Centro de Arte Moderna em Lisboa comemora trinta anos com exposições várias

Por Joana Resende (texto e fotos)

O Centro de Arte Moderna (CAM) em Lisboa inicia esta temporada comemorativa dos seus trinta anos com exposições de duas artistas contemporâneas, a afegã Lida Abdul e a australiana Narelle Jubelin, que mostram obras recentes e outras inéditas criadas especificamente para esta mostra, e do artista português Júlio, percursor do surrealismo, cuja homenagem será prestada pelo CAM e pela Fundação Cupertino de Miranda. As três exposições abrem ao público amanhã, dia 18 de janeiro.

Lida Abdul é uma artista afegã nascida em Cabul e a viver em Los Angeles e apresenta-se pela primeira vez em Portugal, no CAM, numa exposição comissariada por Isabel Carlos. A sua obra remete o visitante para o contexto de guerra no Afeganistão, existindo a idéia de deslocação, exílio e cicatrizes de guerra, apesar de nunca recorrer a imagens explícitas desta. A artista traz também uma instalação sonora nova, Time Love, que parte do trabalho de um fotógrafo de rua de Cabul, que numa das artérias mais movimentadas da cidade, perto do registo civil, produzia fotos para os bilhetes de identidade e passaportes. Lida Abdul cria uma instalação composta por trezentas imagens de rostos de cidadãos afegãos, juntando a máquina fotográfica, rudimentar, em madeira, que as produziu.

Esta sua exposição irá seguir para a Gulbenkian Paris em 2014. Para já, estará na Galeria de Exposições Temporárias e na Sala Polivalente do CAM até ao dia 31 de março.

Narelle Jubelin, artista australiana, apresenta Plantas e Plantas (Plants and Plans) que remete para o duplo sentido da palavra – planta de jardim e planta de edifício, sendo uma obra da coleção do CAM que abre esta exposição: Uma floresta para os teus sonhos, de Alberto Carneiro. A artista traz vídeos e produção têxtil da Austrália mas também de Timor-Leste, produzindo reflexões sobre a natureza e a arquitetura. Quanto à sua marca de autora, traz uma série de pequenos bordados que ao longe se confundem com pequenas pinturas.

Esta exposição também tem curadoria de Isabel Carlos e estará patente até ao dia 31 de março no Hall, Nave e Salas A e B do CAM.

Por último, os visitantes poderão apreciar a exposição A imagem que de ti compus, homenagem a Júlio dos Reis Pereira, pintor, ilustrador e poeta, que faleceu em 1983.

Reúne noventa e duas obras de pintura e desenho, focando-se nos períodos surrealista e expressionista deste artista que ao longo de três décadas, de 1920 a 1940, criou muitas pinturas a óleo e desenhos. A exposição inclui ainda o filme-documentário sobre o pintor, realizado por Manoel de Oliveira em 1965. A curadoria está a cargo de Patrícia Rosas do CAM e de António Gonçalves, diretor da Fundação Cupertino de Miranda. A exposição estará patente até ao dia 7 de abril na Galeria -1 do CAM.

De salientar que no dia 26 de julho todo o edifício irá receber a exposição Sob o Signo de Amadeo Um Século de Arte, no âmbito da celebração dos trinta anos do CAM que comemora a sua abertura ao público no dia 25 de julho de 1983. Assim, todo o acervo de Amadeo de Souza-Cardoso, uma das grandes referências da Arte do século vinte, será apresentado em todos os espaços do CAM e estará patente até janeiro de 2014.

O segundo momento de comemoração acontecerá no dia 17 de outubro com um ciclo de performance que irá decorrer até final do mês de novembro e que contará com Joana Bastos, Musa Paradisíaca, Ramiro Carvalho, Isabel Carvalho, André Guedes, entre outros, e que pretende assim homenagear o Acarte e passar revista aos trinta anos de performance em Portugal.

De destacar também que no dia 18 de maio, dia internacional dos museus, o CAM vai abrir ao público a possibilidade de visitas guiadas às reservas, existindo apenas a necessidade de marcação prévia.

As exposições podem ser visitadas de terça a domingo das 10h00 às 18h00 e o preço do bilhete é de 5 euros.

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