Entrevista: Mafalda Arnauth – Fadas já andam no ar

Mafalda Arnauth falou com o C&H sobre o seu mais recente álbum, Fadas, o sexto da sua carreira, que chegou esta segunda-feira às lojas, com a chancela da Universal Music.

Fadas é claramente “um tratatado de referências de mulheres extraordinárias, como Celeste Rodrigues, Hermínia Silva, Beatriz da Conceição, Amália Rodrigues. É um trabalho onde estão muitas das minhas influências: muitos músicos, compositores e, neste caso específico, o Tiago Torres da Silva volta a ser o poeta que assina um original num disco meu, juntamente com Francis Hime que cresce e faz uma das músicas mais bonitas do meu reportório. Para mim, “E se não for fado” é uma pérola, um hino ao que que considero ser a fronteira do meu fado e revela a revela a fada que há em mim”.

“É esta simbiose das coisas, umas que revelam as pessoas e outras as pessoas que revelam o universo que está por trás dessas coisas”. Assim nos revela Mafalda Arnauth o seu mais recente álbum, Fadas, para o qual começou por gravar temas, e que só depois descobriu as figuras que os tornaram “magistrais”: “Há mulheres que me fazem descobrir a história do tema, como foi o caso da “Pomba Branca”, cantado por Beatriz da Conceição de uma forma que me faz arrepiar e que só depois vim a descobrir que é um tema bastante antigo da autoria do Max”.

Para a fadista, “Fadas são seres que intervêm na vida das pessoas e é um pouco esse celebrar da magia e esse acreditar que há realmente ‘pózinhos de perlimpimpim’ que nos tornam a vida especial, que faz com que, no meu caso, eu retribua com música”. Acima de tudo este é um projecto que para Mafalda Arnauth se assume muito “refescante”, já que, segundo explica, “há qualquer coisa nele de vibrante, que me faz sentir muito viva quando o ouço, pois é um disco que transborda vida nas histórias que conta, não só a do próprio tema como a da influência que teve na minha vida. Acredito que o conceito subliminar deste trabalho é a ideia de que o clássico é eterno, por isso tenho a esperança de que estas músicas fiquem para sempre”.

Desde que se estreou nos álbuns, há 11 anos, que Mafalda Arnauth sempre desempenhou o papel de compositora de poemas que interpreta, o que considera que é o que a distingue e o que a tem vindo a manter original. No entanto, neste Fadas ficou-se apenas por um tema da sua autoria, “Só corre quem ama”.

Neste novo álbum, a fadista volta a alargar o espectro musical que aborda, já que os seus fados são uma antítese do ‘fado do coitadinho’: “Acho que é importante partilhar com as pessoas um pouco essa força positiva e também não me apetece andar a deprimir ninguém. Assim, quando temos que ir a algo mais profundo já estamos um pouco mais ‘aconchegados’ e também é preciso darmos às pessoas a hipótese de regressso, após se cantar uma coisa mesmo trágica e que mexe com as feridas”.

Hoje, com uma carreira já firmada no fado, Mafalda Arnauth continua a assumir que “fado e música são o espelho da vida” e apesar de não ter começado pelo fado sente-se fadista, por isso confessa que parte do caminho feito até descobrir o fado foi à procura dele, apesar de não saber. “A minha natureza é de fadista, os contornos que às vezes percorro e as sonoridades é que não. Mas desconfio que no fundo sinto-me sempre fadista na forma de cantar a vida, mesmo quando estou mais longe do que é habitual no género musical”, confessa.

Desde cedo que tem investido também numa carreira além fronteiras. Apesar de Fadas ter sido lançado esta segunda-feira em Portugal, na sexta-feira passada Mafalda Arnauth foi de viagem para Itália e até ao fim do ano ainda vai passar pelo Brasil, Singapura e talvez por França. Oportunidades que fazem da fadista “Embaixadora de Portugal lá fora”: “Quando levo o meu tipo de fado além-fronteiras, assumo claramente uma posição de querer revelar o meu país no seu melhor e esta para mim é a visão do que posso fazer enquanto interveniente”.

Apesar de não se considerar muito ambiciosa em termos de sonhos, Mafalda Arnauth confessa que gostava ainda de fazer uma parceria com Seu Jorge, que é uma pessoa que muito admira e que tem um timbre que adora, para além da esperança que acalenta de cantar com Jorge Palma, com quem diz fazer “duetos mentais há já muito tempo”.

Depois de já ter corrido palcos como o do Royal Albert Hall, em Londres, a fadista aponta os palcos improváveis como os mais interessantes, pois são esses que “nos obrigam a sermos ainda mais genuínos e mais entregues”.

Por Cristina Alves
Fotos gentilmente cedidas pela Universal Music

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