Época Medieval servida à mesa em mais de 30 restaurantes de Coimbra

Num ano em que se comemoram os 900 anos do foral de Coimbra, 800 anos das primeiras cortes e os 650 da transladação do corpo de Inês de Castro para Alcobaça, a “Cozinha de Escritores” dedica a segunda edição à época medieval. Desta forma, de 8 a 20 de Abril, mais de 30 restaurantes de Coimbra irão servir pratos elaborados de acordo com os produtos existentes naquele período histórico.

Este evento gastronómico consiste na recriação de receitas e pratos tradicionais portugueses a partir de referências literárias em obras de conhecidos autores nacionais, cujos percursos de vida estiveram, de alguma forma, ligados a Coimbra. Na tentativa de juntar literatura e gastronomia local foi então realizada uma seleção de pratos medievais, tais como, “Miúdos de aves estufados com malvasia”, “Sopa de couve murciana” ou “Caldo de colherinha com chouriço”. Estes pratos serão reinventados pelos chefes de 37 restaurantes da cidade que decidiram aderir á iniciativa.

A iniciativa é da empresa municipal Turismo de Coimbra, com o apoio de textos do consultor literário Albano Figueiredo, docente da Faculdade de Letras, e receitas apropriadas sugeridas pelo chefe Luís Lavrador, da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra.

“Partindo da descoberta de referências gastronómicas, assim como dos elementos e dos ingredientes tão sugestivamente mencionados nos textos literários medievos (desde o ano de 1200 até cerca de 1500), o objectivo é percorrer o imaginário alimentar da época, colocando à prova o melhor dos nossos sentidos”, refere Albano Figueiredo.

É com “o espírito de simbiose entre a literatura e a gastronomia”, que foi realizada uma selecção de pratos medievais que podem ser reinventados pelos chefes de cozinha dos restaurantes aderentes, de Coimbra, que vão desde a Quinta das Lágrimas, passando por vários hotéis, até aos estabelecimentos mais modestos.

Para o chefe Luís Lavrador, as ementas passam por aperitivos de mesa, sopas, entradas, peixes, carnes, sobremesas e doces, com as batatas e o tomate a serem, praticamente, os únicos produtos que não podem ser utilizados, dado não existirem na época medieval.

Luís Alcoforado, presidente da empresa municipal Turismo de Coimbra, faz “um balanço positivo” da primeira edição e espera este ano muito mais adesão, pois o número de restaurantes aderentes duplicou. Para o responsável, a iniciativa bienal “Cozinha com escritores”, que intercala com “Sabores do Mondego”, pretende “afirmar-se como um passo estrutural, tendo em vista constituir a cidade como um centro de gastronomia de referência no país, ao valorizar a cultura e excelência gastronómica, enquanto produto estratégico de Coimbra”.

Durante o período em que decorre esta edição dedicada à época Medieval realiza-se junto ao Café Santa Cruz, na “Baixa” de Coimbra, demonstrações de confecção de pratos por vários cozinheiros, com a primeira marcada para as 17h00 de 9 de Abril, com o chefe Alexandre Santos, do Hotel D. Luís. Seguem-se, sempre à mesma hora, os chefes Luís Lavrador (Escola de Hotelaria), no dia 11, António Duarte (Praça do Marisco), dia 12, Emídio Pereira (Hotel D. Inês), dia 13, Jeffe Rui Costa (Azucar Sabor Latino), dia 14, e Bruno Carvalho (Hotel Tivoli), no dia 15.

 

 

Por Cristina Alves

 

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