Chegou ao fim mais uma edição da MONSTRA – Festival de Cinema de Animação de Lisboa

Por Sara Peralta

Entre filmes para os mais pequenos, novidades dos mais variados estilos em competição, curtas de estudantes, filmes oscarizados, centenas de obras alemãs, e uma pequena selecção de longas-metragens nipónicas, foram sete dias recheados de animação que a Monstra trouxe a Lisboa.

Numa sessão de abertura com sala cheia, adocicada pelos chocolates Regina, viu-se a estreia de Compositio III e de A Fábrica, dando-se início à homenagem germânica do festival com uma retrospectiva de Raimund Krumme.

Ao longo da semana, os espetadores puderam assistir diariamente à Monstrinha, à Competição de Estudantes, à Competição Internacional, e à Retrospectiva Alemã, podendo também visionar algumas obras japonesas como O Mundo Secreto de Arrietty (último filme dos estúdios Ghibli realizado por Hirosama Yonebayashi e com argumento de Hayao Miyazaki), que apesar da hora tardia, estreou assim em Portugal frente a uma sala cheia dia 21às 00h00.

O fim-de-semana trouxe programação alargada para os mais pequenos, com sessões “Pais e Filhos”, permitindo relembrar o clássico Bambi, (re)descobrir O Moinho de Vento Voador ou Os Aventureiros, ou conhecer Kérity, la maison des contes.

Na noite de sábado celebrou-se o encerramento oficial do festival, numa sessão um pouco atrapalhada entre muitos convidados e várias línguas, onde Noriko Morita encenou uma performance acompanhada de música ao vivo, sendo posteriormente anunciados os vencedores.

Premiados

Na nova competição para o prémio SPA/Vasco Granja para Melhor Filme de Animação Português sagrou-se vencedor O Sapateiro de David Doutel e Vasco Sá, sendo assim premiado com 5 mil euros. O Público também votou nesta categoria, elegendo Independência de Espírito, de Marta Monteiro.

Na Competição Internacional venceu Body Memory de Ülo Pikkov, e o Melhor Filme Português bem como vencedor do Prémio do Público foi Viagem a Cabo Verde de José Miguel Ribeiro, que subiu ao palco múltiplas vezes, a fim de receber também os prémios Melhor Filme para a Infância e Juventude e Melhor Série de TV para Dodu – O Rapaz de Cartão. Maska dos irmãos Quay foi galardoado com o Prémio Especial do Júri, e a Melhor Banda Sonora foi atribuída a Sleep, de Claudius Gentinetta e Frank Braun, havendo uma Menção Honrosa para a Banda Sonora de Romance de Georges Schwizgebel.

Na secção Curtíssimas, o vencedor Internacional foi Sinestesia de Saudade de Eric Tortora Pato, e o Nacional Ainda, o Natal de Cláudio Sá. As Menções Honrosas foram atribuídas a Things You’d Better Not Mix Up de Joost Lieuwma para Filme Cómico (que arrancou efectivamente sonoras gargalhadas ao público), De Lijn de Sjaak Rood para Filme Experimental, Diary 2 – Feelings de Tsivka Oren para Filme Poético, e Chaotic Order de Mirai Mizue pelo Valor Visual.

Conservar do Colectivo Fotograma 24 foi o Melhor Filme Estudante Português, e em ex aequo para Melhor Filme Estudante Internacional ficaram We may meet, We may not de Skirma Jakaite, e The Renter de Jason Carpenter. O Júri da Competição de Estudantes destacou ainda Fairy Tailing de Jumi Yoon, The Box de Kyra Buschor e Shattered Past de Boris Sverlow com Menções Honrosas, e o Público elegeu Omerta. O Júri Júnior considerou Camera Obscura de Marta Maia o Melhor Filme Estudante Português, e Promises de Aki Kono o Melhor Filme Estudante Internacional, atribuindo uma Menção Honrosa a One More Time/ Eshe Raz!.

Da parceria com o programa da RTP2 de igual nome resulta o Prémio Onda Curta, que este ano foi para Killing the Pig de Simone Massi, Nightingales in December de Theodore Ushev, e Nullarbor de Alister Lockhart e Patrick Sarell, com uma Menção Honrosa para Ginjas de Zepe e Humberto Santana.

Este ano não nos foi ainda anunciado o próximo país convidado, mas sabemos que a Monstra estará à solta em Lisboa mais uma vez em 2013 com muita animação e longas-metragens em competição.

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