“Bats in the Belfry” foi a curta vencedora do MOTELx 2010

Bats in the Belfry (2010, 8′) de João Alves foi a curta-metragem vencedora do Prémio MOTELx para Melhor Curta de Terror Portuguesa. Alan Jones, porta-voz do Júri (que integrava também José de Matos-Cruz e José Nascimento), afirmou que a decisão foi unânime e que esta será uma óptima embaixadora para as curtas-metragens portuguesas.

The prize for the portuguese short film, which we were all in total agreement on, I think has a great concept, it’s beautifully done, I think it’s gonna be a wonderful ambassador for portuguese short movies, and it is: Bats in the Belfry” afirmou Alan Jones ao anunciar o vencedor.

Bats in the Belfry é uma animação em ambiente de terror, mas com argumento cómico e um toque de western, e narra a história de Deadeye Jack “que após uma frustrada tentativa de assalto durante o dia, tenta retomá-lo usando a noite como cobertura mas ao surpreender os donos do dinheiro, Jack interrompe uma refeição da qual se arrisca a tornar-se o prato principal.” João Alves defende o seu projecto como fruto de um esforço de nove semanas, que realizou sozinho, em casa, e sem orçamento – “o orçamento para isto foi só o dinheiro da cassete para passar aqui no festival, não foi mais nada”. Bats in the Belfry já está disponível no youtube, e a página oficial do filme pode ser visitada aqui.

Quero agradecer ao MOTELx por ter escolhido a minha curta para ser exibida aqui e me dar a hipótese, e quero agradecer ao Júri por me ter seleccionado” – afirmou João Alves ao receber o prémio.

O Júri atribuiu ainda uma Menção Honrosa, à curta-metragem Nocturna (2010, 6′) de Francisco Carvalho.

Após a exibição da curta vencedora, seguiu-se The Revenant, na sequência do tipo de filmes que o festival tem vindo a seleccionar para as sessões de encerramento (comédias de terror, com alguma violência mas focadas no lado cómico), uma obra recheada de humor negro que encerrou o festival com muitas gargalhadas.

George Romero, que esteve à conversa com o público e deu autógrafos, agradeceu a todos e disse “ter passado um maravilhoso, relaxado e óptimo período cá, sentiu-se muito bem acolhido pelo público e deixou no ar a promessa de um regresso”.

Gerard Johnson afirmou que, a par de ter perdido os óculos, adorou a sua estadia, e Christopher Smith, que já visitou Portugal várias vezes, diz “adorar tudo no nosso país exceptuando Cristiano Ronaldo”.

E assim chegou ao fim mais uma edição do MOTELx, festival que tem vindo a ganhar cada vez mais notoriedade, mantendo fiéis seguidores e atraindo novos públicos. Ao longo de cinco dias, o MOTELx fez a festa no Cinema São Jorge (decorado a rigor com criaturas viscosas, membros humanos e tubos com substâncias tóxicas), com inúmeras sessões de cinema – de frescas novidades a clássicos de culto, um painel de discussão sobre o Brit Horror, a apresentação do projecto liZboa, a Noite de Jogos de Terror, e claro, a Q&A (sessão de perguntas e respostas) com o mestre Romero.

A fila para esta Q&A já se formava à porta da sala com mais de meia hora de antecedência, e Romero, ao entrar, foi uma vez mais aplaudido de pé. A moderar a conversa esteve Nuno Markl, lançando esta sessão onde Romero falou sobre a sua carreira, partilhando alguns episódios curiosos e recebendo louvores e questões do público, que o escutava atentamente. Após o realizador referir várias vezes que os videojogos eram em grande parte responsáveis pelo sucesso do fenómeno zombie, Markl perguntou-lhe se jogava, ao que este respondeu “Oh no, I’m not a gamer, I move slowly like my zombies”  – (“Oh não, eu não sou um jogador, eu mexo-me lentamente como os meus zombies”). Terminada a animada sessão, Romero revelou-se incansável a assinar autógrafos e tirar algumas fotografias com as inúmeras pessoas que formavam fila para o cumprimentar.

Também interligada com o festival e nomeadamente com a presença de Romero, esteve uma Zombie Walk, onde uma multidão de zombies (inúmeros fãs vestidos e maquilhados a rigor) se deslocou desde o Largo Camões até ao Cinema São Jorge na noite de dia 30, para receber o seu “mestre”, que de seguida apresentou ao público do festival o seu mais recente filme “Survival of the Dead”, também ele carregado de zombies.

Muitas foram as emoções cinematográficas no MOTELx, com filmes para todos os gostos num menu com pratos normais, fortes, ou extra-fortes. O negro mas algo satírico The Loved Ones terá deixado na cabeça de muitos a canção cantada pela retorcida personagem. Jigoku valeu alguns risos pelo seu primitivismo mas contrabalançou com as belas imagens do inferno retratado.

Em The Wild Hunt todos se riam das crianças grandes que brincavam ao faz-de-conta, até que a barreira é atravessada e a fantasia se torna realidade quando estas deixam o fingimento para gerar um terror bem real e, em suma, a brincadeira deixa de ter piada. Cherry Tree Lane relembra o terror da vida real, não do tipo que murmura no vento ou assombra o espelho da casa de banho a meio da noite, mas daquele que nos entra pela porta adentro com uma faca na mão fazendo-nos reféns de uma noite de verdadeiro horror. Phobia 2, bem doseado de vários sabores do Terror, gerou sustos, risos e momentos de tensão, até ao último e original segmento In the End arrancar sonoras gargalhadas do público e a sessão culminar em aplausos. Mas isto são apenas alguns aleatórios exemplos.

Por cá esperamos que alguns consigam distribuição nacional (por agora avistam-se Pandorum e Triangle), mas ainda nos encontramos a aguardar a chegada de pérolas da edição do ano passado como o sangrento slasher Macabre com a sua hipnótica vilã, o arrepiante e audacioso The Children, ou o estonteante Martyrs.

Com várias sessões esgotadas, não faltou público ao MOTELx, entre os amantes do terror, cinéfilos e curiosos que com certeza estarão prontos a voltar na próxima edição. Em 2011 o MOTELx terá lugar mais uma vez no mítico Cinema São Jorge, entre 7 e 11 de Setembro.

Texto e Fotos Sara Peralta

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