MOTELx assombra Lisboa a partir de 29 de Setembro

O MOTELx regressa a um restaurado Cinema São Jorge para a sua assombrosa 4ª edição, a arrancar dia 29 de Setembro. Com mais de 60 filmes de quatro continentes diferentes – 34 longas-metragens (das quais 24 são inéditas em Portugal) e 31 curtas-metragens (12 de produção nacional), é um evento a não perder para todos os amantes do género, cinéfilos e curiosos.

O Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa é um palco de descoberta do Universo do Terror, para um público sedento de novos filmes, autores e experiências. Do gore ao terror psicológico, dos monster movies aos thrillers, do terror “real” ao sobrenatural, e com produções de todos os orçamentos, o MOTELx traz-nos uma selecção dos filmes que mais entusiasmo têm gerado nos últimos tempos a nível internacional, bem como algumas obras clássicas e de culto.


Até 3 de Outubro pode aqui assistir-se a uma selecção de filmes inéditos em Portugal e a curtas nacionais que competem pelo único Prémio de Curtas de Terror Portuguesas existente. Proporciona-se ainda a oportunidade de conhecer alguns realizadores e de participar numa masterclass de um verdadeiro mestre do género.

Esta edição será marcada pela presença de um mestre dos zombies, GEORGE A. ROMERO, como convidado de honra. O lendário realizador de culto (autor do incontornável Night of the Living Dead) estará presente durante todo o festival, onde irá apresentar a sua última obra Survival of the Dead (o mais recente capítulo da sua saga de zombies), inédita em Portugal, e dará uma masterclass aberta ao público.

Os menos conhecidos The Crazies (1973), Martin (1977) e Monkey Shines (1988), o filme de segmentos Creepshow (1982) escrito por Stephen King, o clássico dos mortos-vivos Land of the Dead (2005) e o novo Survival of the Dead (2009) são os filmes que integram a secção Culto dos Mestres Vivos, inteiramente dedicada a Romero.

Haverá também uma secção dedicada ao terror nipónico intitulada Japão Retro, com a exibição de Jigoku (1960) de Nobuo Nakagawa, Onibaba (1964) de Kaneto Shindô, e Hausu (1977) de Nobuhiko Obayashi, que ilustram o cinema de género japonês clássico. A selecção destes clássicos pretende contrariar ideias assentes no mais recente cinema popular, proporcionando um contraste entre o gore a que é actualmente associado o terror japonês, e as linguagens do terror de há várias décadas, que embelezam estas três obras de linguagens e estéticas muito diferentes.

A secção Serviço de Quarto oferece-nos as mais recentes e variadas obras de terror de vários países, com uma predominância do Reino Unido. O terror britânico tem criado o seu próprio “realismo social”, patente em Cherry Tree Lane onde um bando de marginais protagoniza uma história de terror urbana, em F com os seus bullies encapuçados que aterrorizam um grupo de professores – ambos parte do chamado “hoodie horror” – e em Tony, um serial-killer quase acidental dos subúrbios londrinos.

Mas este mal-estar social surge também no indiano Fired por entre o desespero paranóico de um director executivo, no sueco Corridor onde um estudante se vê atormentado pelos seus vizinhos, nos canadianos 5150 Elm’s Way,(onde os moradores do nº5150 escondem um terrível segredo) e The Wild Hunt (num role-playing medieval onde Erik entra para procurar a namorada, recusando-se a obedecer às regras e colocando fantasia e realidade numa mortífera rota de colisão), e mesmo na comédia norte-americana The Revenant, sobre uma peste que infecta recorrentemente a sociedade moderna, misturando diferentes mitologias associadas a zombies e vampiros, ficção científica e acção.

Da Tailândia emerge um regresso à temática do amor doentio, característica de várias cinematografias orientais, em Slice e Meat Grinder. As obras mais alternativas chegam-nos da Europa, com o belga experimental Amer, uma viagem caótica inspirada pela estética do giallo italiano e que despreza a narrativa convencional, e The Life and Death of a Porno Gang de uma nova vaga de cinema sérvio transgressivo.

