Festival dos Oceanos apresentou “A notícia da minha morte foi um exagero” ontem à noite no Museu das Comunicações

Texto de Elsa Furtado
Fotos de Sara Santos

“A notícia da minha morte foi um exagero” foi o bailado contemporâneo da autoria de Susana Otero, que trouxe ontem à noite vida ao espaço do museu da Fundação Portuguesa das Comunicações, em Lisboa, integrado na programação do Festival dos Oceanos.

A produção foi composta apartir dos textos de José Cardoso Pires, De Profundis – Valsa Lenta e o título tirado de uma entrevista que o escritor deu após o anúncio da sua morte.

Nesta obra, “Susana Otero faz um exercício cheio de ironia, reflectindo sobre a vida e a morte – a morte branca como lhe chama José Cardoso Pires, e a outra, bem mais negra e mais abrangente -, e sobre a própria dança contemporânea e o seu poder enquanto arte performativa.

Sempre com um cuidado cheio de ternura pelas «criaturas» que põe em cena, Susana Otero faz apelo a uma empatia e cumplicidade por parte do público; o qual está, face a este espectáculo, como quem se expõe ao sol, gozando o seu calor aprazível ou sofrendo as queimaduras dos seus raios mais fortes”.

Em palco dois homens e uma mulher, perdidos como só Godot à espera de si próprio (a referência Beckettiana faz aqui todo o sentido) o espectáculo desenrola-se entre a palavra – esse movimento da voz –, e a dança – essa voz do corpo -, entrelaçando-se, sem nunca se atropelarem nem invadirem, com um à vontade alheio a quaisquer dogmas de cruzamento interdisciplinar ou a fenómenos de moda nos processos criativos, ilustrando, bem, o melhor de um certo exercício da contemporaneidade.

O espetáculo contou com concepção, direcção e coreografia de Susana Otero, com interpretação de Rui Marques, Flávio Rodrigues e Andreas Dyrdal e como banda Sonora o Quarteto Dissonante, W. A. Mozart.

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