Efemérides do Dia Mundial do Teatro

TNDM II ©Filipe FerreiraO Dia Mundial do Teatro é assinalado a 27 de Março e foi criado em 1961 pelo Instituto Internacional de Teatro da UNESCO. Os teatro nacionais apresentam uma programação especial. O TNDM II comemora o Dia Mundial do Teatro com um conjunto de espetáculos e atividades.

Às 10h00, 11h30 e 17h00 há visitas guiadas ao TNDM II; pelas 13h00, é a vez de Manucure, de Mário de Sá-Carneiro, com interpretação de João Grosso, no Salão Nobre. A Praça D. Pedro IV, do lado direito da fachada do TNDM, vai receber o espetáculo A Festa da Rosinha Boca Mole, pela Companhia Mamulengo da Folia, às 13h30 e 17h30. O dia termina com as peças À Vossa Vontade, de  William Shakespeare, com encenação de Álvaro Correia, na Sala Garrett e Olhos de Gigante de Almeida Negreiros, com encenação de João Brites e Miguel Jesus, na Sala Estúdio. Durante o dia estão patentes as exposições Portinari e Cavalcanti no D. Maria II e Ana Hatherly: No princípio está o gesto, na 1.ª Ordem e Salão Nobre. Todas as iniciativas são de entrada livre.

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Barraca dedica a comemoração do Dia Mundial do Teatro deste ano ao esforço que na cidade de Jenin, na Palestina, a Companhia Freedom Theater tem vindo a realizar, com ameaças de morte, mortes e prisões efectivas, mantendo vivo um trabalho que já dura há 7 anos. Um video montado por Paulo Vargues a partir de um filme palestiniano, mostrará a actividade da Companhia, o seu espaço, a sua paixão, trazendo ao nosso público o testemunho de até onde  o Teatro pode ser generoso e heróico. A sessão prosseguirá com a exibição de On Fear. Apresenta-nos Nabil Al- Raee, actor/director que foi recentemente preso pela polícia política israelita.  O filme foi realizado por Ashish Ghadiali e feito expressamente para este dia,  para o MPPM e para ser apresentado n’A Barraca. Na 2ª parte da sessão será apresentada o espectáculo Sete Crianças Judias, de Caryl Churchill pelos alunos do 12º ano do Curso Profissional  de Artes do Espectáculo  do Liceu Passos Manuel, com encenação de Fernanda Lapa.

Carmen Dolores - No palco da memóriaO Teatro Aberto assinala a data com o lançamento do livro No Palco da Memória, de Carmen Dolores, com a apresentação de Paulo Pires,pelas 18h30. Carmen Dolores, representou no palco do Teatro Aberto inúmeras vezes ao longo da sua carreira, tendo participado na peça de abertura em 1976. A apresentação do seu livro realiza-se na Sala Vermelha do Teatro Aberto, a mesma onde se despediu dos palcos em 2005.

Rui CatalãoO Teatro Maria Matos apresenta a peça Av. dos Bons Amigos, de Rui Catalão, com o preço especial de 6,00 euros e uma visita aos bastidores, com Dentro de Cena.

Esta peça começou a formar-se após uma série de visitas que fiz a um amigo da minha geração, que estava internado no Hospital de Oncologia, em Lisboa. O processo de incapacitação do seu corpo fê-lo regredir até ficar com a aparência de um bebé. Essa imagem completou-se na última vez em que o vi. Usava apenas uma fralda. Erguida quando eu era ainda uma criança, a Av. dos Bons Amigos tornou-se na principal artéria da vila onde os meus pais vivem desde a infância, e onde eu nasci e cresci. Essa vila tornou-se entretanto num dos dormitórios mais assustadores nos subúrbios de Lisboa e na décima maior cidade do país. Em Av. dos Bons Amigos, convido os espectadores dispostos em semi-círculo a experimentarem “uma hora psicológica” sem recorrerem ao relógio – será um tempo ligeiro, nem rápido, nem saturante. Fácil de suportar e difícil de digerir. Através de anedotas, memórias pessoais, e da história recente do país, incorro numa excursão a temas que nos são comuns, mas que nos habituámos a esconder: o isolamento, as inibições a que sujeitamos o corpo, a vergonha daquilo que nos menoriza perante o que identificamos como normalidade, a relação de medo com o desconhecido. Dor, doença e pânico da morte. A dificuldade em assumir a relevância pública dos nossos pavores privados.

Com Av. dos Bons Amigos dou continuidade a uma série de “solos acompanhados” que iniciei em 2010, com Dentro das palavras,  em que exploro a autobiografia e a memória como ferramentas para construir ficções em redor dessa noção tão elementar sobre o que é preciso passar até sermos crescidos. É o equivalente cénico ao que na literatura se chama Bildungsroman (romance de formação).

O termo “solo acompanhado” designa a relação com os espectadores. São eles os meus interlocutores. Condicionam o meu discurso, a razão de contar determinada história, assim como o modo de transmiti-la. Como um público é feito de individualidades, trata-se de adequar o estado de espírito que se instala. O ambiente pode oscilar entre um serão animado por um contador de histórias e uma sessão de agitação política (duas formas antiquadas de passar o tempo).

Com Av. dos Bons Amigos pretendo convocar o espectador para um espaço intermédio entre o que é público e o que é privado, e aí trilhar um caminho diferente para o sentido de pertença e de responsabilidade colectiva.

Rui Catalão

Rui Catalão foi jornalista do Público nos anos 90 (atualmente escreve sobre literatura para o suplemento Ípsilon), iniciou em 2000 uma colaboração formativa com o coreógrafo João Fiadeiro, que culminou nas peças O que eu sou não fui sozinho e Existência. Trabalhou também com Miguel Pereira (Portugal), Brynjar Bandlien (Noruega), Mihaela Dancs, Manuel Pelmus e Madalina Dan (Roménia). No cinema, é coautor dos argumentos O capacete dourado (2008) e Morrer como um homem (2009). Como ator participou em A cara que mereces (2006).

A visita aos bastidores do Teatro é às 17h30, para Pais e filhos (3 aos 5 anos) e às 18h30, para o público geral (a partir dos 18 anos). A entrada é livre, mediante marcação prévia até dia 25 Março.
Tio VâniaA Fundação Museu do Douro apresenta neste dia a estreia nacional de Tio Vânia pela Filandorra, nos dias 27 e 28 de Março, por volta das 21h30. A versão cénica levou à transposição do cenário da Rússia do século XIX para uma quinta do Douro no princípio do século com o título Tio Vânia, cenas da vida na quinta um Tcheckhov com sabor a Douro. A sala do Wine Bar do Museu do Douro, espaço cultural de referência do Douro Património Mundial, receberá o espetáculo de duas horas onde atores e público se confundem no mesmo espaço em que o amor, o desejo, o desalento e a fé se combinam.
Por Clara Inácio

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