MONSTRA abre hoje as portas ao público em Lisboa

A MONSTRA – Festival de Animação de Lisboa começa hoje e prolonga-se pelos próximos dez dias em vários espaços da Capital. Na sua edição comemorativa dos dez anos, que conta com a participação das maiores figuras da animação, nacionais e internacionais, o director artístico do Festival, Fernando Galrito, promete uma “retrospetiva profunda” do cinema português. A programação é extensa e transversal, indo do público mais novo aos estudantes de cinema.

Como Portugal é o país convidado, será hoje exibida, a partir das 21 horas, uma retrospectiva de curtas-metragens dos “incontornáveis” da animação portuguesa.

A MONSTRA começa hoje no Cinema São Jorge, com a estreia dos filmes portugueses Aedificandi, uma encomenda da direção do festival a cinco arquitetos que misturam animação, arquitectura, música e performance, coordenados por Miguel Matos, e Várzea, de José Xavier, a partir de um poema e música de Armando Servais Tiago.

Destaque ainda para a estreia, no sábado, de Mary & Max, filme do australiano Adam Elliot, que conta com as vozes de Eric Bana, Toni Collete e Philip Seymour Hoffman.

O cinema de animação de todos os países convidados das edições anteriores, como o Brasil, a Suíça, a Finlândia e a República Checa, será recordado em cada uma das noites do MONSTRA.

Este ano a competição é  dedicada às curtas metragens e, das cerca de mil obras a concurso, foram escolhidos 56 filmes de 30 países, entre os quais mais de uma dezena de Portugal.

Bill Plympton em Portugal

Paralelamente à projecção das animações, a MONSTRA investe todos os anos na formação do seu público. Figuras bem conhecidas, como o realizador norte-americano Bill Plympton e o compositor Normand Roger – ambos nomeados para vários Óscares – vão orientar masterclasses, entre muitos outros. Em Lisboa, Bill Plympton terá uma retrospetiva da sua obra – intitulada “Sex, dogs and violence” – e dará uma aula sobre cinema de animação.

O músico Nik Phelps, a realizadora checa Michaela Pavlatova e o realizador estónio Priit Parn são outros convidados da edição deste ano e a maioria dos workshops protagonizados por eles já está esgotada.

Na próxima semana, sempre às 18h00 no São Jorge, os realizadores convidados estarão  à conversa com o público.

O Museu da Marioneta ainda apresenta duas exposições relacionadas com a animação: até dia 18 deste mês é possível visitar “Desassossego”, de Lorenzo Degl’Innocenti, e até 21, “Um Mundo em Miniatura”, do realizador galego SAM.

Novidade este ano é a nova extensão do festival, que decorre a partir de amanhã a domingo na Gulbenkian. A MONSTRA irá exibir cinema de animação que se relaciona com a dança, incluindo um filme que o coreógrafo russo Alexander Shiryaev rodou três anos antes de Emile Cohl estrear “Fantasmagorie” (1908), considerado o primeiro filme da história da animação. Além do realizador russo, serão apresentadas quatro sessões de filmes de animação que tiveram a dança e a performance como tema.

Mais uma novidade na MONSTRA deste ano, são os Caminhos da Animação Portuguesa, discutidos no próximo sábado no Cinema São Jorge, na 2.ª edição do Encontro Nacional de Profissionais e Amigos da Animação.

Música, centenário da República e os mais novos

As dez noites do festival serão ocupadas ainda por encontros entre animação e música em tempo real, estando previstas as participações de DJ Ride, JP Simões, Paulo Curado, Manuel Tentúgal, José Miguel Ribeiro e António Jorge Gonçalves.

Associando-se ao centenário da República, o festival promoveu a criação de uma curta metragem de animação, que só estreará em junho, intitulada “Dez por cem”, com dez minutos de duração e feita por uma centena de pessoas ligadas ao cinema português.

Haverá ainda a Monstrinha, um espaço de cinema de animação para o público mais novo que tem vindo a ganhar terreno em relação à programação geral, contando este ano com mais de 60 sessões e oficinas sobre a arte de manipular e animar imagens e objetos.

A MONSTRA, que termina no dia 21, decorrerá noutros locais de Lisboa, como o Cinema City Classic Alvalade, o Museu da Etnologia, o Teatro Meridional e a Escola Secundária D. Dinis, passando ainda pelas lojas Fnac do Chiado e do Colombo.

O festival conta com o apoio do Ministério da Cultura e da empresa municipal EGEAC e tem um orçamento de cerca de 60 mil euros.

Por Cristina Alves

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