Bienal de Monsaraz dedicada ao Cante Alentejano encerra amanhã com concerto de Maria Ana Bobone

O festival bienal Monsaraz Museu Aberto, que termina no domingo (29), teve este ano como mote a celebração do Fado enquanto Património Cultural Imaterial da UNESCO, mas também a afirmação da importância cultural, social e histórica do Cante Alentejano “enquanto merecedor de igual estatuto”.

 Nesse âmbito, a Câmara Municipal de Monsaraz, promotora da bienal, preparou um programa dedicado ao Cante Alentejano, tendo já decorrido um fórum em torno do tema, em que participaram Ana Paula Amendoeira, presidente da Comissão Nacional Portuguesa do Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios (ICOMOS), Paulo Lima, do Comité Cientifico da candidatura do Cante a Património Cultural Imaterial da UNESCO, e António Ceia da Silva, Presidente da Entidade Regional deTurismo do Alentejo.

A necessidade do reconhecimento do Cante Alentejano pelas comunidades, foi sublinhada pela responsável do ICOMOS, Paula Amendoeira, que considera “muito importante que se tenha em consideração que o Cante é património de uma região inteira”

“Esse reconhecimento tem de partir das comunidades envolvidas e as próprias comunidades verem-se reconhecidas na candidatura, com a sua participação efetiva”, defendeu. Mais de cem grupos corais e vários municípios alentejanos estão envolvidos no processo de candidatura à UNESCO.

O presidente da Turismo do Alentejo, António Ceia da Silva, elogiou precisamente o trabalho dos grupos corais “que conseguiram, sem dinheiro e sem interesses económicos, com o verdadeiro voluntarismo, manter os grupos corais bem vivos”. “São estas pessoas que, pelo seu trabalho, merecem o reconhecimento da UNESCO”, acrescentou.

O autarca de Monsaraz, José Calixto, entusiasta e apoiante da candidatura, aproveitou a ocasião para anunciar no fórum que já terá lançado um desafio a todos os grupos corais do concelho para que gravem um CD.

O Monsaraz Museu Aberto é organizado pelo Município de Reguengos de Monsaraz desde 1986, decorreno com periodicidade bienal desde 1998. Entre as várias iniciativas que decorreram este ano destaque para a inauguração do Museu do Fresco, no antigo Museu de Arte Sacra (numa sala do antigo tribunal), no passado dia 13 de julho.

Para a inauguração foi escolhida a exposição Monsaraz na História, que pretende mostrar alguns acontecimentos que marcaram a vila medieval e que não são do conhecimento de todos, e abrangem cinco séculos, desde a Idade Média até meados do século XIX, factos como a instituição da Misericórdia, o Celeiro Comum, a lenda dos dotes de casamento, o texto da aclamação de D. João IV, entre outros através de documentos, ilustrações, fotografias e textos explicativos. A mostra está prevista ficar patente ao público pelo menos um ano, em que será substituída, de acordo com o plano museológico .

Paralelamente os visitantes podem ver o fresco do Bom e Mau Juiz, datado do séc. XV, alusivo à justiça terrena e justiça celeste e ainda, conhecer alguns dos elementos que compõem a Rota do Fresco, através de vários conteúdos e painéis interativos instalados no Museu.

A encerrar duas semanas de festival há ainda tempo para música e exposições, patentes em vários espaços da localidade.

Esta noite, às 22h00, sobe ao palco Jorge Roque & Projeto Madrugada, que vai apresentar no Largo D. Nuno Álvares Pereira um espetáculo único em que a fusão entre a sonoridade jazz e pop do grupo se junta ao Fado e ao Cante alentejano.

Depois da meia-noite é ainda possível realizar observações astronómicas na zona do Grande Lago Alqueva, que foi o primeiro destino no mundo a obter a certificação Starlight Tourism Destination atribuída pela UNESCO e pela Organização Mundial do Turismo.

A 20.ª edição do Monsaraz Museu Aberto fecha no domingo com a atuação da fadista Maria Ana Bobone, pelas 22h00, na Igreja de Nossa Senhora da Lagoa.

Por Ângela Nobre – no Litoral Alentejano
Fotos de Elsa Furtado

 

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