Lisboa em Si apresentado em passeio no Tejo

LX EM SI_LISBOAReportagem de Alexandra Gil (texto e totos)

O veleiro Príncipe Perfeito recebeu, durante a manhã de hoje, 6 de junho, a imprensa para a apresentação do Lisboa em Si, evento com que a Cooperativa Fora de Si e a Câmara Municipal de Lisboa prometem tornar inesquecível o serão de 21 de junho.

À espera dos alfacinhas e de quem passar pela capital estará um concerto inédito, que a partir das 22h00 e durante sete minutos – em homenagem às sete colinas – reunirá numa composição original a sonoridade de apitos de embarcações, viaturas de bombeiros e comboios; sinos de igreja e campainhas de elétricos.

Durante a conferência de imprensa dada a bordo durante a viagem que ligou a Doca do Espanhol e o Jardim do Tabaco, a vereadora Graça Fonseca referiu-se ao evento como uma forma de acolher Lisboa, cidade que é “casa, numa relação quase de amor”. Pedro Castanheira, autor da composição e diretor artístico do Lisboa em Si contou ao C&H, já ao sabor do vento que embalava as velas do Príncipe Perfeito, como tudo começou. “A cidade sempre teve som, foi uma questão de lhe dar ordem. A ideia surgiu há cinco anos, mas só há dois houve a possibilidade de a passar à prática, graças à maturidade da composição e aos apoios institucionais”.

LX EM SI_INTERIOR

O trabalho árduo compensou e o diretor artístico deixou isso bem patente no entusiasmo com que destacou a autorização do Patriarcado para o uso dos sinos das igrejas no concerto como um dos momentos mais felizes da concretização do sonho. Aliás, graças ao Lisboa em Si, várias são as igrejas que veem agora os seus sinos renascer.

Ao imenso palco/plateia em que se transformará a zona ribeirinha – delineada a este pela Igreja de Santo Estêvão, a oeste pela Igreja de Santa Catarina e a norte pelo Miradouro de São Pedro de Alcântara – subirão mais de cem músicos coordenados via rádio. Pedro Castanheira, esse estará sob o Arco da Rua Augusta, a comandar a tão invulgar orquestra. Como em qualquer concerto, mas neste de uma forma especial, a assistência terá um papel preponderante.

Segundo o compositor, depois de um apito dos bombeiros que servirá de chamada e do lançamento de um foguete, a assistência poderá “fazer shhhhhhhh, em jeito de baterista no início de um concerto”. O primeiro apito de um barco será a forma de pedir então silêncio absoluto durante sete minutos, em homenagem a Lisboa. Pedro Castanheira está consciente do desafio, até porque se estará em tempo de bailaricos de Santos Populares, mas acredita que os alfacinhas e visitantes da capital irão mesmo parar para ouvir e sentir as sonoridades lisboetas. Já no final, alguns “barcos irão manter quatro ou cinco notas e será lançado mais um foguete”, aí o público poderá libertar a tensão e participar, “gritar o que lhe apetecer”.

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Escutar o Lisboa em Si será possível dentro da zona ribeirinha já referida, mas foram identificadas sete zonas que serviram de referências espaciais para um melhor entendimento da dinâmica dos sons. São elas o Miradouro de Santa Catarina, a Praça Camões, o Miradouro de São Pedro de Alcântara, o Miradouro da Graça, o Castelo de São Jorge, o Miradouro de Santa Luzia e a Praça do Comércio. É tudo uma questão de escolher a localização mais próxima à dos instrumentos preferidos.

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Os comboios vão dar música desde a estação do Cais do Sodré e os elétricos mostrarão o que valem, na Praça do Comércio. As embarcações – cacilheiros e outras – essas marcarão presença ao longo do rio e nem sequer faltarão os sons produzidos pelos pontões do Terreiro do Paço e do Cais do Sodré. Os soldados da paz contribuirão para festa através das corporações de Cabo Ruivo, Campo de Ourique, Ajuda, Cacilhas (em representação do lado de lá do Tejo) e dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses. Os sinos, por seu turno, darão os sons da sua graça em diversos locais de culto. A Igreja da Sé Patriarcal e a Igreja de Santa Cruz do Castelo são apenas dois, a que se juntarão a Torre Sineira do Quartel do Carmo e o Mercado da Ribeira.

O Lisboa em Si engloba ainda uma vertente ligada à ciência, desenvolvida em parceria com a Sociedade Portuguesa de Acústica e a Escola Superior de Música de Lisboa. Esta consiste na captação e estudo da propagação dos sons destas variadas fontes, visando o desenvolvimento de um software que permite saber onde e em que condições tal fenómeno ocorre.

O evento coproduzido pela Cooperativa Fora de Si e a Câmara Municipal de Lisboa, conta com o apoio do Turismo de Lisboa e da Administração do Porto de Lisboa e com a participação da Marinha, Transtejo/Soflusa, CP, Carris, Patriarcado de Lisboa, entre outras entidades.

 

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