Juliet Marillier em Lisboa para promover “Danças na Floresta”

De aspecto simples e humilde, a jovial autora neozelandesa Juliet Marillier deslocou-se a Portugal para a promoção do seu livro Danças na Floresta, editado entre nós pela Bertrand Editora.

Adjectivada por muitos como a nova “rainha” da literatura fantástica e sempre comparada a Marion Zimmer Bradley, Marillier conversou com o Canela&Hortelã durante a sua passagem por Lisboa.

De forma aberta, sincera e despretensiosa, a autora revelou-nos que apesar da comparação a lisonjear, prefere ser reconhecida por ela própria. “Os meus livros são diferentes, são mais centrados nas personagens, nalguns casos estas são até um pouco mais históricas que as de Bradley”, revelou-nos, embora confesse que, nesta fase da sua vida, mais dedicada à casa e à família, vive também através das suas personagens.Personagens e enredos que lhe surgem de forma fácil, como ela própria confessou, “O Fantástico vem-me naturalmente, se fosse outro tipo de estória se calhar iria ter mais dificuldades”.Embora só tenha começado a publicar os seus trabalhos recentemente, a escrita sempre fez parte da sua vida, desde jovenzinha na escola, um gosto que sempre guardou e voltou a arriscar numa fase mais tardia da sua vida.Uma aposta que começou logo alta, com a trilogia “Sevenwaters”, inspirada nas lendas célticas, primeiramente publicada na Austrália e posteriormente na Grã Bretanha e nos Estados Unidos, depois pelo resto do mundo, revelando-se um verdadeiro sucesso editorial, chegando mesmo a ganhar vários prémios.

Um sucesso confirmado com a trilogia “As Crónicas de Bridei” e a “Saga das Ilhas Brilhantes”, inspirados nas lendas escocesas e galesas e que não subiu à cabeça da autora. “Sou uma pessoa normal, que vive uma vida simples, onde eu moro todos sabem quem eu sou e o que eu faço, não me deixei afectar pela fama, trato do jardim, dos netos e da casa, como qualquer pessoa”, confessou.

Para compor as suas estórias diz fazer muita pesquisa, “leio muitos livros de referência, pesquiso na internet para encontrar ideias e também viajo muito”, revelou.

E foi numa das suas viagens que “criou” as cinco irmãs que protagonizam este último romance, cuja acção decorre nas misteriosas e encantadas florestas da Transilvânia, na Roménia.

“Eu queria escrever um romance baseado no conto “As Doze Princesas Bailarinas” e depois dos outros livros, eu queria escrever um que fosse um pouco mais “negro”, então pensei na Transilvânia e nos seus contos, então lá, surgiu esta estória, um pouco mais próxima do mundo real e para um público um pouco mais jovem que o habitual”, contou a autora.

“Esta é uma estória sobre uma família de cinco raparigas, a relação entre elas e também uma estória de amor. “, descreve Marillier, que destaca como especial neste livro a relação entre Jena (a filha mais velha) e Gogu (o seu sapo de estimação), um par que vai lutar por um final feliz, tal como Tati (a segunda filha) e Tristeza (um jovem do Povo da Noite).

Os finais felizes que são um elemento obrigatório nos romances de Juliet Marillier, que nunca escreveu um livro em que as personagens não terminassem bem. Um desfecho que espera repetir no seu próximo livro “Heart’s Blood”, um romance gótico, com fantasmas como protagonistas, que espera entregar ao seu editor no fim do ano. Mais ou menos na mesma altura, está prevista a publicação em Portugal de Cybele’s Secret, uma estória que tem por cenário a Turquia dos sultões.

Julliet Marillier regressa a casa no fim-de-semana, depois de uma sessão de autógrafos, hoje dia 17, na Fnac do Colombo, pelas 18h00, uma breve visita a Lisboa e outra a Sintra, com um grupo muito especial de leitores, que pretendem mostrar à autora fantástica, um dos locais mais fantásticos e místicos do nosso país, quem sabe não inspirarão a autora para um próximo livro.

por Elsa Furtado

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