“Amália Coração Independente”, segundo acto – Museu Colecção Berardo

O Museu Colecção Berardo, instalado no CCB, abre hoje ao público, 6 de Outubro, dia da morte de Amália Rodrigues, o segundo núcleo da exposição dedicada a Amália Rodrigues, Amália Coração Independente, que apresenta aqui uma visão mais moderna, distanciada  e iconográfica da artista.amalia_ccb-4

No total são cerca de 500 peças, entre fotografias, objectos pessoais da artista, fatos de cena, vestidos de palco, capas de álbuns, artigos de revistas e jornais, posters de concertos, obras plásticas de artistas contemporâneos e vídeos, dispostos ao longo de várias salas, de um piso do CCB, num projecto coordenado por Jean-François Chougnet, director do Museu Berardo.

Esta parte da exposição tem uma estrutura completamente diferente do núcleo instalado no Museu da Electricidade, com um cariz mais impessoal e contemporâneo, aqui tenta-se mostrar a evolução da carreira de Amália e a sua construção como ícone nacional, símbolo de beleza e elegância, com o devido distanciamento.amalia_ccb-1

A primeira parte do percurso expositivo é dedicada à biografia da fadista, dividida em cinco momentos. O primeiro começa em 1920, com o seu nascimento em Lisboa, passa pela sua primeira actuação no Retiro da Severa, em 1939 e às participações nos filmes Capas Negras e Fados, Hitória de Uma Cantandeira, e termina em 1949. O capítulo tem o nome de “Ai, Mouraria”.

“Barco Negro” abrange o período entre 1950-1961, e foca-se no momento em que Amália começou a cantar alguns poetas portugueses, como David Mourão Ferreira, ou Pedro Homem de Mello. É neste período que Amália participa pela primeira vez numa peça, no papel de Severa, da autoria de Júlio Dantas.

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De 1962 a 1970, o tema é “Com que Voz”, inspirado na sua relação com Alain Oulman, e a continua aposta na poesia portuguesa, como na de Camões. O quarto momento é designado de “Mariquinhas”, e vai de 1971 a 1999, foca-se nas actuações da artista no estrangeiro, e nas suas interpretações de folclore. Encerra esta parte da exposição, “Grito”, que termina com o seu desaparecimento.

A segunda parte de percurso expositivo é da responsabilidade de Emília Tavares, que escolheu inúmeras imagens, de diversos fotógrafos, de forma a representar a evolução da carreira e a construção da “diva” que foi Amália. “Os Fotógrafos sob o Signo de Amália”, assim se chama a apresentação, que pretende “desconstuir a imagem da diva”, disse Emília Tavares, ao C&H.amalia_ccb1

O final do percurso é destinado aos artistas contemporâneos, como Joana Vasconcelos, Ana Rito, Adriana Molder, Leonel Moura e Francesco Vezzoli, que apresentam a sua visão de glamour e da artista.

amalia_ccb-3Destaque para Joana Vasconcelos, que apresenta pela primeira vez, no mesmo espaço, os três ” Corações Independentes”, que estão espalhados por diferentes colecções, segundo revelou a artista ao C&H. “Esta presença na exposição  é muito importante para mim, pois estão aqui apresentados em conjunto os três Corações – Vermelho, do fado, do amor, dos sentimentos; O Dourado, que representa o ouro e a tradição portuguesa e o Preto, que simboliza a morte, a dor e o sofrimento”.

Vídeos e filmes complementam a mostra dedicada à fadista lisboeta, que nos mostram o evoluir de uma mulher, a estrela da canção e do cinema, a diva e finalmente a símbolo e ícone nacional, e que 10 anos após a sua morte ainda emociona muita gente com a sua voz, é recordada, chorada e homenageada.

A exposição pode ser visitada no Museu Colecção Berardo – CCB, todos os dias das 10h00 às 19h00 e ao sábado das 10h00 às 22h00. A entrada é gratuita. Durante a tarde vão decorrer visitas orientadas, (a inscrição é de 3 euros por pessoa) e aos fins-de-semana vão decorrer actividades paralelas, de acesso gratuito. Tudo até 31 de Janeiro de 2010.

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Fotografias de Francisco Lourenço

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