Aliança Underground Museum: arte nos túneis das caves de espumante

A convite das Caves Aliança, o C&H foi até Sangalhos, na Anadia, e conheceu o Aliança Underground Museum. Com 1.500 metros quadrados de área subterrânea, tem patentes sete exposições de arte,  que estão distribuídas ao longo dos túneis das caves, onde há mais de 70 anos apenas repousavam vinhos, aguardente e espumante da Aliança-Vinhos de Portugal, empresa actualmente do grupo Bacalhôa.

Foi em Abril que as caves abriram ao público como museu, uma obra que resulta da irreverência de Joe Berardo, o seu único investidor. Um espaço museológico, sonhado pelo empresário quando visitou as caves pela primeira vez, que terá no seu acervo obras de arte africana, minerais e pedras preciosas, entre outras peças. Parte do espólio é proveniente do antigo hotel Estoril Sol, entretanto demolido.

Com cinco visitas guiadas por dia, de carácter gratuito, os visitantes têm a oportunidade de passear por entre pipas e ver uma colecção de arte etnográfica africana ou observar o estágio do vinho ao lado de peças de arte da colecção de Joe Berardo e que estavam em armazéns ou emprestadas para exposições.

O quarto espaço museológico no país do espólio do comendador, que se junta ao Museu Colecção Berardo (CCB), ao Sintra Museu de Arte Moderna e ao Museu Monte Palace (Madeira), alberga três exposições com obras de arte africana e outras quatro de azulejaria, cerâmica das Caldas, minerais e fósseis, num total de sete.

Segundo Luciana Sardo, Relações Públicas do Aliança Underground Museum, na colecção arqueológica, o museu apresenta um conjunto de figuras em terracota com cerca de 1500 anos, provenientes da antiga cultura Bura-Asinda-Sika, do Níger (África).

No espaço dedicado à Arte Etnográfica Africana encontram-se estátuas, máscaras, armas, artigos de joalharia e utensílios do quotidiano. O continente africano está ainda representado pela Escultura Contemporânea do Zimbabué, um acervo de esculturas em pedra que reúne obras modernistas da comunidade de escultores de Tengenenge, com origem nos inícios da década de 60 do século passado.

Por seu turno, o conjunto de fósseis que vai ficar exposto é um “extraordinário património paleontológico com mais de 20 milhões de anos”, que inclui fósseis de rinocerontes, conchas, plantas ou peixes, entre outros, à qual estão associadas “largas dezenas” de madeiras petrificadas provenientes da Argentina.

Outra ala da exposição remete para a Cerâmica das Caldas da Rainha, concretamente para peças “raras e originais dos chamados período arcaico ao pós-bordaliano”, que inclui cerâmica tradicional do século XX produzida por Rafael Bordalo Pinheiro e Manuel Cipriano Gomes.

Outra colecção, a de Azulejos, propõe diversos exemplares, produzidos entre o século XVIII e a actualidade, na sua grande maioria de origem portuguesa e francesa, enquanto a colecção de minerais é composta por várias centenas de amostras – ametistas, calcites, moscovites, variedades de quartzo ou turmalinas – provenientes, em grande maioria, do Brasil.

O logótipo do Aliança Undergroud Museum remete para a imagem de marca do metropolitano de Londres, o círculo vermelho atravessado por uma faixa azul com o termo Underground, comparando-o aos 7500 metros quadrados dos túneis subterrâneos das Caves Aliança onde o museu está instalado. “Somos caves e temos o símbolo do Metro de Londres.

Para ficarmos no mapa mundial era o metro de Londres pôr-nos em tribunal” desafia Eduardo Medeiros, presidente da Comissão Executiva, relembrando palavras de Joe Berardo, aquando da inauguração. Segundo o administrador, tal situação seria “boa publicidade” para este espaço, que, frisa, tem uma “dimensão surpreendente”, com a mais-valia de conjugar “arte e vinho, que casam muito bem um com o outro”.

Texto de Cristina Alves
Fotos Museu Aliança

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