16.º Sudoeste: Milhares rumaram à Zambujeira do Mar pelo ambiente, convívio e música

Por Ângela Nobre  (Texto e Fotos)
Fotos dos Orelha Negra de Vera Marmelo
 

De saco-cama e tenda de campismo “às costas”, milhares de pessoas rumaram à Zambujeira do Mar, no concelho de Odemira, para começar o mês de agosto em ambiente de festival, com muita música, animação, passatempos, jogos, mergulhos, mar e sol. Ao todo, cerca de 135 mil pessoas terão passado pela 16.ª edição do Sudoeste, segundo os números da organização, que estima que se tenham “instalado” na Herdade da Casa Branca 20 mil campistas durante o festival.

Jovens e menos jovens, pais a acompanhar os filhos, estreantes e festivaleiros assíduos, compuseram um público heterogéneo, que marcou presença no Sudoeste, uns por “hábito”, outros pelo “ambiente”, mas todos (ou quase), para ouvir música.

Eddie Vedder, Ben Harper, James Morrison, The Roots, Xutos & Pontapés, Matisyahu, Jessie J e David Guetta eram os “most wanted” de parte do público que circulava pelo recinto do festival antes de se dar início aos concertos. Uns cumpriram ou superaram expectativas, outros desiludiram.

Ben Harper foi o músico mais criticado ao final do dia, tanto pela pouca interação com o público, bem como por “fugir” a temas de maior sucesso.

Foi preciso entrar em palco Vanessa da Mata, que cantou com o músico norte-americano “Good Luck/Boa Sorte”, para se sentir uma reação mais calorosa do público, que dificilmente aqueceu durante a noite fria que se fez sentir. Nessa altura, ainda houve quem se juntasse à moldura em torno do palco principal para ouvir o dueto. No final, um “obrigado” sem direito a “encore”.

Antes, já tinham passado pelo palco TMN na noite de quinta-feira (dia 2), Ben Howard, Matisyahu e Fat Freddy’s Drop, que, pouco a pouco, conforme foi avançando a noite, conseguiram ir fazendo a plateia, que começou bem “modesta”, crescer e até dançar.

Marcelo D2 foi o último a subir ao palco principal no primeiro dia de concertos, já pelas 02h30 da madrugada, para tocar para o público “mais resistente”.

Ao segundo dia de festival, Eddie Vedder, acompanhado pelo seu “ukulele”, que em alguns temas foi “substituído” pela guitarra, chegou, cantou e conquistou de imediato a assistência, que aguardava ansiosamente o espetáculo.

No dia mais “concorrido” do festival, com 32 mil pessoas no recinto, Eddie Vedder primou pela comunicação com o público, tendo-se mesmo dirigido por diversas vezes aos espetadores em português, apoiado numa cábula escrita. Além de músicas do seu album a solo de 2011, “Ukulele songs”, o vocalista de Pearl Jam, cantou ainda, durante mais de duas horas, várias músicas do grupo que formou em 1990.

Ao palco, para cantar e tocar com Eddie Vedder, subiu ainda Glen Hansard, que tinha já atuado sozinho ao início da noite. Nesse concerto, que foi o primeiro de sexta-feira (dia 03), o público foi mesmo surpreendido pelo músico de Seattle, que “antecipou” a presença em palco para cantar ao lado de Hansard, o que fez, antes do anoitecer, despertar a curiosidade de muitas pessoas que, surpreendidas, acabaram por se dirigir apressadamente à zona do palco principal para conseguirem assistir ainda ao final do espetáculo.

“You give me something”, “Wonderful World” e “Broken Strings” não faltaram no alinhamento  de James Morrisson, que voltou a conquistar o público com as músicas melodiosas sobejamente conhecidas, depois de já ter estado no Sudoeste em 2010.Richie Campbell, que esteve pela primeira vez no palco principal, mas pela terceira no Sudoeste, revelou-se uma boa aposta. O público gostou, dançou e saltou ao som do reggae do músico português, que convidou a cantora jamaicana Ikaya para cantar um tema no festival.

No sábado, com 28 mil pessoas no recinto, segundo a organização, o concerto de Xutos & Pontapés foi descrito por muitos como “o melhor da noite”. Outros apontaram antes para o hip hop de “The Roots” ou ainda para “Gorillaz Sound System”, que chegaram a passar “Buraka Som Sistema”, como os favoritos do terceiro dia de concertos.

O Sudoeste encerrou no domingo (dia 5), com a surpreendente Jessie J e com o estrondoso, e já bem conhecido dos “habitués” do festival e não só, David Guetta.

Jessie J, recebida em palco com gritos e aplausos do público, cantou e encantou, com uma presença forte, enérgica e bem disposta, além de uma grande interação com os espectadores, a quem se dirigiu ao longo de todo o concerto, falando de si própria ou das músicas que tocaria a seguir.

O espetáculo levou ainda a uma viagem por temas de outros músicos, como por exemplo “One Love”, de Bob Marley, misturado com uma das suas próprias canções, “Climax” de Usher  ou ainda “Never Too Much”, de Luther Vandross.

A jovem música britânica chegou a interromper inesperadamente a música “Domino”, quando viu uma cena de pancadaria entre o público.  “Parem já a música!”, pediu, dirigindo-se depois aos “agressores”. “Não continuo o concerto se não pararem, estamos aqui para viver a música e para celebrar boas energias”, disse, conseguindo então retomar o espectáculo.

Já a entrar na madrugada, pela 1h30, David Guetta pôs toda a gente a pular do início ao final do espetáculo, que, além da música, contou com um jogo de luzes coloridas, fumo, fogo, confettis e ainda fogo-de-artifício.

“Vocês, eu e a música, é tudo o que precisamos”, disse durante o espetáculo, confessando, entre músicas, estar “muito feliz por estar de volta” ao Sudoeste.
Pelo festival passaram ainda, entre o palco principal, o palco “reggae box” e a “grovebox” Orelha Negra, Thievery Corporation, The Ting Tings, Best Coast, The Vaccines, Two Door Cinema Club, o lendário Lee ‘Scratch’ Perry acompanhado de Max Romeo e The Congos e, entre muitos outros, Nicolas Jaar Live.

A 16.ª edição do Festival Sudoeste TMN encerrou depois de 70 concertos, dividos entre três palcos, em quatro dias de muita música, mas também de convívio, brincadeiras, passatempos patrocinados por várias marcas, praia e novas experiências.

Agora, já com a Herdade da Casa Branca “despida”, é tempo de rumar a casa, descansar e esperar pela 17.ª edição.

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