Deolinda abanam a anca no Coliseu de Lisboa

deolinda_08Se cada música dos Deolinda tem uma personagem, Ana Bacalhau interpretou todas elas, num concerto que reuniu famílias inteiras, na passada sexta-feira, no Coliseu dos Recreios em Lisboa. Ela foi mulher desesperada, rapaz gingão, sevilhana a ensaiar uns passos de flamenco, e “doida varrida” quando quase no final do concerto despenteou voluntariamente o cabelo para interpretar “Doida”.

O Coliseu esteve bem composto e animado. Os pais levaram os filhos, que aproveitaram para convidar os avós. A alegria contagiante e a sonoridade popular faz com que esta seja uma banda que atravessa várias gerações.

Os músicos entram no palco e começam a tocar os primeiros acordes de “Algo Novo”, tema do recente Mundo Pequenino. Ana Bacalhau entra em palco, cumprimenta o público e faz-se ao tema, deixando o recado com o refrão, “E nós ainda temos muito p’ra contar…”. Deste álbum, eles tocam ainda “Concordância”, “Gente Torta”, “Pois Foi” e “Há-de Passar” que intercalam com anteriores êxitos, como ”Não Tenho Mais Razões”, “Passou por mim e sorriu”, “Mal por Mal”, “Um contra o Outro”.

O diálogo com o público é algo que faz parte dos concertos desta banda. Sempre muito comunicativa, Ana Bacalhau umas vezes explica a origem das músicas, outras partilha sentimentos que elas despertam, como “Medo de Mim” em que ela alerta para o “fundo de verdade da canção”. Assumem o tom ligeiro que dão ao fado e arrumam pretensiosismos com “Descansem os moralistas que nós não fazemos fado”.

Os refrões simples são conhecidos do público que não hesitam em acompanhar a banda em músicas como “Fado Toninho” ou “Fon-Fon-Fon” em que Ana Bacalhau praticamente canta em dueto com a tuba.

Nas cadeiras, e dado o adiantar da hora, os mais pequenos vão-se encostando. Em palco, os Deolinda continuam a marcar o ritmo com “ A Problemática Colocação De Um Mastro”, para de seguida abrandar com “Semáforo da João XXI”.

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O momento mágico da noite dá-se com o convite de Ana Bacalhau a António Zambujo, que assistia ao concerto na plateia, para com ela interpretar “Não Ouviste Nada”.

“Que seja agora”, “Movimento Perpétuo Associativo” e “Musiquinha” puseram todos a abanar a anca. Para este tema, Joana Sá trocou temporariamente o piano pelo “brinquinho da Madeira” dando um ritmo e ao mesmo tempo uma imagem muito popular ao tema.

Abrem o primeiro encore com “Clandestino”, do primeiro álbum e “Doida” segue numa loucura muito divertida, com o público a retribuir em ruidosos aplausos. Os músicos reúnem-se todos mais uma vez no palco e despedem-se. Mais uma vez regressam com Ana Bacalhau emocionada a dizer “Vocês deixam-me sem palavras, coisa que me acontece poucas vezes”.

E continuam com  “Quem tenha Pressa”. Não será o sentimento geral, no entanto deixa uma mensagem curiosa nesta fase do alinhamento.“Quem tenha pressa que vá andando / Esta viagem é uma vida/ É uma vida e a minha urgência/ É gozar a vista e a companhia”.

A noite vai longa, mas a festa está instalada. Ana descalça-se e agora é que vão ser elas… os últimos momentos são de quem já partiu a loiça toda mas ainda tem força par, mais uma vez, abanar a anca. “Musiquinha” em versão ainda mais selvagem é o desfecho de uma noite cheia de boas canções.

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

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