Boavista Um Paraíso Tropical Com Praias E Falésias De Areia Branca Até Perder De Vista

Reportagem de Margarida Vieira Louro (texto e fotos)

Mal chegamos ao Aeroporto de Boavista vislumbra-se nos uma terra vermelha de grande beleza e um clima ameno, mas algo ventoso. No aeroporto as boas-vindas chegam com sons locais um grupo de músicos que brinda os visitantes com algumas mornas enquanto as malas chegam pelo tapete rolante.

É necessário percorrer alguns quilómetros até chegarmos ao nosso hotel – o Tourague e pelo caminho a terra vermelha segue-nos em paisagens diversas até alcançarmos o mar azul e de seguida as palmeiras verdes dos jardins do hotel que mais parece castelos de areia uma excelente opção já que se enquadra em pleno no meio ambiente envolvente, não chocando com a paisagem e criando de imediato empatia para quem chega ao espaço.

O check in é rápido e é servido um welcome drink simultaneamente. Os empregados são simpáticos e prestáveis e encaminham-nos com alguma facilidade para os quartos, com mapas adequados.
Também é possível conhecer a ilha através dos vários programas disponibilizados como a viagem de catamaran, viagens de jeep e ainda buggy. No programa de Catamaran o autocarro sai do hotel e leva-nos até ao porto onde nos espera um Zebro que nos leva numa viagem em torno na ilha e onde se pode mergulhar já em mar alto. Após o mergulho a tripulação ensaia vários números de animação com música cabo verdiana e disponibiliza aos navegantes bebidas, proporcionando um agradável final de tarde.
As viagens pela ilha de jipe permitem-nos chegar a pequenos paraísos de natureza em estado puro como o Deserto de Viana que se localiza no centro da ilha e se estende numa língua de areia proveniente do Sahara, as dunas dançam com o vento e mudam de lugar, a areia é branca e fina e contrasta com a súbita terra vermelha, é ainda possível ver manadas de cavalos a galope pelo Deserto de Viana, fazendo lembrar os cavalos berberes no norte de África. A areia prolonga-se por quilómetros e termina na praia também conhecida por Santa Mónica, que tem mais de 10km, de praia deserta, isolada e virgem, esta areia é proveniente do Deserto do Sahara e proporciona a quem visita este locais uma experiência única.


Outro local em que o jeep é imprescindível é na viagem, à antiga localidade de Curral velho onde a presença portuguesa ainda se faz notar pela arquitectura apresentada nas casas, construídas com a técnica pedra sobre pedra e os telhados. Curral Velho era uma comunidade dedicada à agricultura e há criação de gado, à volta desta aldeia os muros têm kilometros, mas nada cresce ali a agua nesta ilha é um bem muito precioso pois raramente chove e a agricultura é muito escassa. Aqui também extraíam sal, junto à praia do Curralinho, que tem a maior extensão de areia da ilha e onde duas palmeiras teimam em dançar ao vento, crescendo com astúcia de forma a que os cocos que crescem no seus topo não estarem ao alcance de qualquer um. Hoje é um local usado pelos pescadores para guardarem material de pesca.
Continuando a viagem entre oásis e tamareiras à sua beira, encontramos duas amendoeiras com perto de duzentos anos, que crescem num dos poucos oásis da ilha e generosamente distribuem os seus frutos, por quem as visita.
Em João Galego paramos para conhecer uma comunidade caboverdiana. Aqui a agricultura é a base de subsistência familiar, na rua duas mulheres descascam feijão, enquanto um casal de galináceos curiosos vem ver o que se passa na praça. As pessoas são afáveis e bem dispostas, no café ouve-se Cesária Évora e bebe-se cerveja. A local não é homogénea dentro da sua sociedade única existem duas designações provenientes do povoamento das ilhas, os portugueses povoaram todas as ilhas, de modo a manter a sua posse.

Enviaram pessoas para habitarem as ilhas e estabeleciam-se de forma a organizar uma sociedade no local e assim pode ajudar quem vinha a seguir, foram assim apelidados de “sampadjudos”, que quer dizer “sempre ajudam”. Por outro lado os “badio” descendem de ex-escravos que ficaram na Ilha de Santiago, que após a abolição da escravatura, recusavam-se a trabalhar para os antigos senhores. Viviam da pesca e alguma cultura. Considerados “preguiçosos”, eram chamados pelos portugueses de “vadios”. Como naquela época já começavam a falar o dialeto crioulo, transformaram o “vadio” em “badio”.

Assim, quem nasce na ilha de Santiago, é “badio”. De qualquer forma, todos os que nascem nas outras 8 ilhas, são denominados “sampadjudos”. A sociedade caboverdiana é composta por Crioulos 71%, grupos étnicos autóctones 28%, europeus ibéricos 1% compõem a população. Na ilha da Boa Vista a religião é 100% católica, sendo que as maioria da igrejas foram deixadas ainda pelos Portugueses e tentam mantê-las e conserva-las o melhor que conseguem, as maiores festividades são festas religiosas.
Sal Rei é a Capital da ilha da Boavista, e é ainda visível a presença portuguesa nos antigos edifícios sendo que a igreja Matriz é um dos locais obrigatórios a visitar. A Baía de Sal Rei é muito concorrida para a prática de windsurf e mergulho nos recifes de corais, abundantes de vida e cor, no mar cristalino, cor de turquesa. Mas também aqui a pesca é um dos principais meios de subsistência o atum, o robalo vermelho é apanhado e vendido junto aos barcos os homens andam na faina e as mulheres arranjam o peixe, até as crianças ajudam nas tarefas familiares, o peixe que não é vendido de imediato é salgado para ser conservado.

