MAAT Apresenta Três Novas Exposições

Por Elsa Furtado (Texto e Fotos)

Um jardim, um pequeno “apartamento” e sons são as características principais das três novas exposições do MAAt, que inauguraram ontem ao público.

Começamos pelo edifício novo, onde se encontra na Galeria Oval a instalação Yo nunca he sido surrealista hasta el día de hoy, da autoria do artista cubano Carlos Garaicoa, e com curadoria de Pedro Gadanho & Inês Grosso, e pode ser experenciada até dia 18 de setembro.

Este é um projeto site-specific de grande escala que explora a relação entre cidade e homem, arquitetura e urbanismo, ficção e realidade. Para além do verde, destaque para a electricidade, e para os seus movimentos de “acesa / apagada /acesa”.

O trabalho do artista cubano Carlos Garaicoa levanta questões socialmente relevantes para os contextos geopolíticos onde trabalha. Entre outras questões, o artista foca-se nos (des)encontros entre a Europa e a América Latina; na procura de uma narrativa alternativa ao pensamento eurocêntrico-colonial dominante nos países sul-americanos; em temas como o fracasso do projeto modernista e o fim das grandes utopias do século XX; nas tensões e contradições económicas, políticas e sociais da sociedade contemporânea e o seu impacto na paisagem urbana.

No antigo edifício da Central Tejo, no Cinzeiro 8 encontra-se a instalação de APQHOME – MAAT de Ana Pérez-Quiroga, com curadoria de Pedro Gadanho. Esta é uma obra de arte total que requer a intervenção do participante numa imersão que, durante períodos de 48 horas, visa performatizar o quotidiano numa experiência total de fusão entre arte e vida. A instalação APQhome – MAAT é um projeto que comporta um espaço doméstico – casa e seus objetos todos criados pela artista (como os sofás feitos com lã de ovelhas portuguesas ou as jarras em vidro da Marinha Grande) – e um jardim com cortiça, dentro do espaço expositivo do MAAT.

A última exposição encontra-se na Sala das Caldeiras, e chama-se Untitled (orchestral) de João Onofre, e tem curadoria de Benjamin Weil, e trata-se de uma instalação performativa site-specific. É uma obra multimédia, na qual conta com a colaboração do compositor e percussionista Miguel Berat, e é inspirada na história deste espaço enquanto fonte de Luz essencial para a cidade de Lisboa, mas também enquanto mostra da tecnologia mais avançada. A presença imponente das caldeiras monumentais, assim como as enormes janelas, foram também uma importante fonte de inspiração.

Para aqui, o compositor compôs uma partitura com 16 sons e com a ajuda de uma equipa do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia da Arte, da Universidade Católica, foram criados 16 robots que estão espalhados pelo espaço e que produzem os sons, tudo a partir de energia criada pelos painéis solares e ao ritmo do sol – quanto maior for a intensidade do sol, mais rápida e mais forte é a música; se houver nuvens e quando o dia estiver a terminar, a música é mais lenta e menos intensa.

Todas as criações foram pensadas para os locais onde se encontram e podem ser vistas até dia 18 de setembro, de quarta a segunda feira, das 12h00 às 20h00, e os bilhetes estão à venda no local e custam 9 euros.

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