MOTELx aterroriza a capital a partir de hoje e até 16 de Setembro

Por Sara Peralta

O MOTELx – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, volta a invadir o Cinema São Jorge com a sua assombrosa programação, nesta 6ª edição a decorrer entre 12 e 16 de setembro, que conta com 52 filmes e Dario Argento como convidado de honra. As honras de abertura estão a cargo do filme [REC] 3 GÉNESIS, de Paco Plaza, às 21h45, na Sala Manoel de Oliveira.

“Das grandes produções ao cinema independente, do clássico raro ao experimental, do culto às novas tendências”, o MOTELx traz-nos mais uma vez as obras que mais têm dado que falar no universo do Terror, não esquecendo as já clássicas ou de culto, e deliciando os fãs do género. São cinco dias repletos do melhor que o cinema de terror tem para oferecer, havendo obras com estéticas díspares e horrores para todos os paladares, e ainda conferências, masterclasses, sessões de Q&A e jogos de terror.

Para o Prémio MOTELx – Melhor Curta de Terror Portuguesa estão nomeadas 10 curtas-metragens de produção ou co-produção nacional, e o Júri é constituído pelos músicos e cineastas Filipe Melo e Paulo Furtado e pelo realizador Pål Sletaune. Procurando incentivar e promover o cinema de terror português, a única secção competitiva do festival mostra-nos recentes obras nacionais e concede ao vencedor um prémio monetário, serviços de pós-produção, um voucher de formação, um fim-de-semana de inspiração num hotel, e ainda o Méliès d’Argent, tornando o filme candidato ao Méliès d’Or para Melhor Curta-Metragem Europeia (competição da Federação Europeia dos Festivais de Cinema Fantástico). Ainda no domínio das curtas-metragens, serão exibidas 17 curtas internacionais.

Na secção Japão Retro homenageia-se Nobuo Nakagawa, apelidado por vezes de pai do cinema de terror japonês, por ser associado à transição, no cinema nipónico, “dos esquemas formais dos filmes de fantasmas clássicos para o terror mais gráfico, apoiado por efeitos visuais e cénicos”. Tendo exibido Jigoku há dois anos, este ano o festival exibe Black Cat Mansion (1958), Ghost Story of Yotsuya (1959) e The Living Koheiji (1982), dando mostras da influência incontornável do autor.

A secção Quarto Perdido (“dedicada aos tesouros do cinema de género feito em Portugal que o MOTELx tem vindo a desenterrar”) apresenta dois filmes de realizadores estrangeiros consagrados mas de um produtor português e com Sintra como pano de fundo. O Território é fruto da primeira colaboração de Paulo Branco com Raoul Ruiz, inspirado na história da equipa de rugby do Uruguai cujo avião se despenhou nos Andes em 1972, obrigando os sobreviventes a alimentarem-se dos cadáveres das vítimas. Wim Wenders, na altura namorado de uma das actrizes, após ver as rushes do filme, propôs a Paulo Branco outra produção com a mesma equipa artística e técnica e o mesmo cenário (Sintra): O Estado das Coisas.

A secção Culto dos Mestres Vivos homenageia um dos maiores mestres europeus e que celebrizou o sub-género giallo, Dario Argento, que dará no último dia do festival uma imperdível masterclass. Em L’uccello dalle Piume di Cristallo, Argento apropriou-se do estilo giallo lançado por Mario Bava conduzindo-o a outros níveis, com primazia dada à estilização da violência gráfica. Seguiu a desafiar as convenções do género e a aprimorar o seu estilo, trazendo-nos por exemplo o aclamado Suspiria (da trilogia As Três Mães seguido por Inferno e La Terza madre) ou Phenomena. Deste realizador, argumentista e produtor, o MOTELx apresenta-nos os filmes da trilogia referida bem como Profondo Rosso e Dèmoni (realizado por Lamberto Bava).

Como habitual, a secção Serviço de Quarto traz-nos mais que uma mão-cheia das melhores e mais recentes obras de terror: 27 filmes em estreia nacional oriundos dos mais diversos países.