A água é um bem escasso e as populações são visitadas semanalmente por camiões de cisterna de agua tratada, para alimentação e para os bens essenciais já que a agua dos poços não é boa para beber. No mercado muitos dos alimentos são importados já que a produção nacional é escassa. A arte dos caboverdianos reside na sua comunhão com a natureza, os colares e pulseiras de osso, os colares de contas de vidro da ilha do fogo, as sua pintura, as pulseiras de conchas e de búzios, o jogo do café, é a maior prova artística que este povo dá ao mundo com o seu trabalho único e manual.
A Praia de Chaves é uma extensão de areia que acaba em encostas rochosas de origem vulcânica onde o mar bate violentamente ao chegar às suas encostas. Entre a praia e a arriba um pontão onde se estende um empreendimento turístico romântico e muito bem concebido na encosta. Neste local tive a oportunidade uma amostra da riqueza da fauna marinha deste lugar onde vi um cherne com cerca de 30 kg segundo o local que estava pronto a cortar postas para servir após as ter assado na grelha. Alguns dos peixes que se podem ver em cabo verde conta-se o atum, o espadarte azul, dourada, salmonete, esmoregal, pargo, mero, moreia, taínha, cherne e que fazem parte da dieta cabo verdiana, não esquecendo os os crustáceos camarões, caranguejos, percebes e lagostas.
A pesca desportiva também é muito apreciada em Cabo verde pelos turistas já que limpidez e temperatura amena da água (média 25ºC) atrai muitas espécies. Outra atracão imperdível são os golfinhos, cachalotes, orcas e baleias que são espécies migratórias mas que dão uma cor diferente ao mar cristalino. Também as tartarugas procuram encontram aqui o seu refugio para desovar, entre Junho e Outubro.
Sendo um dos símbolos mais utlizados na ilha em variadíssimas representações, na visita à Fabrica de cerâmica de Rabil foi possível verificar que a partir de um molde de uma carapaça de tartaruga, fazem nascer inúmeras reproduções em barro que pintam e vendem na sua pequena loja . também mascaras , pequenas jarras com caras africanas são parte da sua arte e da sua identidade.
A ilha da Boavista tem um potencial incrível em recursos naturais o que permite uma estadia rica em experiencias únicas as viagens de buggy são incríveis já que a adrenalina de andar no meio das Dunas por sitos inacessíveis de outra forma a uma velocidade incrível, libertam-nos a alma e o espírito é essencial um lenço ou mascara para os locais de terra batida já que o pó é imenso e só a destreza dos motoristas nos levam pelo bom caminho. A paisagem muda a cada momento a planície rochosa passa a deserto e o deserto dá lugar a praias banhadas por um mar quente de águas turquesa.

Nas Dunas junto à praia da Varandinha existe uma duna gigante onde podemos praticar SandBoard numa paisagem magnífica, a sensação de velocidade e de liberdade termina mesmo à beira de água aqui a tentação será voltar a subir a duna e descer novamente a grande velocidade ou o mergulho. Para quem soube esperar o mergulho estava quase no final da viagem as roupas estavam imundas mas os sorrisos espelhados na cara de todos participantes era inquestionável.

A orla marítima da ilha da boa Vista é envolvida por um anel de recifes de corais e rochas com forte campo magnético, que contribuiu para o desnorte de muitas embarcações, um dos locais obrigatórios a visitar é a Praia de Santa Maria onde há décadas se encontra um navio que naufragou e persiste em ficar junto à praia.
De volta ao hotel a opção passava por uma fantástica refeição no restaurante junto à piscina de buffet onde a comida era variada e se podia encontrar comida europeia.

Ao fim da tarde a escolha recai para o para o SPA e 20 minutos de relaxamento no Jacuzzi com vista para a praia, em momentos de grande tranquilidade. No SPA também é possível optar pelas massagens, pela sauna e pelo ginásio, a decoração a usada no espaço é magnífica misturando temas marroquinos com mascaras africanas em plena harmonia e os cheiros intensos inebriam os sentidos. Para quem tenha crianças existe uma área dedicada exclusivamente a elas o Club para crianças “Riuland”, também foi criada uma área de Lazer, recreação e entretenimento para crianças e adultos para quem queira praticar futebol, tiro e outras actividades durante a tarde.

Os quartos têm uma decoração simples, mas imponentes recorrendo a uma inspiração africana, os tons laranja misturam-se com os castanhos a verga e a palhinha. Por todo o hotel as peças decorativas são obras de arte de inspiração africana fazendo-nos respirar e sentir Africa em todo o seu esplendor.

Se decidir passar suas férias na Boa Vista, tudo o que poderá esperar são, praias virgens, praias de areia branca, vulcões ou falésias e planícies.

A Ilha da Boa vista, faz parte do arquipélago de Cabo Verde que é um país insular africano, arquipélago de origem vulcânica, constituído por dez ilhas vulcânicas e que foram descobertas, em 1460 por Diogo Gomes ao serviço da coroa portuguesa, tendo encontrado as ilhas desabitadas e aparentemente sem indícios de anterior presença humana. Foi colónia de Portugal desde o século XV até à sua independência em 1975.

O arquipélago de Cabo Verde está localizado na zona subsariana, com um clima árido ou semi-árido. O oceano e os ventos alíseos moderam a temperatura. A média anual raramente é superior a 28 °C e não desce abaixo dos 20 °C. A temperatura da água do mar varia entre 21 °C em Fevereiro e 28 °C em Setembro.
O Canela & Hortelã viajou a convite do operador Solférias