Cachorros Para Todos Os Gostos No Príncipe Real Em Lisboa

Reportagem de Tânia Fernandes e António Silva

Cachorro à Portuguesa

Uma dose de tradição combinada com conforto emocional, foi o que encontrámos no Cachorro à Portuguesa, um espaço que abriu este ano no Príncipe Real, em Lisboa. Cachorros quentes para consumir em ambiente descontraído e genuinamente português.

Identificamos a década de nascimento ao pegar na ementa e rasgar um sorriso. Foi a primeira viagem (reconfortante) ao passado da noite. As propostas deste restaurante vêm numa caixa de VHS, sem a dita cassete no meio, mas com a informação impressa na capa. Revirámos várias vezes ainda a rir, até nos concentrarmos na ementa.

Cachorro à Portuguesa
Cachorro à Portuguesa

Escrita de forma simples, percebe-se que brinca com os conceitos. Há Entradas que “São quase horas de dar ao dente” e têm preços simpáticos entre 1 e 2 euros: “Enquanto Espero”, “Pickles Caseiros”, “Tremoço à Alentejana” e “Vamos À Horta” (chips de batata doce, cenoura, beterraba e inhame). Vêm servidos em loiça de esmalte, a valer o segundo flash back da refeição (algures entre a mesa da cozinha da avó e as feiras e mercados).

Também as bebidas nos chegam em canecas de esmalte. Frescas e envolvidas em recipientes carregados de significado. Há cervejas artesanais mas também bebidas do antigamente, como Refrescos!!!

Mas o que nos trouxe cá, foram mesmo os cachorros, especialidade da casa. Têm a assinatura do Chefe João Sá e são exclusivos, feitos a partir de ingredientes frescos. Mas pode um cachorro ser “uma experiência gastronómica inovadora, com raízes no que é nacional” como tínhamos lido? De facto, no Cachorro à Portuguesa isso é uma realidade. Encontrámos cachorros de tudo, de porco a frango, bacalhau ou beterraba. Uma espécie de gastronomia portuguesa em modo salsicha no pão.

É o caso do Bitoque (alface, tomate, ovo escalfado, e maionese de alho), Alentejano (pickles, chouriço crocante e maionese de coentrada), Serra da Estrela (rúcula, presunto crocante, queijo da serra grelhado e molho vinagrete). Mas também os de Frango à Guia, Bacalhau com Todos ou com Natas e ainda os de Beterraba com o esclarecedor nome de “Nem é Carne Nem é Peixe é Beterraba” (entre 5,80 euros e 8 euros). Ainda que a maioria não corresponda à ideia que temos de “cachorro”, são um belo petisco! Também o pão é exclusivamente confeccionado para estes cachorros “à Portuguesa” e todos os pratos vêm acompanhados de batata frita.

Se precisar de uns legumes a acompanhar, há três saladas disponíveis: Imperador, Serrana ou Legumes Grelhados (entre os 5,20 euros e os 6,20 euros).

O espaço é acolhedor e a disposição de mesas pede a que se venha em grupo. Há uma mesa de pé alto, ao centro da sala principal perfeita para quem chegou depois e vem só beber um copo. Encosta-se, pica alguma coisa e não vai estorvar, porque mesmo de pé, continua a ter “lugar à mesa”.

O serviço é rápido e simpático. Percebe-se que há atenção para com aquele pedido especial.

Se acha que depois do cachorro já ingeriu as calorias da semana, tape os olhos para as “Sobremesas de Chorar por Mais”. Há Pirolito (vodka e gelado de limão), Mousse de Chocolate, Espuma de Pastel de Nata, É O Que Temos ou Miminho (gelado soft + doce + smarties) (entre 1,90 euros e 3 euros). Se correr o risco de pedir, garantimos que não vai sobrar um pingo.

O Cachorro à Portuguesa fica na Rua de São Marçal, nº111. Está aberto diariamente, de domingo a quinta-feira, das 12h00 à meia-noite. Às sextas e sábados, está aberto das 12h00 horas às 2h00.

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