Novo Museu dos Coches já mexe

A primeira pedra do novo Museu Nacional dos Coches foi lançada esta segunda-feira, quase um ano e meio depois do projecto arquitectónico ter sido ter sido apresentado ao público, em Julho de 2008, numa cerimónia que contou com a presença do primeiro-ministro José Sócrates e da ministra da Cultura Gabriela Canavilhas.

O novo equipamento, que era para ser inaugurado por altura do Centenário da República, ainda não tem data de abertura prevista, uma vez que as obras estão a ser iniciadas agora, cerca de um ano mais tarde do que o previsto.

O projecto do novo edifício é da autoria do arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, com projecto museológico da autoria do arquitecto Nuno Sampaio e vai compreender uma área de exposições permanentes, área para exposições temporárias, oficinas de restauro visíveis ao público, uma área reservada para o serviço educativo e administração, uma sala de documentação e biblioteca, arquivo, um restaurante panorâmico, uma cafetaria, dois espaços para lojas com artigos do museu no piso térreo e um auditório.

Este museu, que se pretende ser um “Museu de Vanguarda”, como o caracterizou a sua directora, Silvana Bessone, “vai ter em exposição cerca de 76 viaturas do acervo do museu, ficando as restantes 44 viaturas, de caça e da região no núcleo de Vila Viçosa, e 10 carruagens do século XVIII no edifício do actual museu, do outro lado da rua”, adiantando ainda que, o restante espaço vai ser para receber e promover eventos de gala.

Peças como o “O Coche dos Oceanos”, restaurado por altura da Expo 98, a Berlinda de D. Maria I, uma liteira do século XVIII, a “Sege das Plumas” vão estar expostas no piso térreo do novo edifício, num contexto em que as suas cores e características artísticas vão estar em evidência e com mais espaço livre à sua volta.

O actual projecto tem poucas alterações face ao apresentado inicialmente, sendo a maior mudança, a eliminação do silo de estacionamento projectado por Paulo Mendes da Rocha.

O novo museu vai ter paredes brancas, blindadas, janelas grandes, estrutura quadrada e suspensa, vai ocupar uma área de cerca de 15.177 metros quadrados de área total, dos quais 11.800 metros quadrados estão destinados à área expositiva e o restante para oficinas de manutenção e conservação das peças, numa tentativa também de preservar as profissões ligadas às carruagens, como correeiros e que se encontram agora em extinção. As áreas administrativas, arquivo e serviço educativo vão também ficar nesta área.

“Outra das novidades vai ser a existência de dois percursos de visita, que incluem os dois espaços, com tempos diferentes de duração de visita, de forma a corresponder às necessidades dos operadores turísticos”, revelou ainda a responsável na apresentação que teve lugar ontem, nas antigas Oficinas Gerais do Exército, em Belém.

Este novo equipamento pretende-se que seja um exemplo do avanço tecnológico e também um gerador de desenvolvimento económico para o país.

Nas palavras da Ministra da Cultura Gabriela Canavilhas, este novo museu “vai fazer a ponte entre o passado e o futuro, com novas linguagens museológicas e vai reflectir a visão cosmopolita que “nós” pretendemos estender aos nossos espaços museológicos”.

A responsável da pasta da Cultura afirmou ainda que, “Pretende-se também com este equipamento tirar toda a potencialidade museológica e turística da zona de Belém, que juntamente com o Museu de Arte Popular e o novo Museu de Arqueologia na Cordoaria vão ser exemplos do conceito de transversalidade, entre o Turismo e a Cultura”, concluindo afirmando que “A Cultura deve muito ao Turismo, mas também é um empréstimo, porque queremos incentivar ao Turismo Cultural no futuro”.

O novo museu vai integrar o novo circuito museológico ribeirinho de Belém, que inclui ainda o Museu de Arte Popular, um Picadeiro com espectáculos pela Escola Portuguesa de Arte Equestre (actualmente no Palácio de Queluz), o novo Museu de Arqueologia na Cordoaria e ainda o Palácio da Ajuda, a juntar ao Mosteiro dos Jerónimos, Museu da Marinha, Museu da Presidência, Museu de Etnologia, CCB, Padrão dos Descobrimentos e Torre de Belém.

O Museu Nacional Dos Coches foi inaugurado em 1905, pela então rainha D. Amélia de Orléans, com o objectivo de reunir e preservar o “conjunto de viaturas de gala e equipagens pertencentes à Casa Real Portuguesa” dispersas por várias localizações e é actualmente o museu português mais visitado, com 90% de visitantes estrangeiros e têm uma das melhores colecções do género, de todo o mundo.

Texto e Fotos de Elsa Furtado

1 Comentário

  1. O que me parece absurdo é que um novo museu dos coches necessitaria de também deslocar toda a envolvente do museu actual. Ou seja o que nos deslumbra nesse pequeno museu que tantos visitantes atrai, é todo o fausto que envolve os coches, toda a representação de uma época que traduz vivências de pessoas que conduziram os destinos deste país.
    Ao colocarmos os coches num ambiente frio e impessoal, eles perdem a sua alma, tornam-se simples objectos sem sentido, deslocados no meio de um ambiente estranho que corresponde à arquitectura das décadas actuais e que agora se repete por várias regiões e países (o que quero dizer é que os arquitectos actuais copiam os projectos uns dos outros e acabam por fazer esse tipo de “ caixas” com maior ou menor dimensão). Os coches por si só não serão grandes inspiradores do imaginário colectivo, resumem-se a meros meios de transporte, alguns com algum luxo, mais nada. Não lhes associamos o génio de um pintor, de um compositor ou de um escultor, ou a obra universal de um povo.
    Sem negar a mais-valia que terá Lisboa com a nova zona reabilitada, na minha opinião o novo edifício seria muito mais dignificado servindo de abrigo para o recheio do tipo que encontramos no museu de arte antiga ou no museu de arqueologia onde as peças ganham relevo quando colocadas em ambientes sem grande decoro, como todas as peças que consideramos intemporais.

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