Museu Nacional De Arte Antiga Apresenta Mostra Madonna – Tesouros Dos Museus Do Vaticano

Por Elsa Furtado (Texto e Fotos)

Maria – a mãe de Jesus, a mãe de todos os católicos é a figura iconográfica e religiosa que serviu de inspiração para a exposição Madonna – Tesouros dos Museus do Vaticano, que abre hoje ao público no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa. A mostra reúne mais de sete dezenas de obras sobre a Virgem, realizadas entre os séculos XIV a XVIII, pertença da colecção dos Museus do Vaticano, museus italianos, MNAA e colecções privadas.

Comissariada pelo dr. José Alberto Seabra de Carvalho – diretor-adjunto do MNAA e por Alessandra Rodolfo dos Museus do Vaticano, a exposição está dividida em 8 núcleos, e reúne obras, na sua maioria pinturas, de autores italianos e não só, desde o século III até uma de Marc Chagall de 1943 – O Crucifixo (entre Deus e o Diabo), ao longo das quais mostra a evolução e a forma de ver Maria e o culto Mariano, não só como ícone religioso, mas também como símbolo Cultural, a história do Culto a Maria, e Musa de grandes artistas

Ela é Mãe, Mulher, bela, humana e “Deusa”, sagrada e imortal, ela inspira acções, artistas e a História – ela é “Maria a Madonna“, que não deixa ninguém indiferente, seja crente ou não.

Ao longo das várias salas da galeria (composta por um encadeamento de salas do lado direito e outra sozinha ao pé da biblioteca no lado esquerdo), podemos observar cerca de 73 obras, entre pintura, escultura, tapeçarias, desenhos e códices provenientes da colecção dos Museus do Vaticano, mas também da Galleria Corsini, da Galleria Borghese em Roma, e de algumas colecções portuguesas, como do MNAA, Museu de Évora ou Fundação Casa de Bragança.

Entre os artistas aqui representados, destaque para as obras de Fra Angelico,Taddeo di Bartolo, Sano di Pietro, Tintoretto, Crespini, Vitale da Bologna, Rafael, Pietro da Cortona, Sassoferrato, Venusti, Salviati, Orazio Gentilesch, Pinturichio, Federico Barocci, Caravaggio, Gentile da Fabriano, Lippo Memmi Barocci, Sebastiano Conca, Pompeo Batoni, Giuseppe Maria Crespi, Francesco Mancini,Van Dyck, Marc Chagall, e até de um português: Álvaro Pires de Évora (pintor do século XV que estudou e viveu em Itália), e tapeçarias flamengas.

A mostra começa com dois fragmentos datada do século III, (muito antes do culto de Maria ser oficial, algo que só viria a acontecer no século V), provenientes de sarcófagos de crianças. Um representa a visita dos Reis Magos ao Menino Jesus e no outro pode -se ver um presépio com um burro, um menino enfaixado e a mãe ao lado, com um telheiro por cima deles, que se encontram na temática “Da Antiguidade aos Nossos dias. Um Culto e As Suas Imagens”.

A segunda sala é dedicada a “Bolonha, Siena e Florença. O triunfo da Madonna na pintura dos séculos XIV e XV” – é aqui que se encontra a obra de Álvaro Pires de Évora – um Retrato da Virgem com o Menino. Destaque ainda nesta sala para uma réplica da Pietà, de Miguel Ângelo, cujo original se encontra na Basílica de S. Pedro, no Vaticano e para pinturas de Rafael.

A visita segue para as sala dedicadas ao “Maneirismo e Miste?rios do Rosa?rio”; e ao Barroco – “Barocci, Van Dyck e alguns outros”; depois “O Novo Triunfo da Madonna”; “Sumptuosas Tapec?arias Papais”; “Imagens de Maria”.

Termina na sala do outro lado do hall, apenas com 20 obras que se encontram em Portugal – “Imagens de Maria – Obras Italianas em Coleções Portuguesas”, onde se destaca A Adoração dos Magos de Jacopo e Domenico Tintoretto, (c. 1580-1590), da colecção do Mosteiro de São Bento de Singeverga, em Roriz – Santo Tirso; e um pequeno esboço de Leonardo da Vinci, da coleção da Faculdade de Belas Artes da Universidade Porto, e que mostra uma rapariga lavando os pés a uma criança, e que é a única obra do mestre italiano que se conhece em Portugal.

De referir ainda que é a primeira vez que Maria é assim apresentada, nomeadamente do ponto de vista cronológico e que alguns obras, são aqui expostas ao público pela primeira vez.

A exposição é produzida pelo MNAA e co-produzida pelo Grupo de Amigos (que também apoiou a mostra financeiramente), e é o primeiro ato de mecenato cultural realizado em conjunto pela Fundac?a?o Banca?ria “la Caixa” e pelo BPI com o MNAA, que assinala também com esta mostra a parceria com os Museus do Vaticano.

Madonna – Tesouros dos Museus do Vaticano foi pensada para esta altura para coincidir com o Centenário das Aparições de Fátima, e no âmbito da importância do Culto Mariano em Portugal e pode ser vista até dia 10 de setembro, na Sala de Exposições Temporárias do MNAA, às Janelas Verdes, de terça feira a domingo, das 10h00 às 18h00. Os bilhetes estão à venda no local e custam 5 euros, o bilhete para o Museu e a exposição custa 10 euros.