Em exposição contestatária, MUDE declara que “É Proibido Proibir”

Discos, filmes, livros, peças de roupa ou de mobiliário e cartazes estão entre as 60 peças que integram a exposição “É Proibido Proibir”, que que está aberta ao público desde hoje, no MUDE – Museu do Design e da Moda, na Baixa de Lisboa, e que evoca o espírito contestatário de duas décadas particularmente revolucionárias: os anos 60 e 70.

“É proibido proibir!”, a frase cantada Mudeem 1968 por Caetano Veloso durante o movimento Tropicália, inspirou slogans como “Debaixo das pedras da calçada, a praia!” e “Quanto mais faço amor mais tenho vontade de fazer a revolução (e vice-versa)”, que traduzem o espírito de libertação, contestação e revolução sexual em curso. Foi precisamente a partir destes solgans que foi retirado o título da exposição.

O MUDE pretende evocar até  31 de Janeiro de 2010, um período “de forte contestação, experimentalismo, multiculturalismo, demolição dos estatutos e procura de uma plena liberdade”, diz o museu em comunicado.

A mostra, que coloca o enfoque no continente europeu, sobretudo em Itália e Inglaterra, Milão e Londres, organiza-se em núcleos temáticos sobre o espírito de contracultura e anti-design, a efemeridade e a performatividade das propostas, o estar em colectivo e o vestuário como protesto.

A organização adianta ainda que as peças apresentadas no museu “espelham a crise da sociedade de consumo, das instituições e da moral vigente que caracterizou a segunda metade dos anos 1960 e os primeiros anos de 1970”.

No primeiro andar do museu, transpostas as fitas que franqueiam a entrada em Londres, a música, as luzes, os vídeos e a espacialidade criada pelo arquitecto e cenógrafo José Manuel Castanheira remetem para outra época, levando a uma viagem pelo tempo. Cores marcantes – rosa choque, verde alface, branco – abrem o espaço a uma exaltação de cores e formas em que os protagonistas são as peças de design , que aqui surgem rodeadas de jogos de luz e som.

Planos desnivelados e oblíquos e seis caixas de luz, de branco e de música surpreendem. Cada caixa é um momento em que o visitante pode entrar e ouvir, recordando-se ou ouvindo pela primeira vez sons que marcam esse período.

O lado efémero do objecto também é destacado pela versatilidade de algumas peças expostas, caso do vestuário. Visto como forma de protesto, dá origem à moda que se ditava na rua, sobretudo em Londres que era a sua grande capital. Uma mistura: as maxi-saias que foram destronando a minisaia, símbolo da década, os vestidos e as túnicas deixando o corpo livre, a invasão de coloridos tecidos estampados, do unissexo, das roupas hippies, das maquilhagens psicadélicas, dos motivos psicadélicos e étnicos. Entre peças de criadores e peças em segunda mão, cada um criava o seu estilo.

Para reviver esta época, estão representados na exposição marcas e criadores como Ettore Sottsass, Aarnio, Pierre Paulin, Verner Panton, Joe Colombo, Gaetano Pesce, Piero Gatti, Cesare Paolini, Franco Teodoro, Roberto Matta, Courrèges, Emilio Pucci, Missoni, Mary Quant, Ossie Clark, S´angelo, Thea Couture Porter, Vivienne Westwood e Zandra Rhodes. As peças são confrontadas com vídeos, palavras e músicas da época.

Para conferir no MUDE, na Rua Augusta em Lisboa, até  31 de Janeiro de 2010.

Por Cristina Alves
Foto de Elsa Furtado

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