9ª edição do Festival Boom arranca a 28 de julho em Idanha-a-Nova

A 9.ª edição do Boom Festival, que decorrerá entre 28 de julho e 4 de agosto, em Idanha-a-Nova, vai contar este ano com 25 por cento do espaço movido inteiramente a energias renováveis. No maior festival português sem patrocínio – que também já é um dos mais conceituados eventos multidisciplinares de cultura independente do mundo – vão ser usados painéis solares fotovoltaicos e reaproveitado óleo usado para alimentar geradores. As restantes áreas continuaram a receber o apoio das estações solares térmicas e eólicas já existentes na herdade que acolhe o festival.

Em 2010, o Boom foi avaliado como o ‘festival mais verde’ da Europa e implementou o Boom Lab, espaço de investigação que visa desenvolver unidades fixas e móveis de energia solar.

Este é o festival de música e artes com maior consciência crítica, ambiental e cultural que Portugal conhece e o mais alternativo também. Organizado sempre em anos pares, em Idanha-a-Nova, decidiu acrescentar ao lote a preocupação económica e lançou pacotes ‘low-cost’ para países que vivem com a ajuda do FMI. Com uma facturação de quatro milhões de euros, em 2010, a expectativa é de 20% de crescimento este ano, quando irá receber visitantes de 92 países.

O Boom Festival 2012 assentou pela primeira vez arraiais perto de Castelo Branco em 1997. Nove anos depois, começou a incluir na programação cursos e workshops ambientais. Este ano, e porque a promotora Good Mood exporta 85% da sua actividade, foram criados vários níveis de preços.

“A decisão de segmentar os valores surge de uma consciência social. Sendo um festival de cultura independente considera-se que os factores monetários não devem inviabilizar a fruição cultural”, explicou Artur Mendes, da organização em comunicado.

 Fase de descontos termina hoje

A fase de compra dos bilhetes para o Boom Festival com preços reduzidos (descontos entre os 25 e os 45 por cento) para estudantes universitários portugueses e países sob ajuda externa chega hoje ao fim.

Segundo a organização, a partir de amanhã os ingressos passarão a ser adquiridos pelo preço único de 180 euros através da página oficial, da rede de embaixadores, ou à porta do recinto.

Esta iniciativa pretendeu minimizar o impacto do recente aumento do IVA no setor da cultura, democratizando o acesso à mesma a todos os países afetados pela crise. O primeiro pacote exclusivo foi desenvolvido para os estudantes portugueses, residentes em território nacional, e tem o custo de apenas 100 euros, o que representa uma média de 12,50 euros por dia.

O segundo pacote, que também poderá, durante o dia de hoje, ainda ser adquirido por 140 euros (designado preço social), destina-se a todos os países europeus que vivem actualmente uma conjuntura económica mais desfavorável em virtude da crise. Entre eles encontram-se os três estados sobre programa de ajustamento bem como Espanha, que também se junta a este grupo dada a sua situação económica e por ser um dos públicos mais fiéis do Boom Festival. Desta forma, qualquer residente em Espanha, Grécia, Irlanda e Portugal, que apresente um comprovativo de morada, tem direito a este desconto caso compre o seu bilhete dentro do prazo limite, junto de um dos embaixadores do festival.

Para além destas novas exceções, o Boom mantém a filosofia de dar oportunidade a todos tendo em conta as diferentes economias mundiais, adianta a promotora. Desta forma, os residentes dos países em desenvolvimento irão este ano continuar a contar com o habitual desconto. Até ao mesmo prazo os residentes destes países poderão adquirir a sua entrada, junto de um dos embaixadores representantes do festival, por apenas 120 euros. Como já é hábito em todas as edições é selecionado um país convidado. Este ano juntam-se dois à lista. Os residentes no México e na Guatemala têm direito a um bilhete totalmente gratuito. Para o efeito, necessitam apenas de mostrar ao embaixador local o comprovativo de residência.

Ainda, para os visitantes estrangeiros o Boom Festival providenciou autocarros com diferentes percursos, para facilitar o acesso ao recinto. Há a possibilidade de partir do aeroporto de Lisboa, Madrid, Grenoble, ou Paris, consoante o país de origem. Os bilhetes são de ida-e-volta e os preços variam de acordo com a rota pretendida. Importa referir que o Boom vive exclusivamente das receitas provenientes da venda de bilhetes, sendo um Festival livre de patrocínios.

Segundo a organização, este evento, que se mudou em 2002 para Idanha-a-Nova, já alocou à região mais de 15 milhões de euros através do recurso a fornecedores locais, bem como potenciando o turismo e o comércio local, graças ao grande fluxo de visitantes que leva a visitar a zona nos dias do festival. O esforço feito em reduzir o preço das entradas não se irá refletir, garante a mesma, na qualidade e características do festival. Serão oferecidas as mesmas condições aos visitantes, aliando sempre o conceito de evento multidisciplinar transgeracional e intercultural, “a uma visão autossustentável em prol da consciência ecológica”. Os bilhetes encontram-se à venda no site oficial do Boom, assim como juntos dos 115 embaixadores espalhados por todo o mundo, em mais de 50 estados. Até à data já se registou a compra de bilhetes em pré-venda em 92 países.

Texto de Cristina Alves

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