Joana Vasconcelos transforma cacilheiro Trafaria Praia em embaixada cultural flutuante na Bienal de Veneza

JoanaVasconcelosA artista plástica Joana Vasconcelos conhecida pelas suas ideias originais, arroja e surpreende uma vez mais, com um projecto inovador, diferente, que mais uma vez vai colocar o nome de Portugal nas bocas do mundo. A proposta desta feita é transformar um cacilheiro antigo – o Trafaria Praia –  numa obra de arte itinerante, com produtos nacionais. A obra de arte será apresentada em maio na mostra internacional de arte da Bienal de Veneza como “embaixada da cultura portuguesa”.

Joana Vasconcelos foi convidada pelo anterior secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, a criar um projeto para representar o país em Veneza e ser a responsável pela representação oficial do nosso país, depois de já ter apresentado vários projectos na Bienal, este ano com a condicionante acrescida de o nosso país já não ter pavilhão no Lido, o que obrigava à partida a uma nova solução.

A artista pensou então em “transformar uma emblemática embarcação portuguesa num espaço expositivo e ao mesmo tempo numa obra de arte”. “Depois de vários contactos com a Bienal de Veneza e com as autoridades locais, conseguimos autorização para ter o nosso projecto no cacilheiro, e até atracá-lo nos Giardini, uma zona nobre da exposição internacional”, sublinhou.

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Joana Vasconcelos disse também ter conseguido autorização para que o barco se desloque durante a exposição e transporte um máximo de 75 passageiros em Veneza. “Com este pavilhão flutuante, Portugal vai ter a possibilidade de ter mais visibilidade numa exposição muito competitiva, com projectos de cerca de 90 países”, salientou Joana Vasconcelos aquando a apresentação do projeto.

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Atualmente o cacilheiro Trafaria Praia está no estaleiro Navaltagus, no Seixal e foi cedido pela Transtejo à artista, para ser transformado numa obra de arte itinerante, vai ser revestido por fora com azulejos portugueses, com uma vista de Lisboa, desde a Torre do Bugio à Torre Vasco da Gama, e no interior vai ser revestido de cortiça e de intervenções em têxtil e com elementos luminosos reminiscente de obras típicas como as da série Valquírias ou Contaminação , explica a artista, especificando ainda que “Esta peça compõe-se de coloridas formas orgânicas feitas à mão em croché e outros tecidos, incluindo feltros de Nisa, que incorporam fiadas de lâmpadas LED. Tais estruturas emergem das paredes e do teto, “envolvendo” os visitantes numa atmosfera “uterina”, tão estranha quanto familiar, que suscita uma experiência tanto intelectual como sensorial”.

O piso superior vai ser alterado de forma a criar uma zona aberta, onde serão realizadas palestras, mesas redondas e concertos com artistas portugueses, e múltiplos eventos. Destaca-se a programação dos dias inaugurais da Bienal de Veneza, protagonizada por compositores e intérpretes de expressões musicais variadas, desde o fado à eletrónica improvisada. No interior será instalada uma loja, com produtos nacionais através de uma parceria com a marca A Vida Portuguesa, da empresária Catarina Portas.

A DGArtes disponibilizou para esta representação a quantia de 175 mil euros, valor este abaixo do que habitualmente é dado, e que o Secretário de Estado da Cultura Barreto Xavier explicou como “resulta da necessidade da redução da despesa do Estado”, tendo depois apelado à adesão dos privados para apoiarem o projecto, que, segundo a artista, exigiria quase o dobro para concretizar tudo o que idealizou.

“Já temos alguns apoios privados concertados, e esperamos que surjam outros”, comentou Joana Vasconcelos, acrescentando que não tem ainda determinado o valor total dos custos.

O cacilheiro vai ser transportado até Veneza por via marítima em cima de uma embarcação e vai ter o acompanhamento de um helópetro até chegar a Veneza, onde este “pavilhão flutuante” vai ser inaugurado a 31 de maio, um dia antes da inauguração oficial da Bienal de Arte de Veneza 2013 e a curadoria do projecto é da responsabilidade de Miguel Amado.

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O cacilheiro Trafaria Praia transportou 11 milhões de pessoas durante 51 anos , vai ser agora transformado em obra de arte e voltará a ser usado em Veneza, manobrado por quatro tripulantes da Transtejo.

Texto de Clara Inácio
 Imagens gentilmente cedidas pelo atelier de Joana Vasconcelos
 

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