Dois dos maiores acólitos do mestre Argento, Julien Maury e Alexandre Bustillo, trazem-nos o seu mais recente Livid, de Paco Plaza chega-nos [REC]3: Génesis, e Pascal Laugier, autor do polémico Martyrs, apresenta The Tall Man, com Jessica Biel. Kevin Smith, conhecido na comédia, faz a sua primeira incursão no terror com Red State (Grande Prémio em Sitges 2011), Jonathan Zarantonello estreia-se com The Butterfly Room, que tem como protagonista a diva do terror europeu Barbara Steele, entre outras rainhas de gritos, e Nicholas McCarthy traz-nos a sua primeira longa-metragem, The Pact, “que evoca clássicos como Psycho ou Suspiria, recordando o tempo em que um bom argumento, boas interpretações e tensão em vez de sustos imperavam no género”.

Do novo cinema de terror independente norteamericano temos American Mary das gémeas Soska, V/H/S, que “junta alguns dos melhores novos cineastas de terror norte-americanos, numa antologia que explora todas as possibilidades do subgénero found footage celebrizado por The Blair Witch Project ou Paranormal Activity”, Excision ou Midnight Son.

Do continente asiático chega-nos a acção ultra-violenta do filme de “survival horror” The Raid: Redemption, The Yellow Sea, “thriller coreano que se transforma numa espécie de monster film”, Revenge: a Love Story, que “mistura drama e violência extrema, dando lugar a um realismo negro”, Invasion of Alien Bikini (de Oh Yeong-du, vencedor do Grande Prémio em Yubari 2011), mistura de acção, terror e comédia, Red Tears, descrito como hiper-violento, Laddaland, sucesso de bilheteiras, e ainda uma animação, King of Pigs.

Não faltam claro as comédias grotescas, com Father’s Day, ou Inbred, homenagem às comédias gore anárquicas dos anos 80, “alternando momentos de asfixiante tensão com humor puramente britânico”, e há ainda um documentário sobre Roger Corman, Corman’s World: Exploits of a Hollywoood Rebel.

Haverá mais uma vez a Noite de Jogos de Terror, “evento dedicado ao mundo dos jogos de tabuleiro, sempre com o terror como pano de fundo”, e pela primeira vez, uma Tarde de Jogos (Pouco) Assustadores, destinada às crianças e às suas famílias.

Ainda nas actividades paralelas, terão lugar várias masterclasses e alguns eventos resultantes de uma parceria com a Odd School. Filipe Melo, criador de I’ll See You in My Dreams, explica tudo o que se passou atrás das câmaras de Lickanthrope (videoclip de Moonspell), o escritor David Soares apresenta a sua mais recente aventura literária, o colectivo Clones, criadores de Papá Wrestling e Banana Motherfucker, apresenta uma masterclass cheia de surpresas e muito sangue, e o episódio-piloto Capitão Falcão será dissecado pelo seu criador João Leitão, que “mostrará tudo o que está para lá do culto do mais famoso super-herói fascista português de todos os tempos”.

Além de Dario Argento e dos nomes nacionais acima referidos, a 6ª edição do MOTELx recebe também os franceses Julien Maury (Inside, Livid) e Pascal Laugier (Martyrs, The Tall Man), o norueguês Pål Sletaune (Babycall), o britânico Alex Chandon (Inbred) e o italiano Jonathan Zarantonello (The Butterfly Room).

Cada sessão tem um preço de 3,5€ ou 3€ (menores de 25 e maiores de 65), exceptuando as Curtas ao almoço em que o preço é de 1,5€, e a sessão dupla Quarto Perdido com uma Q&A com Paulo Branco, que terá o custo de 5€. Um conjunto de 5 bilhetes (para diferentes sessões) custa 12,5€. Mais informações no site oficial.

De 12 a 16 de setembro, o MOTELx assombra o Cinema São Jorge em Lisboa: a não perder para os fãs que desejam mergulhar mais fundo neste submundo do Terror e para todos os curiosos com vontade de o descobrir.

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