Festival Pop Up espalha arte heterogénea por uma Lisboa nómada

Chama-se Pop Up, define-se como Festival Internacional de Cultura Urbana e até 11 de Dezembro, vai espalhar o trabalho autofinanciado de cerca de 200 criadores nacionais e estrangeiros por Lisboa, numa lógica de interacção artística e de ocupação de vários espaços alternativos da cidade, dos nobres aos desocupados.

O segundo ano do festival, ontem apresentado à imprensa, pretende o reconhecimento de uma identidade para Lisboa, através de diversas manifestações artísticas (artes plásticas, cinema, música, performance) e do intercâmbio entre criadores de várias nacionalidades. Com os pés assentes em Lisboa e a actividade dos artistas envolvidos, num equilíbrio entre jovens e consagrados, o festival tem como objectivo transformar-se numa plataforma internacional de intercâmbio de cultura urbana.

Haverá música, cinema independente, videoarte e performance no espaço Nimas (abre amanhã, com o documentário Bela Adormecida, sobre Lena d”Água, seguido de um concerto da própria). Intervenções sociais através da Arte – que inclui um churrasco comunitário – no Bairro Portugal Novo, nas Olaias, e exposições e performances no Pavilhão 27 do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa. Hoje, o pop Up muda-se provisoriamente para a LX Factory, a propósito do Open Day que semestralmente se realiza no espaço ocupado na zona industrial de Alcântara. A partir da tarde, haverá pinturas de murais,performances e instalações. Além disso, abre-se o Ciclo de Conversas Temáticas Pop Up na Fundação Gulbenkian onde, dia 10, se celebrará o centenário do nascimento de Paul Bowles.

Ontem à tarde, abriram-se as portas daquele que será o Laboratório Pop Up Lisboa 2010, o Palácio Verride, conhecido como Palácio de Santa Catarina, ao miradouro do Adamastor. Três andares e muitas salas do palácio oitocentista ocupados por uma exposição colectiva multidisciplinar e um pro grama com performances, workshops e apresentações temáticas. Além dos convidados – onde se encontram nomes como Carlota Lagido, Pedro Ganhano, a dupla Cabracega ou os americanos The Antagonists Arts Movement –, este espaço central do evento irá acolher a obra dos finalistas do Concurso Internacional de Projectos Artísticos.

Na maioria das obras expostas, fiéis ao mote do festival, o conceito “nómadas urbanos”, conjugam-se elementos dispersos da urbanidade: um “Facebook analógico”, de Jaime Ferraz; uma sala de estar, com Galo de Barcelos, cão e candeeiro em plástico derretido, por Rui Pereira; ou um mural onde o Taj Mahal, o Arco da Rua Augusta ou o Centro de Arte Contemporânea de Niterói convivem na mesma cidade.

O festival é também possível graças à intervenção dos cidadãos. O apoio da câmara, no valor de 30 mil euros, foi obtido através do Orçamento Participativo, que permite aos lisboetas escolherem os projectos que venham a ser concretizados, e no qual votaram mais de oito mil lisboetas. Na apresentação, a Vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, louvou a “componente internacional” e o “cosmopolitismo” do Pop Up. Para a responsável da autarquia, o evento é importante para a cidade pelos “diversos espaços que são objecto de transformação”.

Aqueles que participem no festival, ou que sejam envolvidos por ele nas suas deambulações quotidianas (artistas como Ana Perez Quiroga, João Vilhena ou Alexandre Farto deixarão a sua marca em diferentes estações ferroviárias, as chamadas Linhas Pop Up), experimentarão – assim o desejam os organizadores – uma vivência citadina em que a experiência artística seja uma componente com presença regular.

Texto de Cristina Alves
Fotos Câmara Municipal de Lisboa

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