Exposição Pelas Gavetas de Clarice na Fundação Gulbenkian

clarice_13Gavetas que escondem mas que se podem abrir para mostrar fragmentos de uma vida feita de letras. Letras cravadas na parede que podem ser lidas com os dedos. Dedos que percorreram todas as teclas da máquina de escrever, em exibição, vezes sem conta. A Hora da Estrela é a exposição sobre Clarice Lispector, uma das mais destacadas figuras da literatura brasileira, que pode ser visitada já a partir de amanhã e até ao dia 23 de junho na Galeria de Exposições Temporárias do Museu Calouste Gulbenkian.

Integrada nas comemorações do Ano do Brasil em Portugal, esta é uma exposição que tem em atenção o público de faixa etária (e estatura) mais baixa. Tudo está ao alcance da vista e também das mãos. O vídeo projetado numa das salas faz-se ouvir por todos os outros espaços. As luzes destacam e escondem textos num caleidoscópio de mensagens e ideias. A sobreposição de transparências permite ler imagens sobre textos e vice versa. Sentidos bem alerta que esta exposição vai chamar por eles.

Ouse abrir as gavetas da vida desta mulher e conheça um pouco mais da sua obra e vida familiar através dos bilhetes, recados, rascunhos e fotografias espalhados pelas 1089 gavetas da Sala dos Segredos. Podem-se encontrar momentos de vida tão particulares quanto uma crónica publicada no Correio da Manhã a 02-09-1967, uma carta de condução emitida em Berna (1947) quando Clarice esteve na Suíça, ou um poema de Carlos Drummond de Andrade sobre o livro da escritora De Corpo Inteiro. Inconfidência que são agora alvo de curiosidade e permitem completar o percurso desta autora.

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A Hora da Estrela tem coordenação e curadoria de Júlia Peregrino (que já havia coordenado Fernando Pessoa, Plural como o Universo) e do escritor Ferreira Gullar (Prémio Camões 2010). A exposição já foi apresentada no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Brasília e em Bogotá, tendo sido visitada por mais de 700 mil pessoas.

Nascida na Ucrânia, em 1920, Clarice Lispector chegou ao Brasil com menos de dois anos de idade. Antes de se mudar para o Rio de Janeiro, em 1937, viveu em Alagoas e em Pernambuco. Passou muitos anos fora, acompanhando o marido diplomata, mas nunca se desligou do Brasil, onde morreu em 1977. Perto do coração selvagem foi o primeiro dos seus 26 livros, hoje publicados em mais de 20 línguas.

A Hora da Estrela pode ser vista na sala de exposições temporárias do Museu da Gulbenkian, de terça-feira a domingo entre as 10h00 e as 18h00, de 5 de abril a 23 de junho. A entrada, de terça-feira a sábado custa 3 euros, ao domingo é gratuita.

Estão ainda planeadas Oficinas para Famílias, Visitas Orientadas, Visitas Performativas e espaços de Conversas com escritores que vale a pena descobrir.

Reportagem de Tânia Fernandes

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