anos de carreira, que ainda mantém uma voz suave e melodiosa, como nos primeiros tempos.

Este concerto, tão diferente do concerto que deu em Lisboa, no Coliseu em 2001, teve um carácter mais intimista, mais melodioso, em que as influências do jazz e do blues se misturaram de forma harmoniosa com os ritmos de Cuba.

Em palco, Omara esteve acompanhada de um grupo de excelentes e jovens músicos, Swami Jr. – guitarrista e director musical, Harold López Nussa no piano, Felipe Cabrera no contrabaixo, Andrés Coayo e Rodney Yllarza Barreto nas percussões.

Juntos cantaram “Yo Ví”, “Adiós felicidad”, “Flor da Terra”, “Vuela Pena”, “Cuento para un Niño”, “Ámame Como Soy”, “Tú Mi Desengaño”, “Cachita”, “Rabo de Nube”, “Gracias”, “Nuestro Gran Amor”, “Lo Que Me Queda por Vivir” e “Drume Negrita” , do novo trabalho e ainda alguns êxitos antigos como “Por Amor”, “O Que Será, Que Será”, de Chico Buarque, entre outros temas de compositores latinos.

Mas depois de Omara ter encantado com a sua voz e o seu vigor, ter dado uns passinhos de dança, o grande momento da noite estava reservado para o fim com “Guantanamera”, nele o público levantou-se, cantou, dançou e acompanhou a diva com palmas, um momento em grande.

No encore, “Besame Mucho” foi a canção escolhida para cantar com o público, além da inicial “Gracias”, mas foi em português e a revelar um grande sentido de humor que Omara se despediu, a cantar os versos “É uma casa portuguesa com certeza, é uma casa portuguesa…”.

Versos de um fado imortalizado por Amália, que a artista Cubana confessou numa recente entrevista à SIC, “admirar muito e ter uma imensa pena de não ter conhecido pessoalmente”.

Uma noite quente e emocionante para a alma e para o sentir, como só certos artistas conseguem, que terminou com “Gracias, Gracias, Gracias e Obrigado“.

Aqui deixamos um vídeo, de um momento parecido com o final da Aula Magna, “Guantanamera”.

por Elsa Furtado

Deixar uma resposta