Luz à noite na Mouraria

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

noor_01Noor – Mouraria Light Walk é o nome do percurso inaugurado ontem na Mouraria e que pode ser visitado hoje e amanhã, a partir das 22h00. Há arte, performance e música nas ruas, numa iniciativa criada com a intenção de iluminar uma das encostas mais sombrias de Lisboa. Oportunidade única para visitar a Igreja do Coleginho, primeira casa dos Jesuítas no Mundo. Abre excecionalmente as portas ao público, à noite, para visita à instalação “Hope – Esperança” de Lorenzo Bordonaro.

O desafio foi lançado pela Camara Municipal de Lisboa ao EBANO Collective, que acabou por envolver toda a comunidade neste projeto. Nas ruas do bairro partilha-se cultura, fé, crenças, histórias, memórias e dinâmicas de vida. Todos contribuíram para o traçado deste percurso. Desde o Padre que permitiu a abertura de espaços de culto fora do horário tradicional, aos profissionais do sexo que criaram a instalação de arte patente no Largo da Severa, às crianças que idealizaram o seu próprio parque de brincadeiras e cujos desenhos serviram de base às esculturas no Largo dos Trigueiros. A riqueza de um bairro com herança árabe, berços de fado (Severa e Marisa são fadistas cuja vida passou por estes becos), passagem de artistas (há fotografias de Camilla Watson expostas nas paredes) está iluminada por estes dias.

Ao que já existia somam-se os origamis pendurados na árvore, as fotografias de Vitor Barros em caixas de luz que expõe interiores de espaços devotados ao abandono, há chapéus de chuva pendurados no ar que recordam anos de chuva na Mouraria, ex-votos iluminados a recordar a fragilidade humana, gramofones a servir de candeeiros, que também emitem som (“Grammofado” de Elettra Bordonaro), a montra da Ginjinha de Óbidos com uma réplica, em papel, do bairro feita pelos alunos do Ar.co com orientação do cartoonista Nuno Saraiva, paredes cobertas de chaves que remetem para o interior daquela que terá sido uma das mais importantes casas de chaves do país, um céu de lanternas japonesas, feitas a baixo custo, adquiridas ironicamente por famílias chinesas para decorar sofisticados espaços de gastronomia japonesa, os manequins da “Rua do Pecado” de Chiara Pussetti, que revelam os sentimentos das/os prostitutas/os da zona que participaram ativamente na construção das peças.

 

 

São os próprios habitantes que conduzem esta visita, indicando o percurso. Há duas entradas possíveis: o Largo do Caldas (pela Rua do Regedor) ou Martim Moniz (Rua da Mouraria). Depois é seguir o percurso de luz.

O Largo da Rosa é o coração deste percurso, que hoje pulsa a partir das 19h30 com o DJ Johnny. Às 22h00 atua o duo André Cabaça e Mick Trovoada (música de Moçambique)  e até às 2h00 a animação passa por djs e vídeo grafittie. No sábado o programa repete-se, apenas alterado às 22h00, com a atuação do Lautarea Project (alaúde e voz).

A entrada é gratuita.

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