O fado de Miguel Vieira, a dança Nuno Baltazar e a elegância de Nuno Gama marcam o terceiro dia do ModaLisboa Freedom

Entrando no terceiro dia de ModaLisboa Freedom, o mais preenchido em termos de desfiles, a primeira coleção a subir à passerelle não traz propostas de vestuário, mas sim de joias. Valentim Quaresma apresenta uma combinação de diversos materiais que vão ganhando forma e propagam-se como um “virús”, tema da coleção, que demonstra a originalidade do criador.

Os Burgueses, a dupla de criadores Eleutério e Mia, foram a primeira proposta do espaço Lab e apresentaram visuais casuais para o dia e para a noite onde a pele sintética preta e as fazendas cinza se ligam ao vermelho vivo que dá mais luz à coleção. Seguiu-se Daniel Dinis, com uma coleção de sportswear que mistura inspirações diversas que vão desde os monges Tibetanos, a jogadores de baseball e até vagabundos. Conjugando tecidos de produções anteriores o criador promove o conceito de reciclagem.

As propostas para a coleção de inverno 2013 de Maria Gambina assentam em peças oversized onde o contraste de cores, azul forte e vermelho, se destaca. Misturando materiais, que vão desde as malhas tricotadas à pele, os looks apresentados vivem de uma sobreposição de peças.

O estilista convidado da ModaLisboa Freedom, o polaco Piotr Drzal, traz-nos uma coleção maioritariamente masculina onde, mais uma vez, os tons metálicos, o vermelho e os azuis fortes, têm destaque sobre tons mais terra e neutros.

Miguel Vieira na sua coleção de inverno 2013 propôs-se vestir o fado, introduzindo-lhe o toque clássico, mas conferindo também uma contemporaneidade, em torno de materiais como o cetim, o veludo, pelos e lantejoulas. Muito assente no preto e nos dourados, as propostas que chegaram à passerelle enaltecem a elegância tanto feminina como masculina.

O universo da Pina Bausche e a música de Gershwin inspiraram Nuno Baltazar numa “coleção pensada a nível de desenho de movimento, interceções de drapeados e de franzidos e efeitos”. A fluidez de algumas das peças contrasta com alguns pormenores mais masculinos, numa palete de onde se destacam os vermelhos, os laranjas, os tons terra ocre e barro.

A fechar o dia, o oitavo, e último desfile pertenceu a Nuno Gama que mostrou uma coleção onde os detalhes de cada peça refletem uma linguagem luxuosa, com cortes tradicionais que aqui refletem uma linguagem urbana dos novos gentlemen. E com materiais de acabamentos
técnicos misturados com a essência dos materiais naturais chegamos ao fim de mais um dia do ModaLisboa Freedom, na Praça do Município.

Texto de Vânia Marecos
Fotos de Sara Santos

 

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