Para emoções mais fortes temos The Loved Ones, filme-sensação do terror australiano, celebrado como um cruzamento entre Pretty in Pink e Wolf Creek, e o norte-americano Red, White & Blue. Para fãs de gore extremo chega a colaboração dos três maiores nomes do movimento japonês Pink Extreme: Noboru Iguchi, Yoshihiro Nishimura e Tak Sakaguchi, reunidos no explosivo Mutant Girls Squad, com humor barato e muito sangue. Juntando-se a este nas sessões de culto do final da noite temos o também japonês Alien vs Ninja com estranhas criaturas guerreiras, e um exemplo do género australiano Ozploitation, Primal, um monster movie que combina vários subgéneros do terror com uma mortífera lenda aborígene.

Nesta secção incluem-se ainda os filmes: Phobia 2 (Tailândia) que segue portanto o primeiro (mais conhecido como 4BIA, exibido na última edição do festival), reunindo 5 histórias diferentes, Triangle (Reino Unido/Austrália), onde a construção narrativa é equivalente a um quebra-cabeças e o título é alusivo ao Triângulo das Bermudas, Reykjavik Whale Watching Massacre (Islândia), que apresenta um cruzamento entre o original The Texas Chainsaw Massacre e o humor negro e sangrento de The Evil Dead, The House of the Devil (EUA) inspirado nos inúmeros relatos de cultos satânicos dos anos 80, Pandorum (EUA/Alemanha), passado numa nave espacial, e The Eclipse (Irlanda).

Centurion e The Descent de Neil Marshall são as últimas longas-metragens que permaneciam por anunciar.

Neil Marshall estará presente no MOTELx, bem como Axelle Carolyn (actriz de Centurion), Paul Andrew Williams (realizador de Cherry Tree Lane), Christopher Smith (realizador de Triangle), Gerard Jonhson (realizador de Tony), Peter Ferdinando (actor de Tony), Johannes Roberts (realizador de F), Josh Reed (realizador de Primal), e Hélène Cattet e Bruno Forzani (realizadores de Amer).

A secção competitiva dedica-se exclusivamente às CURTAS-METRAGENS NACIONAIS, e o Júri será composto por José Nascimento (realizador de Repórter X e Lobos), José de Matos Cruz (escritor e historiador) e Alan Jones (crítico e especialista em cinema de terror e actual co-director do FrightFest). O vencedor será anunciado na sessão de encerramento e receberá um prémio monetário de 2000€, e 5000€ em serviços de pós-produção na Media Recording.

Em competição estão Aquele que se esconde nas sombras de André Rebocho e Ágata Leonardo, Breu de Jerónimo Rocha, Bats in the Belfry de João Alves, Blarghaaahrgarg de Nuria Leon Bernardo, Consequências de Luís Ismael, Deserto de Dante de Chico Alice Peres, Nocturna de Francisco Carvalho, S.C.U.M. de José Pedro Rodrigues, Síndrome de Stendhal de Patrick Mendes, O tempo é um caracol com asas (co-produção espanhola e alemã) de Mário Gomes, Matze Schrecks e Karl G., O Tenente de Rafael Antunes Martins, e Those Happy Days, de Emanuel Nevado e Ricardo Almeida.

As CURTAS-METRAGENS INTERNACIONAIS presentes nesta edição são Actually, I’m a Superman (Coreia do Sul), Chloe & Attie (Canadá), Cowboy (Alemanha), Danse Macabre (Canadá), Demiurge Emesis (EUA), Deriva (Espanha), Deus Irae (Argentina), Do (França), Dracula’s Daughters vs Space Brains (EUA), Hansel & Gretel: The True Story (Macedónia) , Hymen (EUA), In the Night, in the Dark (Irlanda), Life. (Sérvia), Los que lloran solos (Espanha), Mortified (Reino Unido), Out of Our Minds (Canadá), Pido Perdon (Luxemburgo), Romance.38 (Brasil), e To Swallow a Toad (Letónia).

Cada sessão tem um preço de 3,5€, ou 3€ (menores de 25 e maiores de 65), excepto nas curtas ao almoço (sessões de curtas internacionais às 13h15) em que o preço é de 1,5€.
Um conjunto de 5 bilhetes (para diferentes sessões) custa 10€.

Organizado pelo CTLX – Cineclube de Terror de Lisboa, e em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa e a EGEAC, a 4ª edição do MOTELx realizar-se-á de 29 de Setembro a 3 de Outubro de 2010, no Cinema São Jorge.

Por Sara Peralta

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