A Tragédia da Rua do Arsenal – uma conspiração com cem anos

Em ano de celebração do Centenário da República, as iniciativas que assinalam a data multiplicam-se um pouco por todo o país, e nas várias vertentes culturais e sociais, como por exemplo na música, nas artes do palco ou na literatura, como é o caso do mais recente romance de Jean Pailler, editado esta semana em Portugal, pela Planeta, A Tragédia da Rua do Arsenal, assim se intitula o livro que fala sobre a época e morte do rei D. Carlos e do príncipe herdeiro D. Luís.

Lisboa 1908

Entre a dramática situação económica e os primeiros golpes republicanos, uma perigosa conspiração política e uma paixão secreta entre o príncipe D. Luís Filipe e uma jovem brasileira assistimos ao desmoronar da monarquia.

Os sonhos do amor e lutas políticas acabam tragicamente na rua do Arsenal. Anuncia-se uma nova era: com a alvorada da República, a mudança dos destinos de Portugal.

Escrito de forma simples e acessível, Jean Pailler dá-nos neste livo uma visão mais humana e intimista da vida e das acções do rei D. Carlos e do seu filho princípe D. Luís Filipe e também de um dos momentos mais marcantes da nossa História.

Dos amores, às relações familiares, às conspirações políticas, quase todos os aspectos da vida do monarca são aqui relatados, com um pouco de ficção à mistura. O romance entre Luís e Lilly, o nascimento de uma filha, antes de um casamento que nunca chegou a acontecer por causa dos acontecimentos políticos, a fragilidade de D. Manuel, a influência, o poder e a relação de D.Maria I (a Pia) e a rainha D. Amélia d’Orleães são também aqui abordados.

Outra vertente é o lado da História, o contexto político e económico internacional, as conspirações por detrás do regicídio e papel das sociedades secretas, que levaram à queda da monarquia meses depois e à instauração de um novo regime político.

Entre história e ficção, Jean Pailler aborda um dos períodos mais importantes dos últimos séculos da História de Portugal, levanta hipóteses polémicas para os culpados da morte do rei e do príncipe herdeiro, fala de histórias de amor, de possíveis herdeiras, e retrata também uma parte da sociedade portuguesa de então, tudo de um modo apelativo e cativante, que nos faz vontade de saber mais sobre o que realmente se passou e sobre a época.

Uma obra de leitura obrigatória, nem que seja só pelo prazer de ler.

O livro foi lançado em Lisboa, no passado dia 3 de Fevereiro, na livraria Bullhosa, numa sessão que contou com a presença do autor, Jean Pailler.

Por Elsa Furtado

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