Chapitô à Vela no Crioula no arranque do ano lectivo

O que é que uma Escola Profissional de Artes e Ofícios como o Chapitô poderá ter a ver com a Marinha?”, segundo Teresa Ricou, presidente e mentora do projeto: “o rigor e a disciplina”. Por essa razão, os alunos (jovens entre os 16 e os 20 anos) do Chapitô embarcaram esta segunda-feira no Navio de Treino de Mar Creoula para um início de ano lectivo diferente de todos os outros.

Este embarque é o resultado de um sonho de Teresa Ricou com mais de 30 anos, de estabelecer uma parceria com o Ministério da Defesa Nacional, no sentido de promover uma residência artística orientada para as actividades educativas e de formação.

“Sendo o Chapitô um projecto educativo em que a área do corpo tem uma importância basilar na formação artística, esta residência artística em alto mar e a possibilidade de treinos em espaços preparados para o exercício da robustez física permitem, por um lado, a capacitação para o exercício das artes em diversos contextos – mar, espaço público e infra-estruturas culturais – e, por outro lado, o cruzamento da formação em artes de circo com a formação militar”, explica a presidente do Chapitô.

O capitão-de-fragata Cornélio da Silva, que é o comandante do Creoula, explicou ainda na conferência de imprensa de apresentação do projecto, que “este estágio tem por objectivo que os jovens estejam em contacto com o mar, adaptando-se à vida de bordo e adquirindo conhecimentos técnicos e de cultura geral sobre o mar. Esta experiiência irá também permitir-lhes que aperfeiçoem os conhecimentos de carácter técnico-marítimo sobre marinharia, regras para evitar abalroamentos no mar e navegação estimadas, costeira, astronómica e electrónica”.

Durante seis dias os instruendos participaram no maior número possível de actividades da vida de bordo, incluindo as tarefas do dia-a-dia, tanto durante a navegação como estando atracados ou fundeados: limpezas, auxílio na confecção do rancho, vigilância, manutenção do material, assistência e auxílio na condução de motores e na operação de equipamentos electrónicos, assistência ao oficial de quarto a navegar, leme, organização do navio para visitar, etc. Para além de participarem nas fainas do navio, os alunos vão participar também em palestras de instrução e em exercícios de formação.

Depois de dois dias de navegação, o Creoula acostou quarta-feira, no Cais da Doca de Alcântara e durante o dia de ontem decorreram  os ensaios e as montagens para a Cerimónia de Abertura do Ano Lectivo do Chapitô, hoje, que tem o seu ponto alto às 21h00, com a apresentação do espectáculo “Chapitô à Vela” por parte dos alunos do 2º e 3º anos escola, que recebem em clima de festa os caloiros do Chapitô.

No final do espectáculo será então a vez dos alunos do 1º ano trocarem com os veteranos e embarcarem no Creoula, onde vão permanecer até domingo.

No sábado, já com uma nova tripulação, o navio vai largar do Cais de Alcântara e vai ficar fundeado ao largo de Cascais, onde os alunos vão desembarcar em botes até à Marina de Cascais, onde vão desenvolver um conjunto de actividades de animação junto da comunidade local. No dia seguinte, antes do regresso à Base Naval de Lisboa, os alunos do Chapitô ainda vão ter tempo para, durante a manhã, receberem a bordo 20 jovens carenciados do Projecto Crescer.

Texto e fotos de Cristina Alves

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