Cornucópia leva à cena Fingido e Verdadeiro

A nova produção do Teatro da Cornucópia é Fingido e Verdadeiro ou O martírio de S.Gens, actor, com adaptação e encenação de Luis Miguel Cintra e tradução de Luís Lima Barreto. A interpretação cabe a Cleia Almeida, Dinis Gomes, Duarte Guimarães, José Manuel Mendes, Luis Lima Barreto, Luis Miguel Cintra, Miguel Melo, Ricardo Aibéo, Sofia Marques, Tiago Manaia, Vítor de Andrade, Ángel Martin e Rubén Ajo (bolseiros do Programa Leonardo da Vinci da Comunidade Europeia).

Luís Miguel Cintra fez uma desconstrução da peça de Lope de Vega Lo Fingido Verdadero, fragmentando-a, reduzindo as personagens, inserindo trechos da Flos Sanctorum e da História Imperial e Cesárea de Pedro Mexia e citações de Santo Agostinho, Tertuliano, Louis Jouvet e Jean Genet.  

A acção passa-se no século III, no tempo do imperador Diocleciano, e trata-se do mártir S. Gens, um actor que ao representar, a pedido do Imperador, a figura de um Cristão, se converte, e em consequência disso é condenado à morte. A peça de Lope de Vega, apesar de muito pouco representada nos nossos dias, é considerada sempre como uma peça fundamental no conjunto da obra do autor na medida em que, através da própria linguagem teatral, constitui uma autêntica segunda versão da arte poética contida no texto teórico: Arte Nova de Fazer Comédias. O espectáculo pretende ser um divertimento, jogo irónico sobre a Verdade e a Mentira, a Vida e a Ficção, sobre o Actor, fechando uma série de espectáculos que a Cornucópia tem vindo a apresentar em volta do mesmo tema.

Fingido e Verdadeiro ou O martírio de S.Gens, actor , até 29 de abril no Teatro do Bairro Alto, de terça a sábado, às 21h00 e domingo às 16h00.

Texto de Clara Inácio
Foto gentilmente cedida pela produção

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